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Criminosos usam patinetes elétricos como armadilha para assaltar moradores na entrada de condomínios em BH

Casos recentes foram relatados no bairro Serra, em Belo Horizonte; administradora emitiu alerta e orienta moradores a não sair do veículo diante de obstáculos suspeitos

Criminosos usam patinetes elétricos como armadilha para assaltar moradores na entrada de condomínios em BH

Criminosos usam patinetes elétricos como armadilha para assaltar moradores na entrada de condomínios em BH

Uma nova estratégia de abordagem de moradores passou a preocupar condomínios de Belo Horizonte. Criminosos estariam utilizando patinetes elétricos para criar obstáculos na entrada de garagens e provocar uma situação em que o morador precisa sair do próprio veículo para liberar o acesso. Nesse momento, segundo relatos recebidos por uma administradora de condomínios, os suspeitos aproveitariam para abordar a vítima e entrar no empreendimento.

Casos recentes foram registrados no bairro Serra, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte. A situação levou uma administradora a emitir um alerta preventivo aos moradores dos condomínios atendidos pela empresa.

Segundo Thiago Salles, diretor de operações da Comsind, a empresa recebeu informações relacionadas à prática depois que um de seus clientes foi notificado sobre ocorrências desse tipo. A partir dos relatos, a administradora decidiu comunicar os demais condomínios para orientar moradores e reforçar os cuidados na entrada e saída das garagens.

A dinâmica relatada é relativamente simples. O patinete é deixado propositalmente diante do acesso de veículos do condomínio, criando uma obstrução. Ao chegar ao local, o morador pode acreditar que precisa retirar o equipamento para conseguir entrar ou sair da garagem.

A orientação de segurança, porém, é não desembarcar imediatamente para remover o objeto. De acordo com o alerta divulgado pela administradora, o morador deve permanecer dentro do veículo e acionar a portaria para que a situação seja verificada antes de qualquer tentativa de retirada do obstáculo.

A recomendação ganha importância porque a entrada e a saída das garagens são momentos de vulnerabilidade para os condomínios. O motorista normalmente precisa reduzir a velocidade, abrir ou aguardar a abertura do portão e, em algumas situações, interromper o deslocamento para verificar obstáculos. Uma distração ou a necessidade de sair do automóvel pode criar uma oportunidade para uma abordagem criminosa.

No caso relatado em Belo Horizonte, a suspeita é de que os criminosos utilizem justamente esse comportamento previsível. Depois que o morador deixa o carro para retirar o patinete, os suspeitos fariam a abordagem e poderiam aproveitar a situação para acessar as dependências do condomínio. Os relatos mencionados pela reportagem também apontam para furtos após o acesso ao empreendimento.

Para os condomínios, o episódio reforça a importância de procedimentos de segurança nas áreas de acesso de veículos. A portaria deve ser acionada sempre que houver uma situação fora da rotina, principalmente quando um objeto aparentemente abandonado bloqueia a passagem ou permanece em uma área de entrada e saída.

A administração também pode utilizar ocorrências desse tipo para reforçar orientações aos moradores e funcionários, evitando que uma situação aparentemente banal seja tratada individualmente por quem está chegando ou saindo do condomínio.

A Prefeitura de Belo Horizonte informa que os patinetes elétricos compartilhados fazem parte do sistema de micromobilidade da cidade e contam com rastreamento por GPS, além de estações virtuais para retirada e devolução. As regras municipais também determinam que os equipamentos sejam estacionados de forma a não obstruir a circulação ou o acesso de pedestres e veículos.

A existência de regras para o uso regular dos equipamentos, entretanto, não impede que patinetes sejam utilizados de maneira irregular ou abandonados em locais inadequados. No caso dos episódios relatados pela Itatiaia, a utilização dos equipamentos como parte de uma estratégia criminosa é uma situação distinta do uso regular do serviço de micromobilidade.

O alerta aos moradores também evidencia a importância de integrar tecnologia, procedimentos e comportamento preventivo na segurança condominial. Sistemas de câmeras, comunicação entre portaria e moradores e protocolos para situações suspeitas podem contribuir para que obstáculos ou movimentações incomuns sejam identificados antes que o morador precise deixar o veículo.

Segundo dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais (Sejusp-MG) citados pela reportagem, Belo Horizonte registrou quase 3 mil ocorrências de furtos e roubos a residências em 2026. O dado foi apresentado no contexto do alerta sobre a nova modalidade de abordagem relatada na capital mineira.

A principal recomendação aos moradores diante de um patinete ou outro objeto bloqueando a entrada da garagem é evitar uma ação individual e inesperada. Em vez de descer do carro para remover o obstáculo, a orientação é permanecer no veículo, comunicar a portaria e aguardar que a situação seja verificada com segurança.

Para síndicos e administradoras, situações como essa também reforçam a necessidade de manter os moradores informados sobre ocorrências e novas estratégias utilizadas em crimes contra condomínios. A comunicação preventiva pode ajudar a evitar que uma rotina comum, como chegar em casa de carro, seja transformada em uma oportunidade para abordagem.