Pular para o conteúdo
Noticias

Edifício-caixão é interditado em Paulista (PE) por risco crítico de desabamento

Construção do tipo caixão, o Edifício Primavera apresentou histórico de comprometimento estrutural e foi classificado com risco 3 pela Defesa Civil; moradores estão deixando o prédio às pressas

Edifício-caixão é interditado em Paulista (PE) por risco crítico de desabamento
Foto: Foto: Reprodução

A Defesa Civil de Paulista, na Região Metropolitana do Recife (PE), interditou nesta segunda-feira (12) o Edifício Primavera, localizado na Rua Catende, bairro do Janga, após constatar risco crítico de desabamento. O prédio, construído no modelo "caixão", apresenta sinais de comprometimento estrutural severo, incluindo afundamento de piso, infiltrações, cerâmicas soltas e danos na caixa d’água.

A vistoria foi motivada pela interdição recente do Edifício Carajás, imóvel vizinho e com características construtivas similares, interditado poucos dias antes, na sexta-feira (9). Ambos foram erguidos há mais de 40 anos no modelo caixão – sistema construtivo sem colunas e vigas, no qual as paredes suportam a estrutura, tornando-a extremamente frágil ao longo do tempo e em caso de falta de manutenção.

Durante a inspeção, os engenheiros da Defesa Civil constataram patologias severas, reclassificando o risco estrutural do Primavera de nível 2 para nível 3 (crítico), o que justifica a imediata evacuação do edifício. O imóvel possui três pavimentos, totalizando seis apartamentos.

📉 Histórico de negligência estrutural
O Edifício Primavera já havia sido citado em um laudo técnico do Instituto Técnico-Científico de Perícia (Itep) em 2008, que apontava alto risco de colapso. Em 2021, o morador Marcos Oliveira, de 59 anos, acionou a Defesa Civil após notar graves rachaduras e soltura de piso em sua unidade. “A gente faz algum conserto e o prédio já começa a rachar”, relatou. Com a nova interdição, ele precisou buscar abrigo temporário na casa de um familiar na Zona Oeste do Recife.

Outros moradores vivem o mesmo drama. Rosângela Avelar, de 61 anos, que mora no local há seis anos, descobriu a interdição pela televisão. “Minha casa está toda deteriorada, com rachaduras nos quartos e no banheiro. É uma situação terrível”, disse.

Já Eunice Deise, de 44 anos, enfrenta o trauma pela segunda vez: há cerca de um ano e meio, ela teve que deixar outro prédio-caixão interditado. “Ontem classificaram o risco como nível 3, dizendo que poderia desabar a qualquer momento. Não era nem para ter dormido no apartamento”, desabafou.

🏚️ A realidade dos prédios-caixão em Pernambuco
O caso do Edifício Primavera é apenas mais um episódio de um problema estrutural crônico em Pernambuco. Entre 1977 e 2023, 18 desabamentos de prédios-caixão foram registrados no estado, resultando em 54 mortes. O modelo, construído em massa durante décadas passadas sem a devida sustentação estrutural (colunas e vigas), mostra agora sua vulnerabilidade extrema diante do desgaste natural e da ausência de manutenção adequada.

O episódio mais recente e trágico foi o desabamento do Edifício Kátia Melo, em Piedade, que acendeu um novo alerta sobre a urgência de políticas públicas eficazes, vistorias periódicas e intervenções preventivas em imóveis antigos, especialmente na Região Metropolitana do Recife, onde esse tipo de edificação é mais comum.

📣 Alerta para síndicos e gestores prediais
Especialistas alertam para a importância da manutenção preventiva, com vistorias periódicas feitas por engenheiros habilitados e atenção aos sinais visíveis de comprometimento estrutural. Rachaduras, infiltrações, pisos afundando e portas desalinhadas são indícios que não podem ser ignorados.

Além disso, a legislação estadual prevê a responsabilidade dos proprietários e gestores em manter os imóveis em condições seguras de uso. A interdição do Edifício Primavera reforça a necessidade urgente de fiscalização técnica e responsabilidade compartilhada entre Estado, síndicos e moradores.

Fonte: FOLHA PE