Energia solar impulsiona modernização dos condomínios
Expansão da geração fotovoltaica e dos veículos elétricos aumenta investimentos em eficiência energética e infraestrutura condominial

Energia solar conquista espaço nos condomínios e aquece demanda por crédito sustentável
A energia solar vem conquistando espaço nos condomínios residenciais e comerciais brasileiros, impulsionada pela busca por redução de custos, eficiência energética e modernização da infraestrutura. O movimento também tem ampliado a procura por linhas de crédito destinadas a melhorias sustentáveis nos empreendimentos.
De acordo com levantamento do Cerus, fintech especializada no segmento condominial, síndicos e assembleias passaram a avaliar com maior frequência investimentos em sistemas de geração fotovoltaica e infraestrutura para veículos elétricos.
A mudança ocorre em meio ao crescimento acelerado da energia solar no Brasil e à expansão da mobilidade elétrica.
Energia solar ultrapassa 65 GW de capacidade instalada
Dados da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR) apontam que o Brasil alcançou 65,1 gigawatts (GW) de capacidade instalada de energia solar em fevereiro de 2026.
O número representa um crescimento expressivo em relação a 2018, quando o país possuía aproximadamente 1 GW de capacidade instalada.
Segundo a entidade, a expansão da fonte solar já movimentou R$ 288,3 bilhões em investimentos, gerou mais de 1,9 milhão de empregos e resultou em aproximadamente R$ 90,3 bilhões em arrecadação de tributos desde o início da expansão da tecnologia no país.
Condomínios aumentam investimentos em geração própria
O crescimento da energia solar também começa a aparecer de forma mais intensa na realidade dos condomínios.
Entre agosto de 2025 e fevereiro de 2026, a capacidade instalada no país passou de aproximadamente 60 GW para mais de 65 GW, segundo dados da ABSOLAR e da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
Para Sarah Castro, diretora comercial do Cerus, o avanço da tecnologia tem refletido diretamente nas decisões de investimento dos empreendimentos.
“Esse avanço tem refletido diretamente na realidade dos condomínios. Entre 2024 e o início de 2026, o número de empreendimentos que recorreram a financiamento para instalar sistemas de energia solar nas áreas comuns dobrou”, afirma Sarah.
Redução da taxa condominial é principal motivação
Um dos principais fatores que levam os condomínios a investir em energia solar é a possibilidade de reduzir os gastos com eletricidade e, consequentemente, diminuir a pressão sobre a taxa condominial.
Em determinadas situações, a economia obtida na conta de energia pode compensar o valor destinado ao financiamento do sistema.
A lógica transforma a instalação de uma usina fotovoltaica de uma despesa de infraestrutura em um investimento com potencial de retorno financeiro ao longo do tempo.
Crédito ganha importância para modernização
O custo inicial de instalação de sistemas solares e de adequação da infraestrutura elétrica pode representar um desafio para os condomínios.
Nesse cenário, o financiamento passa a ser uma alternativa para viabilizar obras sem exigir necessariamente que todo o investimento seja pago de uma única vez pelos condôminos.
Segundo o Cerus, a procura por crédito destinado a melhorias sustentáveis em condomínios, incluindo usinas solares e infraestrutura para eletropostos, cresce cerca de 45% ao ano desde 2024.
Financiamentos chegam a R$ 400 mil
Atualmente, o valor médio dos financiamentos destinados a condomínios de médio porte é de aproximadamente R$ 400 mil.
Os recursos podem contemplar tanto a instalação de sistemas de geração solar quanto a preparação elétrica necessária para a implantação de pontos de recarga de veículos.
O modelo permite que diferentes necessidades de modernização sejam planejadas dentro de um mesmo projeto de infraestrutura.
Veículos elétricos pressionam infraestrutura
A expansão da mobilidade elétrica é outro fator que está modificando as demandas dos condomínios.
Com o aumento da circulação de veículos elétricos, os empreendimentos residenciais e comerciais precisam considerar como disponibilizar infraestrutura adequada para recarga.
O desafio envolve não apenas instalar carregadores, mas avaliar a capacidade da rede elétrica, os sistemas de proteção e as condições técnicas do edifício.
Número de eletropostos cresce no país
Segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), o Brasil possuía 21.061 pontos públicos e semipúblicos de recarga em fevereiro de 2026.
O número representa crescimento de aproximadamente 42% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Em agosto de 2025, eram 16.880 pontos, o que significa um aumento de 25% em apenas seis meses.
Em 2020, o país contava com cerca de 350 eletropostos.
Instalação de carregadores exige planejamento
A instalação de carregadores em condomínios não deve ser tratada apenas como a colocação de um equipamento em uma tomada.
A infraestrutura elétrica precisa ser avaliada para verificar se possui capacidade suficiente para suportar a nova demanda.
Também podem ser necessários projetos específicos, sistemas de proteção e adequações nas instalações existentes.
Normas aumentam exigências técnicas
Segundo Sarah Castro, mudanças nas diretrizes de segurança e nos requisitos técnicos para instalação de carregadores em edifícios residenciais e comerciais aumentaram a necessidade de projetos especializados.
“Esse movimento vem acompanhado de novas exigências técnicas e normativas. Nos últimos anos, foram ampliadas as diretrizes de segurança e os requisitos técnicos para a instalação de carregadores em edifícios residenciais e comerciais, exigindo projetos específicos, sistemas de proteção e adequações da infraestrutura elétrica dos empreendimentos”, explica Sarah.
A executiva acrescenta que as regulamentações restringem o uso de tomadas comuns para recarga, levando muitos condomínios a buscar financiamento para realizar as adequações necessárias.
Sustentabilidade deixa de ser apenas pauta ambiental
O movimento indica uma mudança na percepção dos condomínios sobre investimentos sustentáveis.
A instalação de energia solar e a preparação para veículos elétricos passaram a ser avaliadas não somente pelo aspecto ambiental, mas também pelos possíveis efeitos financeiros e patrimoniais.
Para os empreendimentos, reduzir despesas recorrentes e modernizar a infraestrutura pode representar uma estratégia de longo prazo.
Investimentos podem valorizar imóveis
Além da economia operacional, investimentos em infraestrutura sustentável também podem influenciar a percepção de valor dos imóveis.
Segundo a análise apresentada pelo Cerus, unidades localizadas em condomínios com sistemas de energia solar e infraestrutura para veículos elétricos podem alcançar valorização entre 10% e 15%.
O potencial de valorização está associado à combinação entre redução de custos, modernização do empreendimento e adaptação às novas demandas dos consumidores.
Patrimônio dos moradores também pode ser beneficiado
Para além da economia na conta de energia, a modernização da infraestrutura pode contribuir para a segurança das instalações e para a valorização patrimonial.
“Essa tendência é impulsionada pela busca por redução de custos, valorização imobiliária e adaptação à crescente demanda por infraestrutura para veículos elétricos, entre outras”, reforça Sarah.
A executiva avalia que a modernização energética deixou de ser uma iniciativa exclusivamente relacionada à sustentabilidade.
Assembleia condominial tem papel estratégico
A implantação de sistemas solares ou de infraestrutura para carregamento de veículos exige planejamento e avaliação por parte do condomínio.
Questões relacionadas a custos, financiamento, capacidade elétrica, manutenção, rateio de despesas e utilização da infraestrutura precisam ser analisadas antes da execução das obras.
Nesse processo, a assembleia condominial possui papel importante na discussão e aprovação dos investimentos, conforme as regras aplicáveis ao empreendimento.
Gestão condominial precisa acompanhar transformação
A expansão da energia solar e da mobilidade elétrica também cria novas responsabilidades para síndicos e administradoras.
Além da gestão financeira, será necessário acompanhar aspectos técnicos relacionados à geração de energia, manutenção dos equipamentos, segurança elétrica e utilização dos pontos de recarga.
A modernização da infraestrutura exige integração entre gestão condominial, engenharia, empresas especializadas e fornecedores.
Geração distribuída deve continuar crescendo
As perspectivas para os próximos anos indicam continuidade da expansão da geração distribuída.
Segundo projeções da Associação Brasileira de Geração Distribuída (ABGD), o segmento deverá crescer cerca de 15% em 2026, impulsionado principalmente pela expansão de modelos coletivos, como condomínios solares e geração compartilhada.
O cenário pode ampliar ainda mais o número de empreendimentos interessados em produzir parte da própria energia.
Condomínios solares ganham espaço
A expansão dos modelos coletivos também abre novas possibilidades para condomínios que buscam alternativas de geração de energia.
A geração compartilhada permite que diferentes consumidores participem de projetos de geração distribuída dentro das regras estabelecidas para o setor.
Com a evolução da tecnologia e o aumento da busca por economia, esses modelos podem se tornar cada vez mais presentes no planejamento energético dos empreendimentos.
Crédito sustentável se torna ferramenta estratégica
A necessidade de investimentos elevados, aliada à busca por redução de despesas, ajuda a explicar o crescimento do crédito voltado à modernização condominial.
O financiamento permite distribuir o custo do investimento ao longo do tempo, enquanto o condomínio pode começar a usufruir dos benefícios da nova infraestrutura.
A estratégia, porém, exige avaliação financeira para verificar o impacto das parcelas, da economia projetada e dos custos de manutenção.
Tendência deve continuar até o fim da década
Para Sarah Castro, o número de condomínios equipados com sistemas fotovoltaicos tende a continuar crescendo nos próximos anos.
“A expectativa do setor é que realmente o número de condomínios com sistemas fotovoltaicos continue avançando até o fim da década, impulsionado pela busca por redução de custos, valorização imobiliária e adaptação à crescente demanda por infraestrutura para veículos elétricos, entre outras”, detalha a executiva.
A tendência acompanha a transformação do próprio mercado imobiliário, que passa a considerar cada vez mais a eficiência energética como um atributo dos empreendimentos.
Energia solar entra no planejamento dos condomínios
O avanço da geração fotovoltaica e da mobilidade elétrica demonstra que a infraestrutura energética está se tornando um elemento estratégico na gestão dos condomínios.
A combinação entre economia na conta de energia, modernização, sustentabilidade e potencial de valorização imobiliária tem levado mais empreendimentos a considerar investimentos nessa área.
Com a expansão da geração distribuída e dos veículos elétricos prevista para os próximos anos, a tendência é que sistemas solares, pontos de recarga e soluções de eficiência energética deixem de ser diferenciais pontuais e passem a integrar cada vez mais o planejamento dos novos e dos antigos condomínios.
Mais informações:
Clezia Martins Gomes – cleziagomes@gmail.com – Cel: (11) 99112-6942
Ana Rosado - anacristinarosado@gmail.com – Cel.: (21) 98681-6203
Fonte: Cerus