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Dois seguem foragidos após desabamento em SP

Engenheiro e proprietária da construtora são procurados pela polícia após colapso de edifício na Penha

Duas pessoas seguem foragidas após desabamento de prédio que matou seis em SP
Foto: Trabalhos de busca nos escombros do prédio em construção que desabou na Penha (SP) — Foto: Matheus Leite/CBN

Duas pessoas investigadas no caso do desabamento de um prédio na Penha, zona leste de São Paulo, continuam foragidas. O engenheiro Cristiano Vivacqua, apontado como responsável legal pela New Home Construtora, e Isis Brandão, esposa dele e também proprietária da empresa, são procurados pela Polícia Civil.

O edifício de 12 andares desabou no sábado (12) e deixou seis pessoas mortas. O colapso ocorreu na Rua Tequici, na zona leste da capital paulista, e passou a ser alvo de uma investigação para esclarecer as circunstâncias que levaram à queda da estrutura.

Outro investigado, Ronaldo Vivacqua, apontado pela polícia como sócio oculto da construtora e pai de Cristiano, foi preso no domingo (13). A Justiça havia determinado a prisão temporária dos três envolvidos apontados como responsáveis pela empresa.

A investigação passou a analisar o histórico da construção e documentos relacionados à obra. Segundo a Polícia Civil, havia indícios de que os responsáveis poderiam ter conhecimento sobre a fragilidade da estrutura antes do desabamento.

Entre os pontos investigados está o cumprimento das exigências estabelecidas pela Prefeitura de São Paulo para a realização da obra. De acordo com as informações divulgadas, a construção havia começado em 2019 e chegou a ser interditada após a identificação de problemas estruturais.

Mesmo diante da interdição, a construtora não teria interrompido os trabalhos, segundo a apuração. A situação levou a Prefeitura a aplicar multas e, posteriormente, a Procuradoria-Geral do Município entrou com uma ação judicial, em 2021, para pedir a suspensão imediata das atividades no local.

Em 2022, a construtora apresentou um novo projeto para o terreno. Um alvará foi emitido em 2023, mas havia uma condição para a execução da nova edificação: a estrutura existente deveria ser demolida antes da construção do novo prédio.

A Polícia Civil investiga justamente se essa exigência foi cumprida. Segundo as autoridades, quando o novo alvará foi emitido, o edifício existente tinha cinco andares. A construção que posteriormente desabou chegou a nove andares, conforme informações apresentadas pela investigação.

Outro ponto que passou a ser analisado envolve uma vistoria realizada pela Prefeitura em 2024. Na ocasião, uma servidora teria atestado que a demolição da estrutura anterior havia sido realizada.

Após o desabamento, porém, a administração municipal passou a verificar se a demolição realmente havia ocorrido. Segundo informações da Prefeitura, técnicos analisaram relatos de vizinhos e imagens de satélite e concluíram preliminarmente que a estrutura anterior não teria sido demolida. A servidora responsável pela vistoria foi afastada por 30 dias para que os fatos fossem apurados.

A investigação também recebeu relatos de moradores da região. Segundo a Polícia Civil, vizinhos afirmaram que casas próximas à obra passaram a apresentar rachaduras nos últimos meses.

A polícia informou ainda ter identificado indícios de tentativa de ocultação de documentos relacionados à obra. Esse conjunto de informações foi considerado para fundamentar o pedido de prisão temporária dos responsáveis pela construtora.

Apesar das suspeitas levantadas, as causas técnicas do desabamento ainda dependem de perícia. A Polícia Civil afirmou que será necessário analisar a estrutura para determinar o que provocou o colapso do edifício.

A defesa da construtora apresenta uma versão diferente sobre a situação. O advogado dos investigados afirma que uma decisão judicial de março de 2025 teria autorizado a continuidade das obras após uma vistoria realizada pela Prefeitura. Segundo ele, a documentação correspondente será apresentada às autoridades.

A defesa também sustenta que a obra estaria paralisada por falta de recursos financeiros e levantou a possibilidade de o desabamento ter relação com outra construção localizada nos fundos do prédio. A hipótese deverá ser analisada pelas investigações e pelas perícias.

Enquanto isso, a apuração busca esclarecer não apenas as condições estruturais do edifício, mas também a sequência de autorizações, interdições, fiscalizações e intervenções realizadas no terreno ao longo dos últimos anos.

O caso coloca em evidência a importância do acompanhamento técnico de obras, do cumprimento das exigências estabelecidas nos alvarás e da fiscalização das condições de segurança de edificações. No episódio da Penha, a existência de registros anteriores de problemas e de determinações relacionadas à demolição da estrutura anterior passou a integrar a investigação.

Com seis mortes confirmadas, o desabamento também deverá resultar em novas análises sobre a responsabilidade dos envolvidos na construção. Enquanto Cristiano Vivacqua e Isis Brandão permanecem foragidos, Ronaldo Vivacqua segue preso, e a Polícia Civil continua reunindo elementos para esclarecer as circunstâncias que antecederam a queda do prédio.

Fonte: CBN São Paulo