Ex-PM foragido morre em condomínio de Araras
Rafael Rodrigues de Andrade era procurado pela Justiça do Paraná e morreu após troca de tiros com policiais durante cumprimento de mandado

Um ex-policial militar do Paraná que estava foragido da Justiça morreu após um confronto com policiais militares dentro de um condomínio residencial em Araras, no interior de São Paulo. A ocorrência aconteceu na noite de quinta-feira (3), no Jardim Cândida, durante uma operação para cumprimento de um mandado de prisão.
O homem foi identificado como Rafael Rodrigues de Andrade, de 30 anos. Ele era procurado por força de um mandado de prisão preventiva expedido pela Justiça do Paraná e estava escondido em um dos prédios do condomínio.
Segundo informações da Polícia Militar, as equipes foram até o residencial para cumprir a ordem judicial. Durante a abordagem, Andrade teria reagido e efetuado disparos contra os policiais.
Confronto aconteceu dentro de apartamento
Após a primeira troca de tiros, o ex-PM entrou em um apartamento e se trancou no imóvel. Os policiais precisaram arrombar a porta para dar continuidade à ocorrência.
Dentro do apartamento, houve uma nova troca de tiros. Andrade foi atingido por pelo menos três disparos.
O Corpo de Bombeiros foi acionado para prestar atendimento e encaminhou o homem ao Pronto-Socorro da Santa Casa de Araras. Ele não resistiu aos ferimentos e morreu.
A Polícia Civil de São Paulo instaurou um inquérito para apurar a dinâmica do confronto e esclarecer as circunstâncias que resultaram na morte. Portanto, embora a versão inicial da ocorrência tenha sido apresentada pela Polícia Militar, a investigação deverá analisar os elementos relacionados à troca de tiros.
Ex-PM era alvo de investigação no Paraná
Rafael Rodrigues de Andrade já havia sido preso em 2019 durante a Operação Carnívoro, realizada pelo Ministério Público do Paraná e pela Polícia Militar do estado.
A investigação apontava a existência de um esquema que teria utilizado integrantes da corporação para favorecer traficantes na região sul de Curitiba.
Segundo as informações divulgadas sobre a operação, os investigados eram suspeitos de utilizar recursos e informações da própria estrutura policial para beneficiar criminosos. Entre as condutas investigadas estavam o vazamento de dados sigilosos e o monitoramento de comunicações internas da corporação.
Na época, seis policiais militares e outras 17 pessoas foram presas no âmbito da operação. O caso posteriormente deu origem a medidas judiciais contra os envolvidos.
A situação que terminou em Araras, portanto, ocorreu no contexto de um mandado de prisão relacionado a essa investigação.
Condomínio foi cenário de uma operação policial
O episódio demonstra como um condomínio residencial pode eventualmente ser utilizado como local para cumprimento de medidas judiciais envolvendo pessoas procuradas pelas autoridades.
Nessas situações, a atuação do condomínio deve ser diferenciada da atividade policial. Síndicos, administradores e funcionários não têm atribuição para realizar abordagens, buscas ou confrontos. A responsabilidade pela operação e pela segurança durante o cumprimento de um mandado pertence aos órgãos competentes.
Para a gestão condominial, entretanto, existem medidas preventivas que podem contribuir para uma resposta mais organizada diante de situações de emergência.
O controle de acesso, o funcionamento adequado das câmeras e a manutenção dos registros de entrada e saída são ferramentas importantes para auxiliar as autoridades quando necessário.
Controle de acesso exige atenção permanente
Ocorrências envolvendo pessoas procuradas pela Justiça reforçam a importância de procedimentos consistentes na portaria.
O cadastramento de visitantes, a identificação de prestadores de serviço, o registro de entregas e o acompanhamento das áreas comuns podem aumentar a capacidade de resposta do condomínio diante de situações atípicas.
Essas medidas não têm como objetivo transformar funcionários em agentes de segurança pública, mas criar mecanismos para identificar movimentações incomuns e preservar informações que possam ser relevantes para uma investigação.
Em uma ocorrência policial, a equipe do condomínio deve seguir os protocolos previamente estabelecidos e evitar qualquer intervenção que possa colocar moradores ou funcionários em risco.
Câmeras podem contribuir para a investigação
Sistemas de videomonitoramento também assumem papel relevante em situações dessa natureza.
Imagens das áreas de acesso, estacionamentos, elevadores e corredores podem auxiliar na reconstrução da movimentação de pessoas antes, durante ou depois de uma ocorrência.
Por isso, a administração deve garantir que os equipamentos estejam funcionando e que os registros sejam preservados de acordo com os procedimentos internos e com a legislação aplicável.
Quando houver solicitação formal das autoridades, o fornecimento das imagens deve seguir os procedimentos adequados, preservando também os direitos relacionados à privacidade dos demais moradores.
Ocorrências de alto risco exigem protocolos
Um confronto armado dentro de um condomínio apresenta riscos não apenas para os envolvidos diretamente na ocorrência, mas também para moradores, funcionários e visitantes.
Por esse motivo, condomínios residenciais devem possuir procedimentos para situações de emergência, incluindo comunicação interna, acionamento dos serviços públicos e orientação para evitar a circulação de pessoas em áreas potencialmente perigosas.
Em casos de operação policial, a prioridade deve ser preservar a integridade das pessoas e permitir que as autoridades atuem sem interferências.
A administração também deve evitar a divulgação indiscriminada de informações sobre moradores envolvidos em ocorrências policiais, especialmente antes da conclusão das investigações.
Investigação ainda deve esclarecer dinâmica
A morte de Rafael Rodrigues de Andrade será investigada pela Polícia Civil de São Paulo. O objetivo é esclarecer as circunstâncias da troca de tiros ocorrida dentro do condomínio e verificar a dinâmica dos disparos.
Até o momento, a informação divulgada é de que o ex-PM teria reagido à abordagem policial, efetuado disparos e posteriormente entrado em um apartamento, onde ocorreu uma segunda troca de tiros. A investigação deverá reunir depoimentos, imagens e demais elementos para esclarecer a ocorrência.
O caso reforça a necessidade de os condomínios manterem protocolos de segurança, sistemas de monitoramento e controle de acesso em funcionamento, sem ultrapassar os limites das atribuições da administração.
Para síndicos e gestores, a principal preocupação deve estar na prevenção, na organização das informações e na proteção dos moradores e funcionários diante de situações extraordinárias.
A ocorrência em Araras mostra que mesmo empreendimentos residenciais podem ser cenário de operações policiais de alta complexidade. Nesses momentos, procedimentos previamente definidos podem contribuir para reduzir riscos e facilitar a atuação das autoridades.
Fonte: G1