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Engenheiro relata risco de colapso antes de prédio desabar na Penha

Vistoria apontou rachaduras, irregularidades e divergências entre a construção e o projeto aprovado antes do desabamento

Engenheiro relata risco de colapso antes de prédio desabar na Penha

Engenheiro relata risco de colapso antes de prédio desabar na Penha

Um engenheiro afirmou ter identificado falhas graves e risco de colapso no prédio que desabou na Rua Tequici, na Penha, Zona Leste de São Paulo, em 12 de setembro. O acidente deixou seis pessoas mortas e outras duas feridas.

O relato foi apresentado pelo engenheiro Fabio José de Oliveira à Controladoria-Geral do Município de São Paulo (CGM). Segundo o depoimento, ele havia vistoriado o imóvel em fevereiro, meses antes do desabamento, a pedido de um representante da Construtora New Home.

A vistoria tinha como objetivo levantar os reparos necessários para a obtenção do Habite-se. Durante a avaliação, entretanto, o profissional relatou ter encontrado diferentes problemas relacionados à construção.


Vistoria identificou rachaduras e irregularidades

Segundo o depoimento, o engenheiro encontrou rachaduras, escadas em desacordo com normas do Corpo de Bombeiros e divergências entre aquilo que havia sido construído e o projeto aprovado pela Prefeitura de São Paulo.

Outro ponto informado pelo profissional chamou atenção: o prédio teria 50 apartamentos, enquanto o projeto registrado no município previa 39 unidades.

O relato também aponta que a construção estaria exercendo pressão sobre imóveis vizinhos, provocando rachaduras em muros e na calçada.

Esses elementos passaram a fazer parte das informações analisadas pelas autoridades responsáveis pela apuração do caso.


Engenheiro teria recomendado retirada de família

Ainda de acordo com o depoimento, Fabio José de Oliveira recomendou que a família que vivia na casa atingida pelos problemas deixasse o imóvel durante a realização dos reparos.

O profissional também afirmou que intervenções estruturais realizadas anteriormente não haviam eliminado o risco de queda da edificação.

A informação é relevante para a investigação porque indica que problemas relacionados à segurança da construção teriam sido identificados antes do colapso.

As causas técnicas do desabamento, contudo, ainda dependem de perícia.

Orçamento para reparos chegou a R$ 5 milhões

O engenheiro afirmou que apresentou inicialmente um orçamento de aproximadamente R$ 1,5 milhão para a realização dos reparos necessários.

Segundo seu relato, o valor poderia chegar a R$ 5 milhões, dependendo das intervenções necessárias.

Ainda conforme o depoimento, a construtora informou que tinha disponibilidade de aproximadamente R$ 670 mil para executar os serviços. A negociação não avançou, e o profissional declarou que não voltou a ser procurado pelo representante da empresa.

O conteúdo do depoimento será analisado pelas autoridades no contexto das investigações sobre as condições da edificação e as circunstâncias que antecederam o desabamento.

Polícia Civil investiga responsabilidades

A Polícia Civil de São Paulo investiga as causas do desabamento e as responsabilidades relacionadas à obra.

Segundo o Diário do Povo, Ronaldo dos Santos Vivaqua está preso. O engenheiro Cristiano Salgado Vivaqua e a empresária Isis de Freitas Rodrigues Brandão são procurados.

Os três são investigados por possível homicídio com dolo eventual, mas ainda não foram condenados.

A responsabilização criminal dependerá da conclusão das investigações e da análise das provas reunidas pelas autoridades.

Prefeitura também apura fiscalização

Além da investigação policial, a Controladoria-Geral do Município apura a atuação da fiscalização municipal relacionada ao imóvel.

A Prefeitura informou que o empreendimento possuía histórico de embargos e multas e que suspendeu obras relacionadas às empresas envolvidas enquanto novas vistorias são realizadas.

A apuração busca esclarecer não apenas as condições da construção, mas também os procedimentos de fiscalização adotados antes do colapso.

Divergência entre projeto e construção chama atenção

Do ponto de vista da engenharia e da segurança das edificações, uma das informações apresentadas no depoimento é a diferença entre o número de unidades previsto no projeto aprovado e aquele existente no prédio.

O projeto registrado na Prefeitura previa 39 apartamentos, enquanto o engenheiro relatou ter encontrado 50 unidades no imóvel.

A existência dessa divergência será analisada pelas autoridades dentro do conjunto de elementos relacionados à obra.

Alterações realizadas durante uma construção precisam observar os procedimentos técnicos e legais aplicáveis, especialmente quando podem interferir nas características estruturais, na segurança e na ocupação da edificação.

Rachaduras exigem avaliação técnica

O caso também chama atenção para a importância da avaliação profissional diante de rachaduras e outras manifestações patológicas em edificações.

Nem toda rachadura significa, isoladamente, risco iminente de colapso. A avaliação depende de fatores como localização, dimensão, evolução, elementos construtivos afetados e possíveis causas.

Por isso, sinais observados em paredes, pilares, vigas, lajes, muros ou outros componentes devem ser analisados por profissional habilitado quando houver suspeita de comprometimento da segurança.

No caso do prédio da Penha, o engenheiro afirmou ter encontrado um conjunto de problemas durante a vistoria realizada meses antes do acidente.

Perícia deverá esclarecer causas do desabamento

Apesar dos relatos apresentados à Controladoria e das informações já reunidas pelas autoridades, as causas técnicas do desabamento ainda não foram definitivamente estabelecidas.

A perícia deverá avaliar as condições estruturais do imóvel, as características da construção, as intervenções realizadas anteriormente e outros elementos que possam ter contribuído para o colapso.

O resultado dessa análise será importante para diferenciar os problemas previamente identificados das causas efetivas que levaram à queda da edificação.

Caso reforça importância da segurança predial

O episódio também coloca em evidência a importância das vistorias, da manutenção e do acompanhamento técnico das edificações.

Em condomínios e demais imóveis, problemas aparentes podem ter diferentes origens e níveis de gravidade. A identificação precoce, acompanhada de avaliação técnica adequada, pode permitir que sejam adotadas medidas preventivas antes que uma situação evolua.

No caso investigado na Penha, o depoimento do engenheiro indica que determinados problemas já haviam sido observados meses antes do desabamento.

Enquanto a investigação policial e a perícia continuam, o caso evidencia a necessidade de atenção permanente às condições de segurança das edificações, à regularidade das obras e à compatibilidade entre o projeto aprovado e aquilo que efetivamente é construído.