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Construção civil prevê contratar 288 mil com fim da escala 6x1

CBIC calcula que a redução da jornada para 40 horas semanais pode elevar em até 15% o custo direto da mão de obra e afetar prazos de obras e preços de imóveis

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Câmara Brasileira da Indústria da Construção diz que fim da escala pode gerar custo extra de R$ 13,5 bilhões por ano para as construtoras por causa das contratações · Foto: ilkercelik/iStock

Construção civil estima precisar contratar 288 mil trabalhadores com fim da escala 6x1

A construção civil poderá precisar contratar 288 mil trabalhadores adicionais para manter o atual ritmo de atividade diante da redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais. A estimativa é da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), que aponta a falta de mão de obra qualificada como um dos principais desafios para a adaptação do setor.

Segundo levantamento divulgado pelo UOL em 15 de outubro de 2026, a entidade estima que a mudança pode elevar em até 15% o custo direto da mão de obra nos canteiros de obras e gerar despesas adicionais de R$ 13,5 bilhões por ano para as construtoras.

As projeções foram apresentadas no contexto da aprovação, pelo Senado, da proposta que extingue a escala 6x1 e estabelece uma jornada máxima de 40 horas semanais, sem redução salarial. A emenda constitucional foi promulgada em 16 de outubro de 2026, com implementação gradual das novas regras.

Falta de profissionais preocupa o setor

A necessidade de ampliar o número de trabalhadores ocorre em um cenário em que a construção civil já enfrenta dificuldades para encontrar profissionais qualificados.

De acordo com a CBIC, a redução da jornada diminuirá o total de horas disponíveis para a execução das atividades nos canteiros. Para manter o volume atual de produção, as empresas precisariam reorganizar as equipes e contratar trabalhadores para compensar parte das horas reduzidas.

A entidade estima que a mudança represente uma redução de quase 600 milhões de horas de trabalho por ano no setor. O desafio, portanto, não se limita ao custo das contratações, mas também à disponibilidade de profissionais para atender à demanda.

Custos das obras podem aumentar

A CBIC calcula que a reposição das horas de trabalho poderá custar R$ 13,5 bilhões adicionais por ano às construtoras. A entidade também projeta aumento de até 15% no custo direto da mão de obra.

Esses valores são estimativas do setor e dependem de fatores como a capacidade de contratação, a reorganização das jornadas e os ganhos de produtividade que as empresas conseguirem alcançar.

O aumento dos custos pode pressionar o orçamento dos empreendimentos e exigir ajustes no planejamento financeiro das construtoras. A entidade também alerta para possíveis atrasos nos cronogramas de execução e na entrega de imóveis e obras de infraestrutura.

Habitação popular pode ser afetada

Entre as preocupações apresentadas pela CBIC está o possível impacto sobre a habitação popular. Segundo a entidade, o encarecimento da construção poderá reduzir em cerca de 30 mil o número de moradias financiadas por ano no país.

A projeção considera os efeitos potenciais dos custos adicionais sobre a produção e o financiamento de imóveis destinados a famílias de menor renda.

Caso os custos aumentem e a oferta de empreendimentos seja afetada, o setor avalia que o acesso à casa própria poderá enfrentar dificuldades adicionais. Esses efeitos, entretanto, são projeções da entidade e não representam uma redução já confirmada no número de financiamentos.

Mudança na jornada terá implementação gradual

A emenda constitucional que extingue a escala 6x1 estabelece a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, sem corte salarial, e garante dois dias de descanso por semana.

A implementação será gradual. Conforme as informações divulgadas pela Agência Brasil, a primeira etapa prevê a adoção da escala 5x2 e a redução da jornada para 42 horas semanais após o prazo inicial de 60 dias. A jornada máxima de 40 horas semanais será alcançada ao final do período de transição de 14 meses.

A adaptação exigirá que empresas de diferentes setores revisem escalas, equipes e processos de trabalho. Na construção civil, a necessidade de coordenar profissionais de diferentes especialidades e etapas da obra torna o planejamento um fator importante para manter o ritmo de execução.

Produtividade e qualificação entram no debate

Diante dos possíveis impactos, a CBIC defende medidas para ampliar a qualificação profissional, estimular a industrialização dos processos construtivos e aumentar a produtividade.

Essas iniciativas podem ajudar as empresas a reorganizar as atividades e reduzir parte dos efeitos associados à diminuição das horas disponíveis de trabalho.

O debate também envolve a necessidade de considerar as características específicas de cada setor, com negociações coletivas e planejamento para adequar as jornadas às exigências das atividades.

A redução da jornada representa uma mudança relevante para o mercado de trabalho. Na construção civil, seus efeitos sobre custos, cronogramas e oferta de imóveis dependerão da forma como as empresas se adaptarão às novas regras e conseguirão manter a produtividade.