Falha estrutural pode explicar desabamento na Penha
Governador afirmou que chuva intensa não deve ser apontada, neste momento, como causa direta do colapso e defendeu investigação técnica sobre a estrutura

O desabamento de um prédio em construção na Penha, na zona leste de São Paulo, pode estar relacionado a problemas estruturais ou a uma deficiência na fundação da edificação, segundo avaliação preliminar apresentada pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. A declaração foi feita durante o acompanhamento das ocorrências provocadas pelas fortes chuvas que atingiram o estado.
Embora o colapso tenha ocorrido em meio a um período de chuva intensa, o governador afirmou que, neste momento, não há elementos para atribuir diretamente o acidente às condições climáticas. A identificação das causas deverá depender de análises técnicas, perícias e da investigação conduzida pelas autoridades.
“Se tivesse sido feito da forma correta, não colapsaria em função da chuva”, afirmou Tarcísio, ao comentar a situação. A declaração reforça a necessidade de diferenciar os efeitos provocados pelo excesso de água de eventuais problemas relacionados à concepção, execução ou estabilidade da construção.
Em situações desse tipo, a avaliação das condições da fundação ganha importância porque essa estrutura é responsável por transmitir ao solo os esforços provenientes da edificação. Falhas nessa etapa, quando existentes, podem comprometer a estabilidade do conjunto e precisam ser verificadas por profissionais habilitados durante a investigação.
O governador também afirmou que informações preliminares indicavam que a obra apresentava irregularidades e que teria sido embargada. Segundo ele, também havia suspeita de execução de pavimentos além do que estava previsto no projeto autorizado. Essas informações, entretanto, ainda deverão ser confrontadas com documentos, projetos aprovados e perícias.
A ocorrência aconteceu durante a madrugada de sábado (12), quando o prédio em construção desabou sobre uma residência na Rua Tequici, na Penha. O acidente atingiu moradores do imóvel vizinho e mobilizou equipes do Corpo de Bombeiros, da Defesa Civil e da Prefeitura de São Paulo.
O cenário de emergência foi agravado pelas condições meteorológicas registradas no estado. Tarcísio afirmou que o sistema de bombeamento dos rios operava em capacidade máxima diante do volume de chuva e que diferentes regiões paulistas enfrentavam ocorrências relacionadas ao mau tempo.
Na avaliação do governador, entretanto, a chuva deve ser analisada como parte do contexto do acidente, e não automaticamente como sua causa. O solo encharcado pode aumentar determinados riscos em áreas vulneráveis, mas somente uma investigação técnica poderá determinar se houve alguma relação entre as condições ambientais e o colapso da estrutura.
A situação também chama atenção para a importância do controle técnico durante a execução de edificações. Projetos estruturais, fundações, materiais empregados, etapas construtivas, alterações realizadas durante a obra e condições do terreno estão entre os elementos que podem ser analisados em uma perícia para identificar o que levou uma construção a perder sua estabilidade.
O caso ainda envolve investigações sobre a situação da própria obra e sobre eventuais responsabilidades. As autoridades deverão reunir documentos, registros de fiscalização, projetos, licenças e demais informações relacionadas à construção para reconstruir as condições existentes antes do desabamento.
Enquanto as buscas avançavam, o governador destacou que a prioridade era localizar e atender as vítimas. O acidente deixou mortos e feridos, além de atingir uma residência vizinha, mobilizando equipes de emergência durante horas.
A ocorrência reforça, no setor da construção civil, que a segurança estrutural não depende apenas da etapa final de uma edificação. A análise do terreno, o dimensionamento das fundações, o cumprimento do projeto, a qualidade da execução e o acompanhamento técnico precisam ocorrer de forma integrada ao longo de toda a obra.
A causa definitiva do desabamento, porém, ainda não está estabelecida. A conclusão dependerá dos laudos periciais e das investigações realizadas pelos órgãos competentes. Até que esses procedimentos sejam concluídos, hipóteses relacionadas à chuva, à fundação ou a outros fatores estruturais devem ser tratadas como possibilidades, e não como causas confirmadas.
Para o setor condominial e de engenharia, o episódio reforça a relevância da prevenção e do acompanhamento profissional de obras, especialmente em empreendimentos que envolvem alterações estruturais, movimentação de solo e construção de múltiplos pavimentos.
Fonte: Folha Uol