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Construção civil lidera mortes por choque elétrico no Brasil

Setor registrou 208 mortes por acidentes elétricos em 2025, alta de 51,82% em relação ao ano anterior; pedreiros, pintores e ajudantes estão entre os profissionais mais expostosq

Construção civil lidera mortes por choque elétrico no Brasil e acende alerta para segurança em obras
Foto: Imagem ilustrativa

Construção civil lidera mortes por choque elétrico no Brasil e acende alerta para segurança em obras

Setor registrou 208 mortes por acidentes elétricos em 2025, alta de 51,82% em relação ao ano anterior; pedreiros, pintores e ajudantes estão entre os profissionais mais expostos

A construção civil liderou, em 2025, o número de mortes provocadas por acidentes envolvendo choque elétrico no Brasil. Dados do Anuário Estatístico de Acidentes de Origem Elétrica, elaborado pela Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos da Eletricidade (Abracopel), apontam que 208 profissionais do setor morreram em ocorrências dessa natureza durante o ano.

O número representa um aumento de 51,82% em relação às 137 mortes registradas em 2024 e de 225% na comparação com 2023. Entre os trabalhadores mais expostos estão pedreiros, pintores e ajudantes, que podem entrar em contato com situações de risco durante atividades aparentemente rotineiras em obras e reformas.

Atividades rotineiras podem esconder riscos

Pintura de fachadas, manutenção de telhados, instalação de calhas e movimentação de vergalhões, escadas e outros materiais de grande comprimento estão entre as atividades que exigem atenção redobrada quando realizadas próximas à rede elétrica.

O risco não está restrito ao contato direto com os fios. Dependendo da distância, pode ocorrer a formação de um arco elétrico entre a rede energizada e a pessoa ou o objeto que está sendo movimentado, provocando uma descarga capaz de causar queimaduras, choque grave e até morte.

A situação é especialmente preocupante em trabalhos realizados na altura da rede de distribuição, como reformas de segundos e terceiros pavimentos, telhados, fachadas e sacadas.

Distância de segurança é fundamental

Entre as principais recomendações de segurança está a manutenção de uma distância mínima de 1,5 metro da rede elétrica. A orientação deve considerar não apenas o corpo do trabalhador, mas também o alcance de ferramentas, equipamentos e materiais utilizados durante o serviço.

Segundo Geziane Calixto, técnica de segurança do trabalho da Cemig, o planejamento deve começar antes do início das atividades, com análise dos riscos existentes no local e respeito às distâncias de segurança.

A recomendação ganha ainda mais importância diante de redes de média tensão, que podem operar com 13.800 volts. Nesses casos, a aproximação de pessoas ou objetos pode ser suficiente para provocar uma descarga elétrica, mesmo sem contato físico direto com o condutor.

Choque elétrico também pode provocar quedas

Além das consequências diretamente relacionadas à eletricidade, um choque pode provocar perda de equilíbrio e quedas, aumentando a gravidade do acidente quando o trabalhador está sobre telhados, andaimes ou em outros pontos elevados.

Um caso registrado no início de agosto ilustra esse risco. Um trabalhador de 56 anos morreu após sofrer um choque elétrico e cair de aproximadamente oito metros de altura durante a limpeza de placas solares no segundo andar de uma academia em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

Prevenção deve começar antes da obra

Diante dos números, especialistas reforçam que a segurança não deve ser tratada apenas como uma medida adotada durante a execução do serviço. O planejamento da obra ou reforma deve identificar previamente a presença de redes elétricas e os riscos associados às atividades que serão realizadas no local.

O uso adequado de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), a organização do espaço de trabalho e o cuidado na movimentação de estruturas metálicas e objetos longos são medidas fundamentais para reduzir a possibilidade de acidentes.

O cenário reforça a necessidade de que responsáveis por obras, trabalhadores e demais profissionais envolvidos adotem protocolos de segurança antes do início das atividades, especialmente quando houver proximidade com redes energizadas.

Os dados da Abracopel mostram que o avanço de obras e reformas precisa estar acompanhado de planejamento, informação e prevenção, já que uma atividade aparentemente simples pode se transformar em um acidente grave quando os riscos elétricos não são identificados e controlados.

Fonte: Band