“Ela tem medo que ele apareça para terminar o que começou”, diz advogada de jovem espancada em portaria de condomínio
Mesmo com medida protetiva concedida pela Justiça, vítima vive reclusa, afastada do trabalho e teme novo ataque do ex-namorado

Mesmo após a concessão de uma medida protetiva de urgência pela Justiça, a jovem de 19 anos brutalmente espancada pelo ex-namorado na portaria do condomínio onde mora, em Ribeirão Preto (SP), vive sob medo constante e permanece reclusa dentro de casa. A informação foi confirmada pela advogada da vítima, que acompanha o caso.
Segundo a defensora, a jovem não retomou o trabalho nem as atividades cotidianas por receio de um novo ataque. O temor é agravado pelo fato de o agressor ainda não ter sido localizado, o que levanta dúvidas sobre se ele foi oficialmente notificado da decisão judicial que determina o afastamento e proíbe qualquer aproximação.
“Ela tem medo que ele apareça para terminar o que começou”, afirmou a advogada, ao relatar o estado emocional da vítima.
De acordo com a defesa, a incerteza quanto à efetiva ciência da medida protetiva intensifica a sensação de insegurança e vulnerabilidade.
Embora o crime tenha ocorrido em área comum do condomínio e tenha sido registrado por câmeras de segurança, a vítima segue enfrentando as consequências psicológicas da violência, incluindo medo extremo, isolamento social e instabilidade emocional. A defesa sustenta que a brutalidade das agressões indica uma clara intenção de matar, o que pode levar ao enquadramento do caso como tentativa de feminicídio.
A advogada também destacou que o relacionamento era marcado por abusos e controle psicológico, inclusive com episódios de dominação econômica, situação comum em casos de violência doméstica e que dificulta o rompimento definitivo do vínculo.
O caso segue sob investigação da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM). A situação reacende o debate sobre a efetividade das medidas protetivas, a responsabilidade dos condomínios na prevenção de episódios de violência em áreas comuns e a necessidade de protocolos mais rígidos de segurança e acolhimento às vítimas.
Para especialistas, episódios como esse evidenciam que a violência não termina com a agressão física — ela persiste no medo, no silêncio e na insegurança diária enfrentada por mulheres dentro do próprio lar.
Fonte: G1