Condomínios apertam cobrança de inadimplentes
Alta da inadimplência leva síndicos e administradoras a adotar medidas mais rígidas para recuperar receitas e evitar prejuízos aos moradores adimplentes

Explosão de Inadimplência: Protestos de Dívidas de Condomínio Crescem Mais de 1.600% no ES
O bolso dos moradores e a gestão dos condomínios enfrentam um cenário desafiador. No Espírito Santo, o número de dívidas condominiais levadas a protesto em cartório disparou, atingindo o maior patamar de sua série histórica. Diante do avanço da inadimplência, síndicos e administradoras decidiram adotar uma postura muito mais rígida na cobrança das taxas ordinárias e extras.
Mudança de Postura e Números Impressionantes
De acordo com dados divulgados pela Anoreg-ES (Associação dos Notários e Registradores do Espírito Santo), a escalada dos protestos entre 2024 e 2025 revela um crescimento alarmante de mais de 1.600%.
Abaixo, veja o comparativo do total de títulos enviados aos cartórios capixabas:
| Ano | Títulos de Condomínio Protestados |
| 2024 | Cerca de 90 dívidas |
| 2025 | Mais de 1.580 dívidas |
Em entrevista ao Bom Dia ES, Bruno do Valle, representante da Anoreg-ES, explicou que esse salto não se deve apenas ao aumento das dívidas em si, mas principalmente à percepção de que o protesto é o caminho mais rápido e eficiente para reaver o dinheiro.
Agilidade: Cartório vs. Ação Judicial
A escolha pelo protesto de títulos tem uma justificativa estritamente prática: o tempo de resolução.
Ação Judicial de Cobrança: Pode arrastar-se de 3 a 5 anos nos tribunais até que o condomínio veja a cor do dinheiro.
Protesto em Cartório: Costuma apresentar uma resolução definitiva entre 3 e 7 dias.
Facilidade tecnológica: Atualmente, os condomínios não precisam mais se deslocar fisicamente. Todo o envio de títulos é feito de forma 100% digital por meio da plataforma eletrônica da Cenprot (Central de Protesto de Títulos).
O Efeito Bola de Neve e as Consequências para o Devedor
O que muitas vezes começa com o esquecimento ou atraso de uma cota extra pequena — como uma taxa de R$ 300,00 — pode rapidamente se transformar em uma situação de risco patrimonial. Sem o pagamento, o saldo devedor acumula juros, multas e correções, saltando para R$ 600,00, R$ 900,00, R$ 1.200,00 até ultrapassar a casa dos milhares de reais em poucos meses.
Estar protestado em cartório gera um impacto imediato na vida do cidadão:
Restrição de Crédito: O CPF ou CNPJ fica negativado, bloqueando a obtenção de cartões, financiamentos e empréstimos.
Crédito Mais Caro: Caso consiga alguma linha de crédito, o devedor enfrentará juros substancialmente maiores pelo risco de mercado.
Processo de Execução e Leilão: O protesto serve como base jurídica célere para uma ação de execução. Na ausência de acordo ou pagamento, a Justiça pode determinar a penhora e o leilão judicial do próprio imóvel para quitar o débito condominial.
A recomendação dos especialistas jurídicos é que o morador procure a administração do condomínio para tentar uma resolução amigável logo nos primeiros sinais de dificuldade financeira, evitando que a dívida se transforme em uma bola de neve irreversível.
Fonte: G1