Estoque de estúdios cresce 71% em São Paulo
Oferta de imóveis de até 30 m² chega a 10,9 mil unidades, mas Secovi-SP considera estoque distante de nível preocupante

O estoque de imóveis compactos de até 30 m² cresceu 71% nos últimos 12 meses até junho de 2026 e chegou a 10,9 mil unidades na cidade de São Paulo. O avanço ocorre em meio à desaceleração das vendas, mas, segundo o Sindicato das Empresas de Compra, Venda e Administração de Imóveis de São Paulo (Secovi-SP), ainda não representa um nível preocupante para o mercado.
Os imóveis compactos ganharam espaço expressivo nos lançamentos da capital nos últimos anos. Em 2024, as unidades desse perfil já correspondiam a mais da metade dos lançamentos paulistanos. Dez anos antes, a participação era de 22%.
O crescimento da oferta acompanha uma mudança no perfil dos empreendimentos residenciais de São Paulo, com maior presença de unidades menores e voltadas principalmente a pessoas que buscam praticidade, localização e valores de aquisição mais acessíveis.
Estoque equivale a 12 meses de vendas
Com 10,9 mil unidades disponíveis, o estoque atual de imóveis de até 30 m² corresponde a aproximadamente 12 meses de vendas. Em junho de 2025, esse prazo era de cinco meses.
Apesar do aumento, o presidente executivo do Secovi-SP, Ely Wertheim, avalia que o volume ainda não caracteriza uma situação de excesso de oferta capaz de provocar uma bolha imobiliária.
Segundo Wertheim, um cenário considerado mais preocupante seria aquele em que o estoque ultrapassasse 24 meses, período próximo ao necessário para a construção de um edifício.
“O que são 10 mil unidades em uma cidade de 12 milhões de habitantes? O estoque subiu, mas vai ser escoado”, afirmou o executivo ao site Metro Quadrado.
Juros dificultam aquisição para moradia
A desaceleração das vendas está relacionada, entre outros fatores, às condições de financiamento e à renda disponível das famílias.
Para quem busca um imóvel compacto como moradia, o acesso ao crédito continua sendo um obstáculo em um cenário de juros elevados. A capacidade de pagamento das famílias limita o valor que pode ser financiado e pode reduzir o ritmo de absorção das unidades disponíveis.
A situação também influencia a estratégia das incorporadoras, que precisam equilibrar o lançamento de novos projetos com a velocidade de comercialização do estoque existente.
Incorporadoras miram regiões com maior demanda
A oferta de imóveis compactos permanece concentrada em regiões consideradas estratégicas para esse tipo de produto. A One Innovation, por exemplo, mantém projetos em bairros como Pinheiros, Itaim Bibi, Jardins e Moema.
A empresa informou que as dificuldades de renda e financiamento afetam principalmente a compra destinada à moradia. Ainda assim, registrou R$ 1,1 bilhão em vendas neste ano, enquanto os lançamentos somaram R$ 700 milhões no período.
O desempenho demonstra que, mesmo com a desaceleração do segmento, existe demanda por unidades menores em determinadas regiões da capital, especialmente onde localização e oferta de serviços podem representar diferenciais para os compradores.
Mercado acompanha evolução do estoque
O aumento do estoque de estúdios coloca o comportamento das vendas no centro das atenções do mercado imobiliário paulista. A velocidade de absorção das unidades será determinante para avaliar se a oferta atual representa apenas uma recomposição do mercado ou se poderá gerar pressão maior sobre preços e novos lançamentos.
Por enquanto, a avaliação do Secovi-SP é de que o nível de estoque permanece administrável e distante de uma situação considerada crítica. O desempenho dos próximos meses, porém, será importante para definir os rumos dos imóveis compactos na capital.
O movimento também reforça a necessidade de incorporadoras e investidores acompanharem fatores como juros, acesso ao crédito, renda das famílias e localização dos empreendimentos antes de definir novos projetos ou estratégias de comercialização.
Fonte: Portas