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Crédito imobiliário cresce 12% no primeiro semestre

Financiamento para aquisição de imóveis alcança R$ 67,2 bilhões, enquanto crédito para construção mais que dobra no período

Crédito imobiliário cresce 12% no primeiro semestre de 2026
Foto: Divulgação

O financiamento imobiliário apresentou crescimento no primeiro semestre de 2026, com avanço nas operações destinadas tanto à aquisição quanto à construção de imóveis. Os dados mostram uma recuperação do crédito habitacional e indicam maior disponibilidade de recursos para o mercado imobiliário brasileiro.

Entre janeiro e junho, o financiamento destinado à aquisição de imóveis com recursos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) alcançou R$ 67,2 bilhões. O resultado representa crescimento de 12% em relação aos R$ 60,1 bilhões registrados no mesmo período de 2025.

O desempenho ganha relevância porque o SBPE é uma das principais fontes de recursos utilizadas para o financiamento habitacional no país. O avanço das concessões significa maior volume de crédito disponível para consumidores interessados na compra de imóveis.

Considerando conjuntamente os recursos destinados à aquisição e à construção, os financiamentos realizados pelo SBPE chegaram a R$ 93,7 bilhões no primeiro semestre. O montante representa crescimento de 29% na comparação com os R$ 72,9 bilhões registrados nos seis primeiros meses de 2025.

Crédito para construção mais que dobra

O crescimento foi ainda mais expressivo nas operações destinadas à construção de imóveis. O volume de crédito passou de R$ 12,8 bilhões no primeiro semestre de 2025 para R$ 26,5 bilhões entre janeiro e junho de 2026.

A alta de 107% mostra uma recuperação significativa dos recursos destinados à produção imobiliária. Para o setor, a ampliação desse tipo de financiamento contribui para criar condições para novos empreendimentos e ampliar a oferta de unidades no mercado.

O avanço do crédito para construção também possui impacto sobre toda a cadeia imobiliária. Incorporadoras, construtoras, fornecedores de materiais, prestadores de serviços e trabalhadores do setor são beneficiados pela movimentação gerada por novos projetos.

De acordo com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), o resultado ocorre após mudanças no modelo de financiamento do SBPE e reforça a recuperação da oferta de crédito para o mercado imobiliário.

Mais crédito pode estimular a compra de imóveis

O crescimento dos financiamentos destinados à aquisição é considerado um sinal positivo para o mercado porque amplia a capacidade de compra das famílias.

Para quem depende de financiamento para adquirir uma casa ou apartamento, a disponibilidade de crédito é um dos fatores que podem determinar a concretização do negócio. Mesmo quando existe intenção de compra, a operação depende da possibilidade de obter recursos em condições compatíveis com a renda e o orçamento familiar.

Os dados mais recentes também apontam que existe demanda potencial. No segundo trimestre de 2026, 52% dos entrevistados em levantamento dos Indicadores Imobiliários Nacionais declararam intenção de comprar um imóvel nos 24 meses seguintes. O percentual era de 49% no mesmo período de 2025.

Entre os interessados, parte ainda não havia iniciado a procura por um imóvel, enquanto outros já realizavam pesquisas pela internet ou visitas presenciais. Sair do aluguel apareceu como a principal motivação para a compra, seguido por objetivos como sair da casa dos pais, buscar mais espaço e adquirir um imóvel para locação.

FGTS também sustenta o mercado

O SBPE não é a única fonte relevante de recursos para o financiamento habitacional brasileiro. O Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) também possui papel importante na concessão de crédito, especialmente em operações ligadas à habitação.

No primeiro semestre de 2026, os financiamentos com recursos do FGTS somaram R$ 66,6 bilhões, crescimento de 4,86% em relação ao mesmo período de 2025. Somados aos R$ 93,7 bilhões do SBPE, os recursos das duas fontes chegaram a R$ 160,3 bilhões no período.

O desempenho mostra a importância da diversificação das fontes de financiamento para manter a atividade imobiliária em movimento.

A disponibilidade de diferentes mecanismos de crédito também ajuda a atender perfis variados de compradores e projetos, desde empreendimentos enquadrados em programas habitacionais até imóveis destinados a outras faixas do mercado.

Crédito imobiliário mantém trajetória de crescimento

Os dados do primeiro semestre mostram que o mercado de crédito imobiliário conseguiu avançar mesmo diante de um cenário de juros elevados.

Levantamento da Abecip apontou que o crédito imobiliário brasileiro, considerando diferentes fontes de recursos, alcançou R$ 180,9 bilhões entre janeiro e junho de 2026, alta de 23% em relação aos R$ 147,1 bilhões registrados no mesmo período do ano anterior.

Dentro desse resultado, os financiamentos com recursos do SBPE para aquisição e construção chegaram a R$ 93,7 bilhões, enquanto as operações com recursos do FGTS alcançaram R$ 77,6 bilhões.

Mais de 160 mil imóveis foram financiados com recursos do SBPE especificamente para aquisição no primeiro semestre, sendo 70% das operações relacionadas a imóveis usados.

Mudanças no modelo de financiamento

O desempenho do SBPE ocorre após mudanças no modelo de financiamento habitacional. Segundo a CBIC, os resultados do primeiro semestre mostram efeitos concretos dessas alterações e contribuem para uma perspectiva mais positiva para o setor.

Para o presidente da entidade, Eduardo Aroeira, a evolução do crédito demonstra a relevância das mudanças promovidas no sistema e a importância da disponibilidade de recursos para sustentar o mercado.

A ampliação do financiamento para aquisição também é vista como um fator capaz de fortalecer as vendas. Segundo Ely Wertheim, vice-presidente da Indústria Imobiliária da CBIC, o aumento do crédito amplia a capacidade de compra das famílias e contribui para manter o ritmo das vendas.

Mercado segue atento aos juros

Apesar do crescimento, o cenário ainda exige cautela. As taxas de juros continuam sendo um dos principais fatores capazes de influenciar a capacidade de financiamento das famílias e o custo das operações de longo prazo.

O avanço registrado no primeiro semestre, portanto, não elimina os desafios relacionados ao custo do crédito.

A Abecip também destacou a necessidade de uma base de funding mais ampla e diversificada para sustentar a trajetória de crescimento do financiamento imobiliário. As operações com recursos livres, por exemplo, recuaram 8% no primeiro semestre.

A continuidade da expansão dependerá da combinação entre disponibilidade de recursos, condições de financiamento, comportamento dos juros e demanda dos consumidores.

Impacto para o mercado imobiliário

O crescimento do crédito tende a repercutir em diferentes etapas do mercado imobiliário. Para o consumidor, representa maior possibilidade de acesso ao financiamento. Para construtoras e incorporadoras, a expansão do crédito para produção pode favorecer novos projetos.

A combinação entre financiamento para aquisição e recursos destinados à construção cria condições para movimentar tanto a demanda quanto a oferta.

No primeiro semestre, os lançamentos imobiliários no Brasil cresceram 34% e as vendas avançaram 4% na comparação entre o primeiro trimestre de 2026 e o mesmo período de 2025, segundo dados da CBIC citados pela Abecip.

Esse cenário reforça a importância do crédito para a dinâmica do setor e mostra que o financiamento permanece como um dos principais instrumentos para transformar a intenção de compra das famílias em negócios efetivamente realizados.

Perspectivas para os próximos meses

O resultado dos primeiros seis meses de 2026 coloca o crédito imobiliário em uma trajetória positiva, mas o desempenho do restante do ano dependerá das condições econômicas e financeiras.

A disponibilidade de recursos do SBPE e do FGTS, a evolução das taxas de juros e o comportamento da demanda serão fatores importantes para determinar a continuidade desse movimento.

Para o mercado imobiliário, o crescimento de 12% no financiamento destinado à aquisição e o avanço de 107% no crédito para construção representam sinais relevantes de recuperação.

O cenário também reforça a importância de acompanhar as mudanças nas regras de financiamento e as condições oferecidas pelas instituições financeiras, especialmente em um mercado no qual pequenas alterações nas taxas e nos prazos podem modificar significativamente o custo final de um imóvel.

Fonte: BRA1