Pular para o conteúdo
Noticias

Ela comprou carro elétrico, mas teve problema com condomínio: ‘Sou obrigada a carregar no shopping’

Não há uma lei que padronize os protocolos para a instalação de carregadores de carros elétricos em garagens

Ela comprou carro elétrico, mas teve problema com condomínio: ‘Sou obrigada a carregar no shopping’
Foto: Imagem feita com IA

O crescimento da frota de veículos elétricos no Brasil, que já ultrapassa 500 mil unidades, segundo a ABVE, tem provocado desafios em condomínios residenciais, principalmente relacionados à instalação de carregadores. Divergências sobre infraestrutura elétrica e segurança têm gerado conflitos entre síndicos e moradores, com casos chegando à Justiça.

Um exemplo ocorreu em São Paulo, onde a jornalista Bruna Machado, de 38 anos, não pôde instalar um carregador em seu prédio e precisou recorrer a um shopping para abastecer seu veículo. Bruna destacou que, em outros edifícios, como em Belém e Florianópolis, a instalação foi tranquila, o que evidencia a disparidade de condutas e a falta de padronização legal.

Em Cuiabá, a autônoma Michelle de Sá Bozetti e sua família obtiveram na Justiça o direito de manter seu carregador, mas a nova síndica tenta reverter a decisão. Seis condôminos tiveram que remover equipamentos por problemas no sistema elétrico, enquanto a família de Michelle permaneceu autorizada pelo síndico anterior.

Especialistas ressaltam que a instalação de carregadores em áreas comuns exige aprovação em assembleia, laudo de engenheiro eletricista e atenção à capacidade elétrica do prédio. Rodrigo Karpat, presidente da Comissão de Advocacia Condominial da OAB-SP, observa que o Brasil ainda carece de legislação consolidada, gerando insegurança jurídica e decisões judiciais embrionárias sobre o tema.

O Conselho Nacional de Comandantes-Gerais dos Corpos de Bombeiros Militares (LigaBom) publicou recentemente diretrizes de segurança, incluindo detector de incêndio, chuveiros automáticos e botão de desligamento de emergência sinalizado, reforçando a necessidade de atenção técnica para evitar sinistros de grande magnitude.

O caso evidencia a urgência de atualização de normas e a importância da transparência e planejamento por síndicos e administradores de condomínios. A adoção de veículos elétricos, embora sustentável, requer infraestrutura segura, regulamentação clara e diálogo com moradores para prevenir conflitos e garantir a segurança coletiva.

Fonte: Estadão