Alta nas vendas de ar-condicionado e regras para instalação
Com calor intenso e aumento de 207% nas vendas, especialistas orientam moradores sobre protocolos técnicos e regras condominiais para evitar multas e riscos estruturais

A intensa onda de calor registrada ao final de 2025 impulsionou uma verdadeira explosão nas vendas de aparelhos de ar-condicionado em cidades como Londrina (PR), com crescimento de aproximadamente 207% nas aquisições, segundo levantamento recente.
No entanto, para moradores de condomínios residenciais, adquirir o equipamento representa apenas a primeira etapa de um processo que exige atenção técnica e respeito às normas internas de convivência e segurança, sob pena de multas, notificações e até riscos estruturais ao edifício.
Antes mesmo de efetuar a compra, especialistas e gestores de obras recomendam que o condômino consulte a administração do condomínio ou o síndico para entender as regras específicas do regimento interno ou convenção condominial. Isso evita a aquisição de aparelhos inadequados ou a escolha de modelos que não poderão, posteriormente, ser instalados de acordo com as diretrizes do condomínio.
Uma das exigências comuns nos condomínios é a necessidade de anotação de responsabilidade técnica (ART) assinada por um engenheiro responsável. Esse profissional é fundamental para verificar dois aspectos essenciais: se a capacidade elétrica do edifício é compatível com a demanda do novo equipamento, evitando curtos-circuitos, quedas de energia ou sobrecarga da rede; e se a instalação respeita os padrões estéticos e estruturais da fachada, conforme previsto nas normas internas e, em muitos casos, pelo Código Civil e jurisprudência consolidada.
O respeito às regras de fachada é um ponto sensível porque qualquer rompimento da uniformidade visual do prédio pode ser considerado alteração irregular — especialmente quando a unidade condensadora é instalada em local visível ou sem proteção adequada — e pode resultar em notificações, multas ou até ordens de remoção do equipamento.
A síndica profissional Karina Bueno destaca que a falta de comunicação prévia e o desrespeito às normas “pode gerar punições financeiras e aborrecimentos futuros”, alertando que multas condominiais e medidas corretivas são aplicadas com frequência em situações de instalação inadequada.
Para muitos condôminos, o investimento total em instalação inclui não apenas o valor do aparelho, mas também os custos da adequação técnica, que podem variar entre R$ 1.500 e R$ 5.000, dependendo da infraestrutura necessária e da necessidade de reforços elétricos ou ajustes de posicionamento.
O episódio ressalta a importância de planejamento, diálogo com a administração condominial e observância de normas profissionais e internas antes de instalar ar-condicionado em unidades residenciais. A falta de cuidado pode resultar não apenas em conflitos de convivência, mas também em riscos de segurança e em responsabilização civil por eventuais danos decorrentes de instalações inadequadas.
Fonte: Tarobá