Rio poderá criar selo para condomínios pet friendly
Projeto aprovado em primeira discussão na Alerj prevê reconhecimento para residenciais que criem espaços para pets e adotem medidas de proteção

Condomínios do Rio poderão receber selo por ações de proteção e bem-estar animal
Condomínios residenciais do Rio de Janeiro poderão receber um reconhecimento específico caso adotem medidas voltadas à proteção e ao bem-estar dos animais de estimação. A proposta de criação do “Selo Condomínio Amigo dos Animais” foi aprovada em primeira discussão pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), nesta terça-feira (25).
A iniciativa está prevista no Projeto de Lei nº 3.426/24, de autoria do deputado estadual Pedro Brazão (União Brasil). O texto estabelece critérios que deverão ser cumpridos pelos condomínios interessados em receber o selo.
A proposta ainda não está em vigor. Antes de seguir para eventual análise do governador, o projeto precisa passar por uma segunda votação no plenário da Alerj.
Espaços destinados aos animais
Um dos principais critérios previstos no projeto é a disponibilização de áreas comuns destinadas à recreação dos animais de estimação.
Esses locais poderão funcionar como parques, praças ou jardins, desde que estejam devidamente sinalizados e apresentem condições adequadas de segurança para os animais e os moradores.
A medida busca estimular que os empreendimentos residenciais incorporem espaços específicos para os pets à estrutura condominial, criando ambientes destinados ao lazer e à convivência.
A proposta também estabelece que esses espaços devem ser mantidos em condições adequadas, evitando que a criação de áreas para animais gere novos problemas relacionados à higiene ou à circulação nas áreas comuns.
Regras internas deverão contemplar proteção
Além da estrutura física, os condomínios interessados no reconhecimento deverão adotar, em suas normas internas, medidas destinadas a garantir a proteção e o bem-estar dos animais que vivem nas unidades residenciais.
A iniciativa amplia a discussão sobre a presença de animais nos condomínios e coloca a questão do bem-estar animal dentro das políticas de convivência dos empreendimentos.
Na prática, o projeto propõe que os condomínios que desejarem obter o selo demonstrem que possuem regras e procedimentos voltados à convivência responsável entre moradores e animais.
Higiene também será requisito
Outro ponto previsto é a manutenção de condições adequadas de higiene e limpeza nas áreas comuns.
O texto também determina atenção à destinação correta do lixo.
A preocupação está relacionada tanto à saúde dos animais quanto à convivência entre os moradores. Áreas destinadas aos pets exigem procedimentos de limpeza e manutenção capazes de evitar acúmulo de resíduos, odores e outros problemas que possam afetar os usuários dos espaços.
Dessa forma, a proposta associa o incentivo à criação de ambientes para animais à necessidade de estabelecer uma rotina adequada de conservação.
Campanhas de conscientização
O projeto não se limita à criação de espaços físicos.
Para receber o selo, os condomínios também deverão adotar iniciativas educativas destinadas aos moradores, com informações relacionadas aos cuidados básicos com os animais.
A proposta prevê ainda a realização de campanhas de conscientização sobre proteção e bem-estar animal.
A intenção é estimular uma cultura de responsabilidade entre os tutores e ampliar o conhecimento dos moradores sobre cuidados necessários para manter os animais em condições adequadas de saúde, segurança e convivência.
Condomínio poderá se tornar mais preparado para os pets
A criação de espaços específicos pode representar uma mudança na maneira como os empreendimentos lidam com a presença de animais.
Em vez de concentrar a discussão apenas em restrições de circulação ou regras de utilização das áreas comuns, os condomínios poderiam passar a adotar estruturas planejadas para atender parte das necessidades dos animais.
A proposta, portanto, introduz uma perspectiva de planejamento condominial voltado também aos tutores de pets.
Medida ocorre em cenário de novas regras
A proposta surge em um contexto no qual a presença de animais nos condomínios vem sendo objeto de discussões jurídicas e legislativas.
No Rio de Janeiro, uma lei estadual sancionada em 2025 estabeleceu que animais de pequeno porte não podem ser proibidos nos condomínios quando não representarem riscos à segurança, higiene, saúde ou sossego dos moradores. Eventuais restrições dependem de comprovação do risco por profissional habilitado do Conselho Regional de Medicina Veterinária.
O novo projeto apresentado na Alerj segue uma abordagem diferente: em vez de estabelecer apenas regras sobre a permanência dos animais, busca reconhecer condomínios que adotem práticas de proteção e bem-estar.
Selo funcionaria como reconhecimento
Caso o projeto seja aprovado definitivamente e sancionado, o selo poderá funcionar como uma forma de reconhecimento público para os condomínios que atenderem aos critérios estabelecidos.
A iniciativa poderá estimular empreendimentos a investir em áreas específicas, ações educativas e procedimentos de manutenção.
Para o setor condominial, a medida também pode transformar o tratamento dado aos animais em um elemento adicional das políticas de convivência e valorização do empreendimento.
Síndicos terão novos pontos para avaliar
Caso a proposta avance, síndicos e administradoras precisarão avaliar como as exigências poderão ser incorporadas à rotina dos condomínios.
A criação de um espaço para pets, por exemplo, envolve questões relacionadas à localização, segurança, limpeza, manutenção e regras de utilização.
Também será necessário estabelecer responsabilidades dos tutores e critérios de uso para evitar conflitos entre moradores.
A implantação de uma estrutura pet friendly, portanto, não depende apenas da disponibilização de uma área. É necessário estabelecer uma gestão organizada do espaço.
Áreas comuns exigem regras claras
A utilização de espaços compartilhados por animais exige atenção às regras de convivência.
Horários de funcionamento, circulação dos pets, responsabilidade dos tutores, limpeza após o uso e conservação dos equipamentos são alguns dos pontos que podem ser regulamentados internamente.
A definição antecipada desses critérios pode reduzir conflitos e facilitar o trabalho da administração.
Convivência entre moradores é parte do desafio
A proposta também coloca em evidência um dos principais desafios dos condomínios: equilibrar interesses diferentes.
Enquanto parte dos moradores pode defender a criação de espaços para animais, outros podem ter preocupações relacionadas à higiene, barulho, segurança ou utilização das áreas comuns.
Por isso, a adoção de medidas voltadas aos pets precisa considerar também as regras gerais de convivência do empreendimento.
A proposta do selo busca justamente estimular iniciativas que conciliem proteção animal e convivência condominial.
Projeto ainda pode sofrer alterações
A aprovação em primeira discussão não significa que o texto já tenha sido transformado em lei.
O projeto ainda precisará passar por uma segunda votação na Alerj. Durante a tramitação, o conteúdo poderá ser discutido e eventualmente alterado antes de uma decisão definitiva do Legislativo.
Somente após a conclusão da análise parlamentar a proposta poderá seguir para a avaliação do governador, que poderá sancionar ou vetar o texto.
Medida pode influenciar gestão dos condomínios
Se aprovada, a iniciativa poderá estimular uma nova abordagem sobre a relação entre animais e empreendimentos residenciais.
A criação de áreas específicas, associada a campanhas educativas e regras internas de proteção, pode contribuir para organizar uma demanda que já faz parte da realidade de muitos condomínios.
O reconhecimento também poderá ser utilizado como incentivo para que novos empreendimentos considerem os animais de estimação em seus projetos e políticas de convivência.
Bem-estar animal entra na agenda condominial
A proposta do “Selo Condomínio Amigo dos Animais” amplia o debate sobre como os empreendimentos podem lidar com a presença cada vez mais comum de pets entre seus moradores.
Mais do que criar um espaço físico, o projeto estabelece uma combinação de infraestrutura, regras, higiene e conscientização como critérios para o reconhecimento.
Para síndicos, administradoras e moradores, a discussão reforça a necessidade de tratar a convivência com animais de maneira planejada, evitando tanto proibições genéricas quanto a ausência de regras.
Se o projeto avançar nas próximas etapas da Alerj, os condomínios fluminenses poderão ter uma nova referência para estruturar políticas internas voltadas aos animais e, ao mesmo tempo, fortalecer práticas de convivência e bem-estar dentro dos empreendimentos.
Fonte: AGENDA DO PODER