Golpe do falso advogado causa prejuízo milionário a condomínio
Criminosos se passaram por advogados e convenceram representantes do condomínio a realizar transferências bancárias; caso reforça alerta para fraudes financeiras

Golpe do Falso Advogado: Condomínio no Guará tem prejuízo de mais de R$ 300 mil
Golpistas se passaram pela advogada do condomínio e usaram a falsa promessa de liberação de uma ação judicial para exigir transferências via Pix.
Um golpe aplicado por estelionatários deixou o Residencial Belvedere Antares, localizado na Avenida Contorno do Guará II, no Distrito Federal, com um prejuízo superior a R$ 300 mil. A vítima principal da fraude foi a então síndica do condomínio — uma idosa de quase 80 anos —, que acreditou estar tratando da liberação de valores judiciais devidos ao residencial.
Como funcionou a fraude
O condomínio mantinha um processo na Justiça contra uma moradora por conta de dívidas de taxas condominiais. No mês passado, a síndica recebeu mensagens no WhatsApp de uma pessoa que se passava pela advogada do condomínio.
Falsa vitória judicial: O golpista comunicou que o condomínio havia vencido a ação e tinha a receber o valor de R$ 396.893,78.
Atualização no STJ: O estelionatário solicitou os dados bancários do condomínio alegando ter feito uma atualização cadastral no sistema eletrônico do Superior Tribunal de Justiça (STJ) para depositar a quantia.
Cobrança de taxas falsas: Em seguida, outro golpista entrou em contato por ligações de voz e vídeo, apresentando-se como suposto funcionário do STJ. Ele afirmou ser necessário pagar taxas prévias para viabilizar a liberação do dinheiro do processo.
Confiando nas informações, foram realizadas diversas transferências via Pix que somaram R$ 307 mil extraídos da conta do condomínio. A fraude só foi percebida quando a síndica entrou em contato direto com a verdadeira advogada do processo.
"A minha imagem está sendo utilizada de forma indevida. Estão utilizando fotos das minhas redes sociais e até foto feita por Inteligência Artificial (IA). Graças a Deus, a maioria dos meus clientes, por termos uma boa relação, nos procura para confirmar antes." — Eliane Martins, advogada do condomínio.
Medidas adotadas e renúncia da gestão
Assim que constatou ter sido vítima de estelionato, a ex-síndica adotou as seguintes providências:
Registro policial: Registrou um Boletim de Ocorrência na Polícia Civil do DF (PCDF) para investigar o crime.
Tentativa de bloqueio: Procurou os dois bancos onde o condomínio possui conta na tentativa de estornar e bloquear as transações.
Assembleia e renúncia: Convocou uma Assembleia Extraordinária para relatar o fato aos moradores e renunciou ao cargo de síndica. A subsíndica assumiu a administração do residencial provisoriamente.
A Polícia Civil do Distrito Federal informou que as investigações já estão em andamento.
Estatísticas alarmantes no Distrito Federal
O caso no Guará se soma a um volume expressivo de fraudes semelhantes na região:
1.712 denúncias referentes ao "golpe do falso advogado" foram registradas pela OAB-DF entre o ano passado e o momento atual.
51.457 registros de estelionato foram contabilizados no DF, totalizando uma média de 140 casos por dia.
Quase metade de todos os casos de estelionato ocorrem por meios digitais.
Dicas de prevenção
O conselheiro federal da OAB-DF, Newton Rubens, faz alertas para evitar cair nesse tipo de armadilha:
Desconfie de urgências: Não tome decisões sob pressão de urgência ou "ultraurgência" para receber valores de processos.
Não pague para receber: É incompatível ter que fazer pagamentos ou transferências via Pix para que um valor judicial seja liberado.
Valide os contatos: Verifique se os números de telefone ou e-mails são exatamente os mesmos registrados no contrato de prestação de serviços ou na procuração.
Contato direto: Na dúvida, procure o seu advogado por canais conhecidos ou preferencialmente de forma presencial.
Fonte: G1