Eleição de síndico em condomínio de luxo em Manaus termina em tumulto, ameaças e suspensão da assembleia
Disputa pelo comando do Condomínio Forest Hill, na zona norte da capital amazonense, foi marcada por confusão, presença irregular de casal expulso de outro prédio e denúncias de ameaças durante a votação.

Eleição de síndico em condomínio de luxo em Manaus termina em confusão, denúncias de irregularidades e ameaças
O processo eleitoral para escolha do novo síndico do Condomínio Forest Hill, localizado na Avenida Torquato Tapajós, zona norte de Manaus (AM), terminou em confusão generalizada e foi suspenso após denúncias de irregularidades, ameaças e tumulto entre os presentes. O caso, que ocorreu no dia 30 de outubro, está sendo acompanhado por moradores, advogados e poderá ser investigado pela Polícia Civil e pelo Ministério Público do Amazonas (MP-AM).
De acordo com os relatos colhidos, a confusão começou após a participação irregular de um casal de síndicos profissionais, Joice Motta da Silva Matheus e André Gustavo Chaves Matheus, que compareceram à assembleia representando condôminos por meio de procurações registradas em cartório na véspera do evento. Embora os documentos dessem poderes amplos, como votar, ser votado e assinar atas, o regimento interno do condomínio e o Código Civil determinam que somente moradores ou representantes legais devidamente autorizados podem exercer esse direito.
A presença do casal, que não reside no condomínio, levantou suspeitas sobre a validade do processo eleitoral e gerou forte reação entre os presentes. O ambiente ficou tenso, e a discussão rapidamente evoluiu para bate-boca, gritos e empurrões. Vídeos gravados por moradores mostram Joice tentando sair do salão social com os documentos em mãos, enquanto outros exigiam que as procurações fossem devolvidas.
Segundo testemunhas, o síndico em exercício, tenente do Corpo de Bombeiros Antônio Ferreira de Oliveira Júnior, tentou intervir para restabelecer a ordem, mas o tumulto já havia se instalado. O que agravou a situação foi a denúncia de ameaças supostamente feitas por um homem investigado por tráfico de drogas, que teria tentado intimidar moradores e influenciar votos durante a assembleia. Diante do cenário de descontrole, a votação foi suspensa e deverá ser reavaliada em nova data, ainda não definida.
Histórico de conflitos e expulsões anteriores
A polêmica se intensifica com o histórico do casal envolvido. Joice e André já foram síndicos profissionais do Condomínio Reserva das Praias, também em Manaus, de onde foram expulsos após denúncias de agressões a moradores e comportamento hostil. Conforme registros do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ-AM), ambos respondem a ações judiciais por ameaça e conduta agressiva.
Agora, moradores do Forest Hill temem que o episódio se repita no condomínio.
“O que aconteceu foi uma afronta à legalidade e à tranquilidade dos condôminos. Pessoas de fora, sem vínculo residencial, tentando assumir o comando por meio de procurações duvidosas. Isso é inadmissível”, afirmou um dos moradores, que preferiu não se identificar.
Assembleia sob questionamento jurídico
Especialistas em direito condominial alertam que a participação de pessoas externas em assembleias, ainda que com procurações, viola o princípio da representação legítima e pode tornar nulo todo o processo deliberativo. Segundo o advogado Bruno Vasconcelos, “quando há indícios de que as procurações foram obtidas de forma irregular ou usadas por quem não tem vínculo com o condomínio, a administração deve suspender imediatamente a votação e buscar respaldo jurídico antes de qualquer decisão”.
Além disso, o especialista destaca que a falta de transparência e a ausência de controle rigoroso na checagem de documentos favorecem fraudes e podem resultar em graves conflitos entre condôminos, gerando ações judiciais e prejuízos à imagem da administração.
Possíveis investigações e clima de tensão
Após o tumulto, moradores solicitaram a anulação integral da assembleia e pedem que o caso seja investigado. O Ministério Público e a Polícia Civil devem apurar não apenas a validade das procurações, mas também as ameaças relatadas durante o encontro. A administração do Forest Hill estuda reforçar a segurança e adotar novas medidas de controle para futuras eleições.
Enquanto a nova data para a assembleia não é definida, o condomínio vive um clima de insegurança e divisão interna. Parte dos moradores cobra transparência e rigor jurídico nas próximas etapas do processo, enquanto outros defendem que o episódio sirva como alerta para evitar a interferência de agentes externos nas decisões internas do condomínio.
O caso do Forest Hill evidencia como falhas de gestão, ausência de fiscalização e desrespeito às regras condominiais podem transformar uma simples eleição em uma crise institucional, colocando em risco a harmonia, a governança e a segurança de todos os moradores.
Fonte: CM7