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Quando manter um cão na varanda vira maus-tratos
Especialistas explicam que privação de espaço, cuidados inadequados e sofrimento do animal podem caracterizar crime

Entenda por que manter cachorro preso em varanda pode configurar maus-tratos
O caso de um cachorro idoso encontrado em uma varanda de apartamento em Ribeirão Preto (SP) reacendeu uma discussão importante sobre os limites entre a guarda responsável de animais e a prática de maus-tratos. Especialistas alertam que agressões físicas não são as únicas situações capazes de caracterizar o crime previsto na legislação brasileira.
Segundo profissionais da área de proteção animal e medicina veterinária, o sofrimento causado por negligência, abandono ou privação de necessidades básicas também pode configurar maus-tratos, mesmo quando não existem sinais aparentes de violência física.
Maus-tratos vão além das agressões
Muitas pessoas associam maus-tratos apenas a espancamentos ou ferimentos provocados intencionalmente. No entanto, especialistas explicam que o conceito é muito mais amplo.
A privação de espaço adequado, a falta de alimentação, a ausência de água limpa, a negligência com a saúde do animal e a manutenção em ambientes inadequados são exemplos de situações que podem gerar sofrimento e comprometer o bem-estar dos pets.
Em casos envolvendo apartamentos e condomínios, a permanência contínua de animais em varandas pequenas, sem proteção adequada ou sem condições de conforto, também pode levantar suspeitas e exigir avaliação técnica.
Bem-estar animal deve ser prioridade
Veterinários destacam que cães precisam de espaço compatível com suas necessidades físicas e comportamentais. Além disso, necessitam de acompanhamento veterinário, alimentação adequada, higiene e interação com os tutores.
Animais idosos exigem atenção ainda maior, já que costumam apresentar limitações físicas, doenças crônicas e maior vulnerabilidade a situações de estresse e desconforto.
Segundo especialistas, quando um animal permanece exposto a condições que causam sofrimento físico ou emocional, pode haver caracterização de maus-tratos, dependendo das circunstâncias verificadas pelas autoridades.
Denúncias são fundamentais
Casos suspeitos podem ser denunciados por moradores, vizinhos, síndicos e funcionários de condomínios. As denúncias permitem que órgãos competentes realizem fiscalizações e verifiquem as condições em que os animais estão sendo mantidos.
Especialistas ressaltam que nem toda denúncia resulta automaticamente na retirada do animal, pois cada situação exige análise técnica, laudos veterinários e avaliação das autoridades responsáveis.
Papel dos condomínios na proteção animal
A crescente presença de animais de estimação nos condomínios tem ampliado a necessidade de conscientização sobre guarda responsável e bem-estar animal.
Síndicos e administradoras não possuem poder para retirar animais de unidades privadas, mas podem orientar moradores sobre denúncias aos órgãos competentes quando identificarem possíveis situações de risco.
O caso ocorrido em Ribeirão Preto reforça a importância da atenção da sociedade para situações que possam comprometer a saúde e a dignidade dos animais, além de evidenciar que maus-tratos não se resumem apenas à violência física, mas incluem qualquer condição que provoque sofrimento ou prejudique a qualidade de vida dos pets.
Fonte: G1