Recife debate futuro imobiliário e terrenos de marinha
Especialistas discutem como a nova legislação urbanística e os entraves jurídicos ligados aos terrenos de marinha impactam o desenvolvimento imobiliário da capital pernambucana nos próximos anos

O futuro do mercado imobiliário do Recife tem sido marcado por um intenso debate entre a modernização da legislação urbanística e os antigos entraves jurídicos relacionados aos terrenos de marinha, que continuam influenciando diretamente o desenvolvimento da capital pernambucana.
O tema foi discutido no videocast Metro Quadrado, do Jornal do Commercio, reunindo o jornalista Lucas Moraes, o advogado especialista em mercado imobiliário Amadeu Mendonça e o presidente da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário de Pernambuco (Ademi-PE), Leonardo Pessoa de Queiroz.
Durante o debate, os especialistas analisaram como a recente aprovação da Lei de Parcelamento, Uso e Ocupação do Solo (LPUOS) abriu novas possibilidades para o setor imobiliário, especialmente em áreas urbanas antes pouco exploradas, incentivando projetos de adensamento, retrofit e requalificação de regiões centrais da cidade.

Áreas do Recife sob o regime de Ocupação em Terreno de Marinha (entre as demarcações amarelas) - CORTESIA
Apesar disso, o avanço do setor ainda encontra um obstáculo estrutural importante: a presença de extensas áreas classificadas como terrenos de marinha, o que impacta diretamente a viabilidade de financiamentos e a expansão de empreendimentos imobiliários, sobretudo os voltados à habitação popular.
Segundo o debate, esse modelo de ocupação territorial gera um “nó” no desenvolvimento urbano, já que parte significativa dos imóveis do Recife está inserida nesse regime jurídico, o que impõe restrições ao acesso a crédito e dificulta a execução de programas habitacionais, como o Minha Casa, Minha Vida, em determinadas regiões da cidade.
Os especialistas destacam ainda que o crescimento da cidade depende não apenas de novas leis urbanísticas, mas também de soluções estruturais que envolvam revisão normativa, segurança jurídica e maior previsibilidade para investidores e construtoras atuarem em áreas estratégicas.
A discussão reforça que o Recife vive um momento de transição, no qual o equilíbrio entre desenvolvimento urbano, preservação legal e viabilidade econômica será determinante para o futuro do mercado imobiliário local.
Nesse cenário, o setor da construção civil e entidades representativas defendem maior articulação entre poder público e iniciativa privada, com o objetivo de destravar gargalos históricos e permitir que a cidade avance em direção a um modelo mais moderno, acessível e sustentável de ocupação urbana.