Estudante denuncia agressão em condomínio
Jovem afirma ter sido agredido por um advogado durante discussão em um condomínio. O caso foi registrado por câmeras de segurança e é investigado pela Polícia Civil.

Estudante de Direito é agredido por vizinho advogado em condomínio de São Paulo
Um caso de agressão física e ameaças chocou os moradores de um condomínio em São Paulo. O estudante de direito Atílio Gallucci, de 19 anos, foi agredido por um vizinho, que é advogado, na quadra de esportes do residencial. O caso, que teria sido motivado por desavenças em um aplicativo de mensagens, está sob investigação policial e, devido à gravidade das agressões, a polícia civil já trabalha com a possibilidade de enquadrar o ocorrido como tentativa de homicídio.
O Momento das Agressões
O episódio foi registrado em vídeo por uma adolescente do condomínio. As imagens flagram o momento em que o advogado parte para cima do jovem e desfere vários socos. Atílio tenta se proteger atrás da trave de futebol, enquanto o homem, visivelmente alterado, ordena que os outros rapazes se afastem.
Mesmo diante das tentativas de outros adolescentes de acalmar o agressor, as ameaças e ofensas continuaram. Em um segundo registro, um segurança do prédio aparece ao lado do advogado, que segue intimidando a vítima:
"Isso só demonstra o quanto você é um [censurado] porque você é incapaz de assumir as coisas que você faz", grita o homem.
O estudante agredido relatou o susto e a tentativa de defesa:
"Ele chegou meio inesperado. Minha forma só foi me defender porque eu sabia que ele ia me bater. Sabia que ele já estava num olhar meio agressivo e que queria alguma coisa, então meu momento só foi me defender." — Atílio Gallucci, estudante.
Discussão por Futebol e "Rap" com Ameaças
Segundo as investigações, o conflito teve início cerca de um mês antes, em um grupo de WhatsApp criado pelos jovens do condomínio para organizar partidas de futebol. O que começou com brincadeiras e provocações típicas de adolescentes escalou para trocas de xingamentos, abalando a amizade entre Atílio e o filho do advogado.
A situação se agravou após o filho do agressor compor um "rap" com ameaças diretas aos jovens do prédio e publicá-lo nas redes sociais:
"Então, 'peidão', eu tô chegando mandando a desbolada. Hoje eu vou matar esses caras, vocês vai tomar uma bolada. Como se fosse futebol, vocês só dá mancada... com atitude de racista, esses comédia é falha." — Trecho da música publicada.
Uma vizinha do condomínio, Mara Fonseca, afirmou ter questionado o advogado sobre a postura do filho dele antes de toda a confusão física acontecer:
"Eu falei para ele: 'Você viu esse rap que seu filho fez?'. Ele falou: 'Eu vi, inclusive foi porque ele ficou muito revoltado'. Eu respondi: 'Não, isso é uma coisa que já vem dele, ele está precisando de ajuda'." — Mara Fonseca, vizinha.
Confronto com a Mãe da Vítima
Logo após as agressões na quadra, a mãe de Atílio, Adiná Maria Rocha, desceu para defender o filho e confrontou o advogado. Ao ser questionado sobre o porquê de ter agredido especificamente Atílio entre todos os presentes, o homem confirmou a violência:
Adiná Maria: "Você bateu no meu filho?"
Advogado: "Bati no seu filho sim."
Adiná detalhou a resposta que obteve do agressor:
"Eu falei: 'Por que você culpou só o Atílio, sendo que tinha os outros meninos?'. Ele disse: 'Porque o Atílio era o único de maior'." — Adiná Maria Rocha, mãe da vítima.
Medidas Legais e Clima de Medo no Prédio
A família de Atílio registrou um Boletim de Ocorrência e o estudante passou por exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML). Além disso, a mãe do jovem denunciou a conduta do advogado diretamente à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
A equipe de reportagem tentou entrar em contato com o advogado agressor por telefone, mas ele não atendeu às ligações.
O agressor e o filho continuam residindo no condomínio, o que tem impedido as vítimas de utilizarem as dependências do prédio.
"Ele não quer descer mais, tem medo de sair quando eu peço para ele ir a uma padaria, coisas do tipo. Agora estamos em época de férias e, como percebem, as crianças não descem mais para as áreas comuns. Ele realmente está muito assustado." — Adiná Maria Rocha.
Fonte: R7