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Crédito habitacional na Paraíba bate recorde histórico

Carteira de financiamento imobiliário para pessoas físicas cresceu 16% em um ano, enquanto inadimplência recuou para 1,09%

Crédito habitacional na Paraíba chega a R$ 24 bilhões e bate recorde histórico
Foto: Crédito habitacional na Paraíba chega a R$ 24 bilhões. Foto: Reprodução

O crédito habitacional destinado a pessoas físicas alcançou R$ 24,05 bilhões na Paraíba em julho de 2026, o maior valor registrado na série histórica do Banco Central do Brasil. O resultado representa crescimento de 16% em relação aos R$ 20,73 bilhões registrados no mesmo mês de 2025.

O avanço da carteira ocorre em um cenário de juros ainda elevados e demonstra a continuidade da demanda por financiamento para aquisição de imóveis residenciais. Ao mesmo tempo, a inadimplência das operações habitacionais recuou para 1,09%, também o menor percentual registrado na série histórica mencionada na publicação.

O desempenho coloca o financiamento imobiliário entre os principais indicadores do mercado habitacional paraibano. O aumento do volume de recursos disponíveis ocorre paralelamente à expansão da oferta de empreendimentos e à procura por imóveis no Estado.

Para Artur da Silva Figueiredo, assessor de Ciclo de Crédito da Central Sicredi Nordeste, o comportamento do crédito imobiliário está relacionado à própria característica de longo prazo desse tipo de operação. Segundo ele, mesmo quando o custo do financiamento aumenta, permanece uma parcela da demanda ligada à aquisição, substituição ou ampliação da moradia.

Os dados também mostram crescimento nas operações realizadas com recursos da poupança. De acordo com informações da Associação Brasileira de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) citadas pelo Paraíba Business, os financiamentos dessa modalidade movimentaram R$ 1 bilhão na Paraíba durante o primeiro semestre de 2026, alta de 29% em relação ao mesmo período do ano anterior.

A estrutura de recursos utilizada pelo setor, entretanto, tornou-se mais diversificada. Além da poupança, fontes como FGTS, Letras de Crédito Imobiliário (LCIs) e Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) passaram a ocupar espaço relevante no financiamento do mercado imobiliário.

Essa diversificação amplia as alternativas de captação para as instituições financeiras e ajuda a sustentar a oferta de crédito em um setor que depende de recursos de longo prazo. Para o consumidor, a disponibilidade de diferentes fontes de financiamento pode representar maior variedade de modalidades e condições de contratação.

O impacto do crédito também alcança diretamente as empresas do setor imobiliário. Para Carlos Feitosa, sócio da Eco Construtora, o financiamento contribui para transformar a intenção de compra em uma negociação efetiva, ao permitir que o valor do imóvel seja distribuído em parcelas ao longo do contrato.

A avaliação também considera o cenário de déficit habitacional existente no país e a necessidade de mecanismos que possibilitem o acesso à propriedade. Nesse contexto, o financiamento funciona como uma ponte entre a demanda de famílias interessadas em adquirir um imóvel e a capacidade de pagamento distribuída ao longo dos anos.

Outro dado apresentado na publicação é o desempenho da carteira imobiliária do Sicredi na Paraíba. A instituição registrou crescimento de 40% em 12 meses, alcançando R$ 22,1 milhões em julho de 2026. Entre as condições informadas pela cooperativa estão financiamentos de até 90% do valor de imóveis residenciais e prazo de até 35 anos.

A expansão do crédito também interfere nas estratégias das incorporadoras. Com maior disponibilidade de financiamento, empresas do setor conseguem acompanhar a demanda por novos empreendimentos e estruturar lançamentos considerando as condições de acesso dos compradores.

Na Paraíba, Pedro Farias, gestor Comercial da MRV no Estado, afirmou que a empresa mantém a perspectiva de novos empreendimentos e relacionou os planos de expansão ao crescimento das cidades e às necessidades das famílias.

Além da compra da residência para moradia, o financiamento pode integrar estratégias de formação de patrimônio. Nesse tipo de operação, o comprador utiliza o crédito para adquirir o imóvel e mantém parte de seus recursos disponíveis para outras finalidades financeiras, de acordo com seu planejamento.

O conjunto dos indicadores mostra um mercado paraibano com maior volume de crédito habitacional e redução da inadimplência. A carteira de R$ 24,05 bilhões registrada em julho estabelece um novo patamar para o financiamento imobiliário destinado às pessoas físicas no Estado.

Para o setor condominial, a expansão do mercado residencial também pode repercutir no número de novos empreendimentos e, consequentemente, na demanda por serviços de administração, manutenção, segurança, gestão financeira e demais atividades relacionadas à operação dos condomínios.

O crescimento da carteira, portanto, não representa apenas um indicador financeiro. Ele também ajuda a dimensionar a movimentação do mercado de imóveis residenciais na Paraíba e o papel do crédito na aquisição da casa própria, na formação patrimonial e na sustentação de novos negócios imobiliários.

Com a combinação de crescimento da carteira, avanço dos financiamentos com recursos da poupança, diversificação das fontes de funding e queda da inadimplência, os dados de julho de 2026 apresentam um retrato de expansão do crédito habitacional paraibano em meio a um ambiente de juros ainda elevados.

Fonte: Paraiba Business