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Mercado imobiliário na mira do crime organizado

Pesquisa publicada na e-Revista do CNJ revela como organizações criminosas utilizam o setor imobiliário para ocultar recursos ilícitos e destaca medidas para fortalecer o combate à lavagem de capitais.

Estudo do CNJ aponta mercado imobiliário como principal alvo do crime organizado para lavagem de dinheiro
Foto: Imagem ilustrativa

A utilização do mercado imobiliário como instrumento para ocultar recursos provenientes de atividades criminosas continua sendo um dos maiores desafios no combate ao crime organizado. Essa prática, conhecida como lavagem de capitais, permite que dinheiro obtido de forma ilícita seja transformado em patrimônio aparentemente legal, dificultando a identificação da origem dos recursos e dos verdadeiros beneficiários das operações.

O tema é abordado no artigo "O Setor Imobiliário como Ambiente de Integração de Ativos Ilícitos: perspectivas sobre a lavagem de capitais por organizações criminosas", publicado na primeira edição do volume 10 da Revista Eletrônica do Conselho Nacional de Justiça (e-Revista CNJ). No estudo, os autores Adriana Maria Gomes de Souza Spengler e Rainier Nespolo explicam como organizações criminosas utilizam o mercado imobiliário para incorporar recursos ilícitos à economia formal, conferindo aparência de legalidade ao patrimônio.

Segundo os pesquisadores, mecanismos como negociações sucessivas de imóveis, utilização de empresas de fachada, pessoas interpostas — os chamados "laranjas" — e estruturas societárias complexas tornam o rastreamento dos valores muito mais difícil e desafiam os métodos tradicionais de investigação utilizados pelos órgãos de controle.

O artigo destaca que o enfrentamento à lavagem de capitais exige medidas que vão além da responsabilização criminal dos envolvidos. Para os autores, é fundamental fortalecer a inteligência financeira, ampliar a identificação dos beneficiários finais das transações, intensificar a recuperação de ativos e reforçar a cooperação entre órgãos de controle e o sistema de Justiça.

Na avaliação dos especialistas, retirar das organizações criminosas a capacidade de transformar recursos ilícitos em patrimônio legalizado é uma das estratégias mais eficazes para enfraquecer financeiramente essas estruturas. Para isso, defendem o aperfeiçoamento dos mecanismos de prevenção, fiscalização e transparência nas operações do mercado imobiliário, contribuindo para proteger a economia formal e fortalecer as políticas públicas de combate à criminalidade organizada.

O estudo integra a primeira edição do volume 10 da e-Revista CNJ, lançada em junho, que reúne 18 artigos científicos voltados a temas como violência doméstica e familiar contra a mulher, crime organizado e infância e juventude. A publicação recebeu mais de 50 trabalhos para avaliação e tem como objetivo contribuir para o aperfeiçoamento das políticas judiciárias e das respostas institucionais aos principais desafios enfrentados pelo sistema de Justiça brasileiro.

A próxima edição da revista será dedicada aos temas precatórios, execução fiscal e juizados especiais, com prazo para submissão de artigos até 23 de agosto, ampliando o debate sobre questões relevantes para o Judiciário e para a sociedade.

Fonte: CNJ