Ex-síndico é indiciado por desvio de R$ 106 mil
Investigação aponta que recursos da associação foram usados para despesas pessoais e pagamento da defesa criminal do ex-síndico

Ex-síndico suspeito de matar corretora em Caldas Novas é indiciado por desviar mais de R$ 100 mil de condomínio
Cleber de Oliveira teria usado parte do dinheiro da associação de moradores, transferido com a ajuda do filho, para pagar sua própria defesa criminal dias antes de ser preso.
Caldas Novas (GO) O ex-síndico Cleber Rosa de Oliveira, preso pelo assassinato da corretora de imóveis Daiane Alves, é alvo de um novo inquérito. Desta vez, a Polícia Civil o indiciou por apropriação indébita após investigações apontarem o desvio de mais de R$ 106 mil dos cofres do condomínio que ele administrava em Caldas Novas. O filho do ex-síndico, Maicon Douglas Souza de Oliveira, também deve responder pelo mesmo crime.
Segundo a reportagem, as irregularidades vieram à tona logo após a prisão de Cleber. A nova gestão do condomínio assumiu a presidência, notou inconsistências nas finanças e contratou uma auditoria externa, que confirmou os desvios.
Dinheiro do condomínio pagou defesa criminal
Uma das provas centrais da investigação é um comprovante de transferência via Pix no valor de R$ 18.000,00. O montante saiu diretamente da conta da associação do condomínio e foi transferido para a conta de Maicon Douglas (filho de Cleber) às 16h36 do dia 18 de janeiro exatamente dez dias antes da prisão do ex-síndico.
Foi da conta do filho que o dinheiro foi repassado aos advogados criminais responsáveis por defender Cleber. No dia seguinte ao pagamento, a defesa se apresentou oficialmente à Polícia Civil.
"Ele já se mostrava bastante preocupado com o avanço da investigação [do homicídio]. Já tinha mandado mensagens a familiares relatando essa preocupação e já buscava advogados que pudessem patrocinar sua defesa, prevendo dificuldades no campo jurídico", explicou o delegado responsável pelo caso, Thiago Ferrão.
IPVA, combustível e escrituras
Além de custear honorários advocatícios, os R$ 106 mil desviados foram usados para bancar despesas estritamente pessoais de Cleber, incluindo:
- Pagamento de IPVA do próprio carro;
- Abastecimento e manutenção de veículos;
- Compra de um aparelho celular;
- Despesas com escrituras de imóveis.
Cleber de Oliveira foi indiciado seis vezes por apropriação indébita. Agora, além de responder pelo homicídio de Daiane Alves, ele enfrenta mais esta frente na Justiça por crimes financeiros.
Advogados não têm envolvimento
A Polícia Civil isentou o escritório de advocacia de qualquer irregularidade. O delegado Thiago Ferrão ressaltou que os profissionais não tiveram participação no crime e prestaram um serviço legítimo.
"Os advogados não fizeram nada de errado. Estavam na atuação profissional deles, receberam os honorários e não sabiam que esse dinheiro era desviado do condomínio", esclareceu.
Relembre o caso
Daiane Alves foi vista pela última vez no dia 17 de dezembro do ano passado. Imagens de câmeras de segurança registraram os últimos momentos da corretora entrando no elevador e passando pela portaria do prédio rumo ao subsolo. Cleber foi preso preventivamente no dia 28 de janeiro deste ano.
De acordo com a apresentadora do telejornal, o perfil rigoroso e controlador de Cleber na administração do prédio que constantemente entrava em conflito com condôminos e prestadores de serviço, como a própria corretora seria uma forma de dificultar o acesso às informações do condomínio e, assim, acobertar os desvios financeiros.
Fonte: R7