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Condomínio fica mais caro no Rio de Janeiro

Levantamento da Loft mostra os bairros com os maiores valores condominiais e aponta avanço das taxas também em regiões da Zona Oeste e Zona Norte

Condomínio médio no Rio sobe 8,8% em 2026 e Lagoa lidera ranking com taxa de R$ 2.293
Foto: Reprodução
Condomínio médio no Rio sobe 8,8% e Lagoa lidera ranking dos bairros mais caros

O custo médio do condomínio no Rio de Janeiro aumentou 8,8% no primeiro semestre de 2026 em comparação com o mesmo período de 2025. Segundo levantamento realizado pela Loft, o valor médio passou de R$ 572 para R$ 622 mensais.

O estudo analisou mais de 400 mil anúncios de imóveis residenciais publicados nas principais plataformas digitais do Rio de Janeiro e mapeou o custo médio dos condomínios em diferentes bairros da cidade.

De acordo com a análise, o valor do condomínio representa uma despesa recorrente que precisa ser considerada por quem pretende comprar ou alugar um imóvel. Em determinadas regiões, a taxa pode representar uma parcela significativa do custo mensal de moradia.

A Lagoa aparece no topo do ranking dos bairros com os condomínios mais caros do Rio de Janeiro em 2026. A taxa média chegou a R$ 2.293 por mês, ante R$ 2.053 registrados em 2025, o que representa uma alta de 11,7%.

Ipanema ocupa a segunda posição, com condomínio médio de R$ 2.091, contra R$ 1.857 no ano anterior, uma alta de 12,6%. A Barra da Tijuca aparece em terceiro lugar, com média de R$ 2.070, diante dos R$ 1.838 registrados em 2025, também com crescimento de 12,6%.

Na quarta colocação está o Jardim Oceânico, região da Barra da Tijuca, com condomínio médio de R$ 1.984. O valor representa alta de 5,7% em relação aos R$ 1.877 registrados no ano anterior.

O Leblon aparece em quinto lugar, com taxa média de R$ 1.970, contra R$ 1.825 em 2025, crescimento de 7,9%.

Na sequência estão Gávea, com R$ 1.734; Jardim Botânico, com R$ 1.454; Copacabana, com R$ 1.426; Flamengo, com R$ 1.333; e Humaitá, com R$ 1.267.

Entre os dez bairros com os condomínios mais caros, Copacabana apresentou a maior alta percentual. O valor médio passou de R$ 1.232 para R$ 1.426, aumento de 15,8%.

Os dados mostram que os bairros com os maiores valores estão concentrados principalmente na Zona Sul do Rio de Janeiro. A exceção fica por conta da Barra da Tijuca e do Jardim Oceânico, na Zona Oeste, regiões que também possuem grande concentração de empreendimentos de alto padrão.

O levantamento também identificou bairros onde as taxas condominiais apresentaram os maiores aumentos percentuais. A Taquara liderou esse ranking, com alta de 25,8%, passando de R$ 483 para R$ 608.

Jacarepaguá ficou na segunda posição, com crescimento de 20,8%, e o condomínio médio passou de R$ 875 para R$ 1.057. A Tijuca aparece em terceiro lugar, com aumento de 18,5%, de R$ 1.008 para R$ 1.194.

Andaraí registrou alta de 16,2%, passando de R$ 809 para R$ 940. Copacabana, novamente, aparece entre os bairros com maior crescimento, com alta de 15,8%.

Catete teve aumento de 15,7%, passando de R$ 705 para R$ 815. Barra da Tijuca e Ipanema registraram crescimento de 12,6%, enquanto Méier teve alta de 12,5%, de R$ 711 para R$ 799.

A Freguesia, em Jacarepaguá, completou a lista dos dez bairros com maior crescimento, com aumento de 11,9%, fazendo o condomínio médio passar de R$ 888 para R$ 994.

Segundo a análise da Loft, existem dois movimentos diferentes contribuindo para o aumento dos condomínios no Rio de Janeiro.

Em bairros como Taquara, Jacarepaguá, Andaraí, Méier e Freguesia, a elevação está relacionada, entre outros fatores, à chegada de novos empreendimentos verticais. A transformação de áreas anteriormente ocupadas principalmente por casas em regiões com maior presença de edifícios aumenta a quantidade de imóveis submetidos a despesas condominiais.

Já em bairros consolidados e valorizados, como Copacabana, Barra da Tijuca e Ipanema, o movimento ocorre de maneira diferente. Nessas regiões, a alta está relacionada ao aumento real dos custos de manutenção dos edifícios existentes, em um mercado que possui grande volume de imóveis anunciados.

O gerente de dados da Loft, Fábio Takahashi, destacou que o valor do condomínio muitas vezes é subestimado na decisão de compra ou locação, apesar de representar uma despesa mensal recorrente.

No Rio de Janeiro, segundo a análise, o aumento não está concentrado apenas em bairros periféricos. Regiões tradicionalmente valorizadas também registraram elevações relevantes, incluindo Copacabana, Barra da Tijuca e Ipanema.

A diferença entre os valores também evidencia a necessidade de analisar o custo total de um imóvel antes de fechar uma negociação. Um apartamento com preço de venda ou aluguel aparentemente atrativo pode apresentar despesas condominiais elevadas, alterando significativamente o orçamento mensal do comprador ou locatário.

Na Lagoa, por exemplo, a taxa média de R$ 2.293 representa uma despesa mensal que precisa ser somada ao valor do imóvel, ao IPTU e, no caso de uma compra financiada, à parcela do financiamento.

Em Taquara, apesar do aumento expressivo de 25,8%, o condomínio médio de R$ 608 permanece abaixo da média da cidade, que ficou em R$ 622 no primeiro semestre de 2026.

O cenário demonstra que uma alta percentual não significa necessariamente que determinado bairro tenha os condomínios mais caros. O valor de partida também precisa ser considerado na avaliação.

A análise é relevante ainda para quem busca imóveis em bairros em processo de verticalização. A chegada de novos empreendimentos pode modificar gradualmente o perfil da região e aumentar a participação dos condomínios na composição do custo de moradia.

Para os compradores, conhecer o valor atual do condomínio e sua evolução pode ajudar na tomada de decisão. Também é recomendável verificar atas de assembleias, previsão de obras, situação financeira do condomínio e possíveis cobranças extraordinárias antes de concluir a aquisição.

Para locatários, a avaliação deve considerar o custo total mensal. Aluguel, condomínio e IPTU podem representar uma diferença significativa entre imóveis com características semelhantes.

A taxa condominial também merece atenção por parte dos proprietários. Um condomínio muito elevado pode influenciar a atratividade de uma unidade no mercado de locação e interferir na comparação com imóveis concorrentes.

No âmbito da gestão condominial, os números reforçam a necessidade de planejamento financeiro. O aumento das despesas precisa ser acompanhado por uma administração capaz de equilibrar arrecadação, manutenção, contratos, folha de pagamento, investimentos e reservas financeiras.

É importante destacar que uma taxa condominial elevada não significa automaticamente que exista má gestão. O valor pode estar relacionado à estrutura do empreendimento, à quantidade de funcionários, aos equipamentos disponíveis, às áreas de lazer, aos sistemas de segurança, à idade do edifício e às necessidades de manutenção.

Empreendimentos com piscinas, academias, jardins, áreas de convivência, portaria, equipamentos de segurança e outros serviços possuem custos permanentes para conservação e funcionamento.

Por isso, o valor da taxa precisa ser analisado em conjunto com aquilo que o condomínio oferece e com a situação financeira do empreendimento.

A existência de uma reserva financeira adequada também pode contribuir para evitar aumentos abruptos provocados por despesas emergenciais. Da mesma forma, o planejamento de obras e manutenções permite distribuir os custos de maneira mais previsível ao longo do tempo.

O levantamento da Loft mostra que o custo condominial está se consolidando como um fator cada vez mais relevante para o mercado imobiliário carioca. A despesa deixou de ser apenas um complemento do preço do imóvel e passou a integrar de maneira mais evidente a análise do custo total de moradia.

Para os profissionais do setor imobiliário, os dados também oferecem um indicador importante sobre o comportamento das diferentes regiões da cidade. A evolução das taxas pode influenciar a percepção de custo-benefício dos imóveis e as decisões de compradores e investidores.

O levantamento considera anúncios residenciais publicados nas principais plataformas imobiliárias digitais. Os dados foram tratados pela Loft para remover duplicidades e inconsistências, com comparação entre anúncios ativos nos períodos de janeiro a julho de 2025 e 2026.

Para o ranking dos bairros com os condomínios mais caros, foram considerados locais com pelo menos mil anúncios ativos em 2026. Já o ranking de maior crescimento levou em conta bairros com pelo menos mil anúncios ativos nos dois períodos e condomínio médio superior a R$ 300 em 2025.

A metodologia busca reduzir distorções provocadas pela entrada de novos empreendimentos no mercado e permitir uma comparação mais adequada entre os bairros analisados.

Os resultados mostram, portanto, um mercado com movimentos distintos. Enquanto bairros como Taquara e Jacarepaguá apresentam forte crescimento associado à expansão vertical, regiões como Copacabana, Ipanema e Barra da Tijuca registram aumentos mesmo com uma estrutura imobiliária já consolidada.

Para quem pretende morar no Rio de Janeiro, a principal conclusão é que o preço do imóvel não deve ser analisado isoladamente. A taxa condominial, o IPTU e demais despesas recorrentes precisam entrar na conta antes da decisão.

Com condomínio médio de R$ 622 na cidade e valores que ultrapassam R$ 2 mil em bairros como Lagoa, Ipanema e Barra da Tijuca, conhecer o custo completo da moradia se torna essencial para evitar surpresas e avaliar com maior precisão a relação entre preço, localização e estrutura oferecida pelo imóvel.

Fonte: Portas