Moradores protestam contra retirada de amendoeiras na Barra da Tijuca
Remoção de mais de dez amendoeiras na Ponte Lúcio Costa gera indignação, denúncias de moradores e debate sobre impacto ambiental, replantio e avanço imobiliário na região.

A derrubada de mais de dez amendoeiras para a construção de um novo condomínio na Barra da Tijuca, na altura da Ponte Lúcio Costa, gerou forte indignação entre moradores e perfis locais nas redes sociais. A região — situada entre a praia e a Avenida das Américas — teve parte de sua vegetação removida por equipes que, segundo denúncias, continuam atuando diariamente com serras elétricas.
O episódio ganhou repercussão após a página oficialbarradatijuca divulgar imagens da remoção, que, rapidamente, acumularam centenas de comentários revoltados. Nas gravações, as árvores — que estavam no local há décadas e costumavam abrigar diversas espécies de aves — são cortadas sem interrupção, levantando preocupações sobre o impacto ambiental imediato e futuro.
“Árvores que estavam lá há décadas, abrigavam espécies de aves, não teremos mais sombra”, destacou a publicação.
A falta de sombreamento preocupa especialmente os moradores que circulam diariamente pela região, onde o calor costuma ser intenso, principalmente no verão.
A discussão, porém, dividiu opiniões. De um lado, moradores e ambientalistas que defendem a preservação das amendoeiras, ressaltando seu papel na proteção da fauna e no conforto térmico. De outro, quem apoia a remoção sob o argumento de que as raízes vinham causando danos constantes às calçadas e criando riscos a pedestres. A Prefeitura afirma que a intervenção faz parte de um plano que prevê compensação ambiental, com o replantio de 347 mudas distribuídas pela cidade.
Nos comentários publicados na internet, o sentimento predominante é o de descaso e indignação.
“Eu denunciei no 1746 no primeiro dia e fui prontamente ignorada! Estamos à mercê da especulação imobiliária e dos criminosos que lucram com isso”, relatou uma moradora.
Outra seguidora lamentou a perda:
“Chorei quando vi o que fizeram.”
Apesar de alguns reconhecerem que as calçadas estavam danificadas, muitos discordam da solução adotada.
“A calçada estava horrível de fato, mas agora estamos sem sombra”, escreveu um usuário.
Outros moradores também questionam a efetividade da compensação ambiental anunciada:
“Onde vão plantar essas mudas?”
O caso reacende um debate constante na Barra da Tijuca: o avanço de novos empreendimentos imobiliários e seus impactos diretos no ambiente urbano, no microclima e na qualidade de vida dos moradores. A retirada das amendoeiras, além de alterar a paisagem local, marca mais um capítulo da disputa entre preservação ambiental e expansão urbana na região.
Fonte: O Globo