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Construtora acumula denúncias após prédio desabar em SP

Clientes relatam prejuízos de mais de R$ 4 milhões com imóveis não entregues e apontam atrasos, embargos e problemas em empreendimentos da Zona Leste

Construtora de prédio que desabou em SP acumula denúncias de golpes e obras atrasadas
Foto: Foto: Reprodução/Google Street View

A construtora responsável pelo prédio que desabou na Zona Leste de São Paulo acumula relatos de compradores sobre imóveis não entregues, atrasos prolongados, obras embargadas e prejuízos financeiros. O edifício localizado na Rua Tequici, na região da Penha, desabou em 12 de setembro de 2026 e deixou seis pessoas mortas e duas feridas.

Segundo levantamento do G1, cerca de 20 clientes afirmam ter registrado boletins de ocorrência contra as empresas New Home Incorporadora e Hastiforme Projetos e Construção. Os compradores calculam prejuízos superiores a R$ 4 milhões relacionados a imóveis adquiridos que não foram entregues ou permaneceram com as obras paralisadas.

Compradores relatam imóveis não entregues

Entre os compradores está o comerciante Alexandre Viveiros, que afirma ter adquirido um sobrado por R$ 650 mil e pago mais de R$ 380 mil à construtora. A entrega estava prevista para o final de 2024, mas o empreendimento foi embargado após questionamentos relacionados aos riscos provocados pela construção em uma área próxima a uma escola infantil.

Segundo o comprador, os clientes não teriam sido informados sobre o embargo e só tomaram conhecimento da situação ao encontrar uma decisão judicial afixada na própria obra. O caso acabou sendo levado à Justiça, enquanto a família passou a morar de aluguel.

Outro comprador citado pelo G1 foi o médico Erick Cosme, que pagou aproximadamente R$ 200 mil por uma casa que também deveria ter sido entregue em 2024. De acordo com o relato, a empresa teria deixado de operar sob determinado nome empresarial, enquanto pessoas relacionadas ao negócio continuariam atuando por meio de outras construtoras.

Obras apresentavam problemas de regularização

Os relatos dos compradores se somam ao histórico de irregularidades apontado pelas autoridades. Segundo informações divulgadas após o desabamento, o edifício da Rua Tequici já havia sido alvo de fiscalizações, multas e medidas judiciais antes da tragédia.

A Prefeitura de São Paulo informou que a construção apresentava irregularidades desde 2019 e que houve determinação judicial para a paralisação dos trabalhos. Uma das multas aplicadas chegou a aproximadamente R$ 119 mil.

O histórico também envolve outros empreendimentos relacionados às empresas investigadas. Compradores afirmam que determinados projetos foram iniciados sem a documentação necessária ou posteriormente tiveram as obras embargadas.

Prefeitura suspende 29 empreendimentos

Após o desabamento, a Prefeitura de São Paulo determinou a suspensão cautelar de 29 empreendimentos vinculados à New Home e à Hastiforme. A medida alcança canteiros de obras e processos de licenciamento que ainda estavam em análise.

Segundo o levantamento divulgado, 21 empreendimentos estão vinculados à New Home e oito à Hastiforme. A prefeitura também determinou vistorias extraordinárias nos canteiros ativos, com participação das subprefeituras e da Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento.

A medida busca verificar as condições de segurança das construções e identificar situações que possam exigir novas interdições administrativas.

Investigação apura responsabilidades

A Polícia Civil investiga as circunstâncias do desabamento e as possíveis responsabilidades dos envolvidos. Entre os investigados estão Ronaldo dos Santos Vivaqua, apontado pela polícia como sócio oculto da New Home, o engenheiro Cristiano Salgado Vivaqua e a arquiteta Isis de Freitas Rodrigues Brandão.

Ronaldo foi preso temporariamente. Cristiano e Isis são procurados pelas autoridades. A polícia também informou que pretende indiciar os envolvidos por homicídio com dolo eventual, enquanto as causas técnicas do desabamento ainda dependem da conclusão das perícias.

Uma servidora municipal responsável por autorizar a continuidade das obras em 2024 também entrou no foco das investigações e foi afastada pela Prefeitura de São Paulo por 120 dias.

Caso reforça importância da fiscalização em obras

O episódio chama atenção para os riscos relacionados à aquisição de imóveis em empreendimentos que ainda estão em construção. A existência de alvarás, licenças, registros, responsáveis técnicos e demais documentos de regularidade é fundamental para reduzir riscos durante a execução de um projeto.

Para compradores, a análise da documentação da construtora e do empreendimento pode ajudar a identificar pendências antes da assinatura do contrato. Em condomínios em construção, o acompanhamento técnico também permite verificar o cumprimento das especificações previstas no projeto e as condições de segurança do canteiro.

Já para o setor condominial, situações envolvendo obras irregulares reforçam a necessidade de atenção aos impactos que construções vizinhas podem provocar sobre edificações, áreas comuns e segurança dos moradores.

O caso da Zona Leste de São Paulo permanece sob investigação, enquanto compradores que afirmam ter sofrido prejuízos continuam buscando na Justiça a recuperação dos valores pagos por imóveis que não foram entregues.

Fonte: G1