Eletricista denuncia agressão em condomínio no Acre
Trabalhador registrou boletim de ocorrência após discussão com Júnior Braña, assessor parlamentar e marido da deputada Michelle Melo; ele reconheceu que errou ao procurar o eletricista e pediu desculpas, mas negou motivação política

Eletricista denuncia agressão em condomínio no Acre; assessor pede desculpas
Trabalhador registrou boletim de ocorrência após discussão em Rio Branco; Júnior Braña reconheceu que errou ao procurar o eletricista, pediu desculpas e negou motivação política
Um eletricista de 46 anos denunciou à Polícia Civil ter sido agredido e ameaçado por um morador do Condomínio Ecoville, em Rio Branco, no Acre, na terça-feira (13). O episódio envolveu Júnior Braña, assessor parlamentar e marido da deputada estadual Michelle Melo.
Segundo o eletricista Francisco Herlineudo Dias Lira, conhecido como Leodinho Lira, o desentendimento teria começado após ele recusar um pedido de ajuda para transferir carga entre as baterias de dois veículos. O trabalhador afirmou que não poderia realizar o procedimento porque seu carro era novo e ainda estava na garantia.
De acordo com o relato apresentado à polícia e divulgado pelo Portal Acre e pelo g1, a discussão teria se intensificado depois que o morador percebeu um adesivo de apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no veículo do eletricista. O trabalhador afirma ter sido alvo de ofensas relacionadas à sua posição política.
Eletricista relata ameaças e agressões
O eletricista contou que, após o primeiro desentendimento, seguiu para o local onde trabalhava, em uma residência em construção dentro do condomínio. Cerca de 40 minutos depois, segundo sua versão, o morador teria retornado ao local e voltado a questioná-lo sobre o adesivo político.
Ainda conforme a denúncia, o homem teria mostrado uma arma que carregava na cintura e feito ameaças. O trabalhador decidiu gravar a abordagem com o celular, mas afirma que o suspeito tentou tomar o aparelho e exigiu que a gravação fosse apagada.
Durante a confusão, o eletricista relata ter sido agarrado e atingido, sofrendo escoriações nos braços. Um pedreiro que trabalhava na obra teria intervindo para separar os envolvidos. O celular caiu em uma mistura de cimento durante o episódio, mas continuou registrando parte da discussão.
Imagens divulgadas nas redes sociais mostram momentos do desentendimento. Segundo a reportagem do Portal Acre, porém, a movimentação da câmera e a perda de enquadramento não permitem confirmar visualmente todas as agressões descritas pelo trabalhador.
Caso foi registrado na Polícia Civil
Após o episódio, Leodinho procurou a 3ª Delegacia de Polícia Civil de Rio Branco e registrou boletim de ocorrência. O caso foi formalizado com as naturezas de lesão corporal dolosa, injúria e ameaça.
A Polícia Civil também expediu uma requisição pericial para que o eletricista fosse encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML), onde passaria por exame de corpo de delito para verificar as lesões relatadas. O trabalhador informou que outras pessoas que estavam na obra presenciaram a ocorrência.
O registro policial e a realização do exame pericial fazem parte da apuração dos fatos. A denúncia, por si só, não representa uma conclusão definitiva sobre a responsabilidade criminal do envolvido.
Assessor reconhece erro e pede desculpas
Após a repercussão do caso, Júnior Braña apresentou sua versão ao Portal Acre. Ele afirmou que tentava ajudar uma mulher com um problema na bateria de um veículo e que ficou frustrado ao não conseguir resolver a situação e ao ter o pedido de ajuda recusado pelo eletricista.
Segundo Braña, depois de solucionar o problema do próprio automóvel, ele retornou ao local para conversar com o trabalhador sobre a disposição em ajudar outras pessoas. O assessor reconheceu, contudo, que errou ao procurar o eletricista e deixar a conversa se transformar em uma discussão.
Em nota, ele lamentou o constrangimento causado e manifestou o desejo de encontrar o trabalhador pessoalmente para pedir desculpas. Braña também negou que o desentendimento tenha sido motivado por divergências partidárias ou ideológicas.
O g1 informou que procurou o assessor, que declarou estar arrependido. A deputada Michelle Melo não quis se manifestar sobre o caso, segundo a reportagem.
Segurança e convivência nos condomínios
O episódio chama a atenção para a importância da segurança e da convivência respeitosa nos espaços condominiais. Desentendimentos entre moradores, trabalhadores e prestadores de serviços podem exigir a atuação da administração do condomínio para preservar a segurança das pessoas e encaminhar eventuais ocorrências às autoridades competentes.
A gestão condominial, entretanto, não substitui a atuação policial nem a apuração judicial quando há relatos de possíveis crimes. Em situações de ameaça ou agressão, o registro formal dos fatos e a preservação de eventuais provas podem contribuir para a investigação.
O caso ocorrido no Condomínio Ecoville segue marcado por versões que devem ser analisadas pelas autoridades. Enquanto o eletricista relata agressões e ameaças com motivação política, Júnior Braña reconheceu que errou ao procurá-lo para discutir, pediu desculpas e negou essa motivação.