Dois seguem foragidos após desabamento em SP
Engenheiro e proprietária da construtora são procurados pela polícia após colapso de edifício na Penha

Duas pessoas investigadas no caso do desabamento de um prédio na Penha, zona leste de São Paulo, continuam foragidas. O engenheiro Cristiano Vivacqua, apontado como responsável legal pela New Home Construtora, e Isis Brandão, esposa dele e também proprietária da empresa, são procurados pela Polícia Civil.
O edifício de 12 andares desabou no sábado (12) e deixou seis pessoas mortas. O colapso ocorreu na Rua Tequici, na zona leste da capital paulista, e passou a ser alvo de uma investigação para esclarecer as circunstâncias que levaram à queda da estrutura.
Outro investigado, Ronaldo Vivacqua, apontado pela polícia como sócio oculto da construtora e pai de Cristiano, foi preso no domingo (13). A Justiça havia determinado a prisão temporária dos três envolvidos apontados como responsáveis pela empresa.
A investigação passou a analisar o histórico da construção e documentos relacionados à obra. Segundo a Polícia Civil, havia indícios de que os responsáveis poderiam ter conhecimento sobre a fragilidade da estrutura antes do desabamento.
Entre os pontos investigados está o cumprimento das exigências estabelecidas pela Prefeitura de São Paulo para a realização da obra. De acordo com as informações divulgadas, a construção havia começado em 2019 e chegou a ser interditada após a identificação de problemas estruturais.
Mesmo diante da interdição, a construtora não teria interrompido os trabalhos, segundo a apuração. A situação levou a Prefeitura a aplicar multas e, posteriormente, a Procuradoria-Geral do Município entrou com uma ação judicial, em 2021, para pedir a suspensão imediata das atividades no local.
Em 2022, a construtora apresentou um novo projeto para o terreno. Um alvará foi emitido em 2023, mas havia uma condição para a execução da nova edificação: a estrutura existente deveria ser demolida antes da construção do novo prédio.
A Polícia Civil investiga justamente se essa exigência foi cumprida. Segundo as autoridades, quando o novo alvará foi emitido, o edifício existente tinha cinco andares. A construção que posteriormente desabou chegou a nove andares, conforme informações apresentadas pela investigação.
Outro ponto que passou a ser analisado envolve uma vistoria realizada pela Prefeitura em 2024. Na ocasião, uma servidora teria atestado que a demolição da estrutura anterior havia sido realizada.
Após o desabamento, porém, a administração municipal passou a verificar se a demolição realmente havia ocorrido. Segundo informações da Prefeitura, técnicos analisaram relatos de vizinhos e imagens de satélite e concluíram preliminarmente que a estrutura anterior não teria sido demolida. A servidora responsável pela vistoria foi afastada por 30 dias para que os fatos fossem apurados.
A investigação também recebeu relatos de moradores da região. Segundo a Polícia Civil, vizinhos afirmaram que casas próximas à obra passaram a apresentar rachaduras nos últimos meses.
A polícia informou ainda ter identificado indícios de tentativa de ocultação de documentos relacionados à obra. Esse conjunto de informações foi considerado para fundamentar o pedido de prisão temporária dos responsáveis pela construtora.
Apesar das suspeitas levantadas, as causas técnicas do desabamento ainda dependem de perícia. A Polícia Civil afirmou que será necessário analisar a estrutura para determinar o que provocou o colapso do edifício.
A defesa da construtora apresenta uma versão diferente sobre a situação. O advogado dos investigados afirma que uma decisão judicial de março de 2025 teria autorizado a continuidade das obras após uma vistoria realizada pela Prefeitura. Segundo ele, a documentação correspondente será apresentada às autoridades.
A defesa também sustenta que a obra estaria paralisada por falta de recursos financeiros e levantou a possibilidade de o desabamento ter relação com outra construção localizada nos fundos do prédio. A hipótese deverá ser analisada pelas investigações e pelas perícias.
Enquanto isso, a apuração busca esclarecer não apenas as condições estruturais do edifício, mas também a sequência de autorizações, interdições, fiscalizações e intervenções realizadas no terreno ao longo dos últimos anos.
O caso coloca em evidência a importância do acompanhamento técnico de obras, do cumprimento das exigências estabelecidas nos alvarás e da fiscalização das condições de segurança de edificações. No episódio da Penha, a existência de registros anteriores de problemas e de determinações relacionadas à demolição da estrutura anterior passou a integrar a investigação.
Com seis mortes confirmadas, o desabamento também deverá resultar em novas análises sobre a responsabilidade dos envolvidos na construção. Enquanto Cristiano Vivacqua e Isis Brandão permanecem foragidos, Ronaldo Vivacqua segue preso, e a Polícia Civil continua reunindo elementos para esclarecer as circunstâncias que antecederam a queda do prédio.
Fonte: CBN São Paulo