Obras de novo condomínio avançam com derrubada de árvores no Butantã
Intervenção no Butantã faz parte de acordo com a Prefeitura e envolve desmatamento de árvores nativas, exóticas e mortas; compensação ambiental prevê plantio de 221 mudas e repasse de R$ 2,5 milhões ao Fema.

A construção de um novo empreendimento residencial no Butantã, zona oeste de São Paulo, avançou nesta quarta-feira (26/11) com a derrubada de 384 árvores ao longo da Avenida Guilherme Dumont Villares. A intervenção, realizada pela Construtora Tenda, integra um Termo de Compromisso Ambiental (TCA) firmado com a Prefeitura de São Paulo para viabilizar o projeto Max Vila Sônia, que prevê quatro torres de nove pavimentos e aproximadamente 700 unidades habitacionais.
De acordo com o TCA, ao menos 128 árvores nativas foram autorizadas para remoção. Além delas, outras cinco invasoras, 226 exóticas e 25 árvores mortas também estão sendo retiradas para a liberação do terreno. Imagens registradas na manhã desta quarta-feira mostram maquinários da Tenda em operação, derrubando a vegetação existente na área destinada ao empreendimento.
Como compensação ambiental, a construtora se comprometeu a plantar 221 novas mudas de espécies nativas na mesma região, após a conclusão das obras. O acordo prevê ainda o repasse de quase R$ 2,5 milhões ao Fundo Especial de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Fema), responsável por investimentos em áreas verdes da capital paulista.
Apesar da formalização do acordo, o caso reacende o debate sobre o impacto ambiental de grandes empreendimentos imobiliários, especialmente em regiões urbanas já pressionadas pela verticalização. Especialistas ouvidos pelo setor apontam que, embora os programas de compensação ambiental sejam previstos em lei, eles não substituem integralmente o valor ecológico de áreas maduras de vegetação — sobretudo aquelas com espécies nativas consolidadas.
Moradores da região também têm manifestado preocupação com os efeitos do desmatamento, especialmente no que diz respeito à arborização urbana, microclima, drenagem de águas pluviais e aumento de ilhas de calor.
A Prefeitura de São Paulo foi procurada para comentar a autorização e os critérios adotados para o licenciamento, mas ainda não se manifestou até o fechamento desta matéria.
O avanço do empreendimento coloca novamente em evidência a importância do equilíbrio entre desenvolvimento imobiliário, planejamento urbano e preservação ambiental — temas centrais para cidades densas como São Paulo e diretamente relacionados à qualidade de vida nos futuros condomínios e no entorno.
Fonte: Metrópoles