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Disputa por imóvel afasta Stênio Garcia das filhas

Ator de 94 anos move ação judicial envolvendo imóvel em Ipanema e acusa as filhas de uso indevido do apartamento

Disputa por apartamento afasta Stênio Garcia das filhas há três anos
Foto: Reprodução

Uma disputa judicial envolvendo um apartamento em Ipanema, na Zona Sul do Rio de Janeiro, provocou um afastamento familiar que já dura cerca de três anos entre o ator Stênio Garcia, de 94 anos, e suas filhas, Cássia e Gaya Piovesan. O conflito envolve a posse, o uso e os rendimentos de um imóvel que teria sido doado pelo artista às filhas, mas sobre o qual ele afirma manter direito de usufruto vitalício.

O caso ganhou novos capítulos nesta semana, após Gaya Piovesan falar publicamente sobre o processo e lamentar a distância em relação ao pai. Em entrevista ao Extra, ela afirmou que ainda deseja reencontrá-lo, apesar da disputa judicial e das acusações apresentadas no processo.

Imóvel em Ipanema está no centro da disputa

Segundo informações divulgadas sobre o processo, Stênio Garcia afirma que doou o apartamento às filhas, mas manteve para si o usufruto vitalício do imóvel. Na ação judicial, o ator sustenta que o apartamento foi alugado sem sua autorização e que os valores obtidos com a locação não foram repassados a ele.

O imóvel fica na Rua Barão da Torre, em Ipanema, e tornou-se o principal ponto de divergência entre o ator e as filhas.

Stênio também ingressou com uma notícia-crime contra a ex-esposa, Clarice Piovesan, e as filhas, além de formular pedidos relacionados à posse do imóvel e a questões financeiras e familiares.

A Justiça, até o momento, não autorizou a entrada imediata do ator no apartamento com uso de força policial. Em decisão relacionada à questão financeira do imóvel, foi determinado que Clarice Piovesan pague R$ 5 mil mensais a título de aluguel ao ator.

Filha apresenta versão diferente

Gaya Piovesan contesta a versão apresentada pelo pai sobre a locação.

Segundo ela, a mãe, Clarice Piovesan, de 80 anos, morava no apartamento, mas passou a enfrentar dificuldades de mobilidade provocadas por um problema no joelho. O imóvel não teria elevador e possuiria uma escada em formato de caracol, o que dificultaria a circulação de uma pessoa idosa.

Diante da necessidade de mudança, as filhas teriam decidido alugar o apartamento para utilizar os recursos no pagamento de outro imóvel, mais adequado às necessidades da mãe. Gaya afirma que Stênio tinha conhecimento da locação e que a pessoa que alugou o imóvel era conhecida do ator.

A filha também nega que a intenção tenha sido obter lucro ou agir de má-fé contra o pai.

Conflito provocou afastamento familiar

Além da questão patrimonial, o processo acabou expondo uma relação familiar deteriorada.

Gaya afirmou que ela e a irmã não conversam pessoalmente com Stênio Garcia há aproximadamente três anos. Segundo o relato, as filhas acompanham informações sobre o pai principalmente por meio das redes sociais.

Apesar do afastamento, Gaya declarou que gostaria de voltar a encontrar o pai.

A situação também envolve acusações de abandono afetivo e material feitas pelo ator, que afirma enfrentar dificuldades financeiras desde o encerramento de seu contrato com a TV Globo. As filhas, por outro lado, contestam essa narrativa.

Usufruto é ponto central da discussão

Do ponto de vista imobiliário, o caso chama atenção para a importância do usufruto em operações de transferência de patrimônio.

Quando um imóvel é transferido em propriedade, mas o antigo proprietário mantém o usufruto, ele conserva determinados direitos relacionados ao uso e à fruição do bem, conforme as condições estabelecidas no ato de constituição do usufruto.

É justamente esse direito que Stênio Garcia afirma possuir em relação ao apartamento de Ipanema.

A discussão judicial, portanto, não se limita à propriedade formal do imóvel. É necessário analisar também os direitos decorrentes do usufruto, as condições estabelecidas na transferência patrimonial e os atos praticados posteriormente em relação ao bem.

Locação do imóvel virou outro ponto de controvérsia

A possibilidade de locação também está diretamente relacionada aos direitos atribuídos ao usufrutuário e ao proprietário.

No caso, as versões apresentadas pelas partes são divergentes. Stênio afirma que o imóvel foi alugado sem seu conhecimento e que não recebeu os valores correspondentes. Gaya sustenta que o pai sabia da locação e que os recursos foram destinados à mudança da mãe para uma residência mais adequada.

A definição das responsabilidades e dos direitos de cada envolvido dependerá da análise dos documentos, do título que constituiu o usufruto, dos contratos relacionados ao imóvel e das demais provas apresentadas no processo.

Disputa também envolve questões financeiras

Na ação, Stênio Garcia afirma enfrentar dificuldades financeiras e sustenta que não recebe apoio das filhas para determinadas despesas.

O ator chegou a pedir indenização, pensão alimentícia e medidas relacionadas ao apartamento. A Justiça concedeu gratuidade processual, mas não autorizou, até o momento, o acesso imediato ao imóvel.

A disputa, portanto, passou a reunir questões patrimoniais, familiares e financeiras.

Caso reforça importância do planejamento patrimonial

Embora envolva uma personalidade conhecida, o episódio também apresenta uma discussão relevante para famílias que realizam doações de imóveis com reserva de usufruto.

A transferência de patrimônio em vida pode ser utilizada como instrumento de planejamento sucessório, mas exige atenção à forma como os direitos de propriedade e usufruto serão exercidos posteriormente.

A definição clara das condições da doação, dos direitos do usufrutuário e das responsabilidades relacionadas ao imóvel pode reduzir o risco de conflitos futuros.

Também é importante que contratos de locação e demais atos envolvendo o patrimônio respeitem os direitos atribuídos a cada titular.

Processo continua na Justiça

A disputa entre Stênio Garcia e as filhas permanece em andamento. Até o momento, não há decisão definitiva encerrando todas as questões relacionadas ao apartamento e às demais acusações apresentadas no processo.

Enquanto a discussão judicial prossegue, o conflito patrimonial continua produzindo consequências na relação familiar.

Para o mercado imobiliário e para famílias que possuem patrimônio em imóveis, o caso serve de alerta sobre a necessidade de planejamento patrimonial, documentação adequada e definição precisa dos direitos sobre os bens.

No centro da disputa está um apartamento em Ipanema. Mas, além do imóvel, o processo envolve uma questão que costuma acompanhar conflitos patrimoniais familiares: como preservar direitos sobre o patrimônio sem transformar a transferência de bens em fonte de novos conflitos.

Fonte: BAND.COM