Ex-síndico é condenado por desvio em condomínio
Decisão judicial determina ressarcimento superior a R$ 800 mil após correção monetária; denúncias de condôminos foram feitas após negativas de acesso às contas

Ex-síndico é condenado por desviar mais de R$ 600 mil de condomínio; moradores enfrentaram ameaças durante denúncias
Um ex-síndico de um condomínio residencial foi condenado a ressarcir mais de R$ 603 mil após ser acusado de desviar recursos da conta condominial. Com a correção monetária, o valor ultrapassa R$ 800 mil. O caso veio à tona após um grupo de moradores denunciar irregularidades na prestação de contas e acionar a Justiça em 2022.
Segundo relato de um dos representantes do grupo, os moradores solicitaram formalmente, por diversas vezes, a apresentação das contas do condomínio, mas o então síndico se recusava a fornecer os documentos. Diante da resistência, uma assembleia de esclarecimento foi solicitada judicialmente — tentativa que o síndico ainda tentou barrar duas vezes.
Após a autorização judicial, um dossiê com indícios de irregularidades financeiras e falhas graves na administração foi elaborado. As investigações identificaram desvios e inconsistências contábeis que resultaram na condenação divulgada no último dia 22.
Além do rombo financeiro, os moradores relataram ter sofrido ameaças durante o processo. O ex-síndico também era proprietário da administradora contratada pelo condomínio, situação que — segundo especialistas — fere princípios básicos de transparência, já que elimina o controle cruzado entre gestão e fiscalização.
“Esse caso mostra a importância de não concentrar funções. O correto é ter um síndico e uma administradora independentes, evitando que alguém fiscalize a si mesmo”, destacou um dos responsáveis pelo acompanhamento jurídico do caso.
Próximos passos
O ex-síndico ainda pode recorrer da decisão, mas está atualmente condenado ao pagamento integral dos valores desviados, além das correções. Parte dos prejuízos já foi arcada pelos próprios moradores, que precisaram realizar chamadas extras de capital para cobrir débitos e impostos acumulados.
A orientação dos especialistas é clara: condôminos devem acompanhar regularmente extratos bancários, notas fiscais e movimentações financeiras do condomínio.
“Quando os desvios aparecem, normalmente já é tarde e os valores são altos. Por isso, qualquer desconfiança deve ser apurada por empresas especializadas e com histórico de credibilidade”, reforçou o representante.
Fonte: Jornal da Manhã Joenville