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“Elevador VIP” em condomínios de luxo gera polêmica e pode ser ilegal, alertam especialistas

Proposta de cobrar taxa extra por prioridade ou velocidade de elevadores em edifícios de alto padrão levanta debate jurídico sobre igualdade de uso das áreas comuns.

“Elevador VIP” em condomínios de luxo gera polêmica e pode ser ilegal, alertam especialistas
Foto: Imagem ilustrativa

“Elevador VIP” em condomínios de luxo levanta debate jurídico: cobrar taxa extra por velocidade é ilegal, alertam especialistas

A busca por soluções exclusivas em condomínios de alto padrão tem gerado discussões acaloradas entre síndicos, advogados e moradores. A mais recente polêmica envolve a proposta de criar elevadores “VIP” — com maior velocidade ou prioridade de uso — mediante o pagamento de uma taxa adicional.

O modelo, já discutido em cerca de 12% dos condomínios de luxo, segundo dados do Sindicato Nacional de Síndicos (SINDSÍNDICO), promete personalização e conforto para quem pode pagar mais. No entanto, especialistas alertam que a prática é ilegal e fere princípios básicos de convivência e igualdade condominial.

De acordo com o advogado Felipe Faustino, especialista em direito imobiliário e condominial, “o elevador é uma área comum do condomínio. Criar privilégios mediante pagamento fere o princípio de igualdade previsto no Código Civil e pode ser anulado judicialmente”.

Aspectos legais e princípios de igualdade

O Código Civil, em seus artigos 1.331 e 1.348, é claro ao determinar que todos os condôminos possuem igual direito de uso das áreas comuns e que o síndico deve zelar pela conservação e utilização adequada dos equipamentos coletivos.

A legislação admite regulamentações internas sobre horários e prioridades apenas em situações de necessidade — como para idosos, gestantes ou pessoas com deficiência — mas não com base em pagamento adicional.

A cobrança da chamada “taxa VIP” pode, portanto, ser interpretada como discriminação econômica, passível de contestação judicial e potencial geradora de conflitos internos.

Riscos e impactos na convivência

Além do risco jurídico, a adoção desse tipo de diferenciação pode provocar tensões e insatisfações entre moradores, criar um ambiente de desigualdade e comprometer a harmonia condominial.
Outros desafios incluem o controle administrativo do acesso aos elevadores, o monitoramento da cobrança de taxas e o aumento do risco de litígios, já que decisões recentes da Justiça têm invalidado práticas que violem o uso igualitário de áreas comuns.

Boas práticas para síndicos e administradores

Para evitar problemas legais e desgastes entre vizinhos, especialistas recomendam que os síndicos:

  • Garantam acesso igualitário a todos os moradores;
  • Evitem qualquer cobrança diferenciada que gere privilégios econômicos;
  • Insiram regras claras sobre uso e manutenção dos elevadores no regulamento interno;
  • Promovam diálogo e transparência sobre decisões que afetem áreas comuns;
  • Priorizem investimentos em manutenção, modernização e segurança dos equipamentos para todos.

Felipe Faustino reforça que “o condomínio pode e deve buscar inovações, mas sem criar distinções que afrontem a igualdade entre condôminos. O foco deve ser o bem coletivo, não benefícios individuais”.

Igualdade e harmonia acima do luxo

Embora o conceito de um “elevador VIP” possa parecer atraente para alguns, a proposta confronta diretamente o espírito de convivência e equidade que deve reger os condomínios.
A prioridade, segundo especialistas, deve estar na manutenção eficiente, segurança e conforto de todos os moradores, sem distinção.

“Elevadores não são produtos de luxo individual. Todos os condôminos têm direito igual de uso, e o síndico deve garantir que esse princípio seja respeitado”, conclui Faustino.

Fonte: O Antagonista