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Condomínio em Porto Alegre sofre três furtos de cabos de energia e fica sem luz após novo ataque

Criminosos danificaram até calçada com acesso soldado para retirar fiação subterrânea; moradores relatam transtornos e preocupação com a segurança

Condomínio em Porto Alegre sofre três furtos de cabos de energia e fica sem luz após novo ataque

Um condomínio localizado na Rua Vasco da Gama, no bairro Bom Fim, em Porto Alegre, enfrenta uma sequência de furtos de cabos de energia que vem provocando transtornos aos moradores e aumentando a preocupação com a segurança do edifício. Segundo reportagem do Diário Gaúcho, o condomínio registrou três ocorrências desse tipo em 2026, sendo duas delas em um intervalo inferior a 15 dias.

Os criminosos têm como alvo a rede privada subterrânea responsável por levar energia elétrica da calçada, do outro lado da rua, até o edifício. Durante as ações, os suspeitos acessam as estruturas instaladas no passeio público, cortam os cabos e levam principalmente os trechos de cobre, material que possui valor de revenda.

A recorrência dos ataques fez com que a administração do condomínio adotasse diferentes medidas para tentar dificultar novas invasões. Uma das providências foi soldar as tampas das caixas de acesso existentes na calçada. A estratégia, entretanto, não foi suficiente para impedir os criminosos.

Em uma das ocorrências posteriores, os suspeitos danificaram o próprio piso da calçada para conseguir alcançar novamente a estrutura subterrânea. A ação demonstra que, mesmo diante de uma barreira física instalada para dificultar o acesso, a infraestrutura continuou sendo alvo dos criminosos.

O problema também levou o condomínio a substituir parte da fiação de cobre por cabos de alumínio. De acordo com o síndico, responsável pelo edifício, a mudança não eliminou completamente o risco. Em uma das ações, os criminosos chegaram a cortar os cabos de alumínio, mas levaram os trechos que ainda permaneciam em cobre.

Na ocorrência mais recente, um dos suspeitos teria utilizado um poste para alcançar a ligação na parte superior e cortar a fiação. Segundo o relato do síndico à reportagem, os ataques seguem um padrão semelhante: normalmente dois indivíduos circulam durante a madrugada, carregando mochilas, observam o movimento do local e, quando percebem que não há pessoas por perto, acessam as caixas e retiram os cabos.

A escolha pelo período noturno dificulta a percepção imediata da ação. Uma moradora contou que chegou a ouvir a movimentação de dois homens durante uma das ocorrências, mas decidiu não sair do apartamento por temer se expor aos criminosos.

Os impactos não ficam restritos ao prejuízo causado pela substituição da fiação. Na ocorrência mais recente, o condomínio passou uma manhã inteira sem energia elétrica. A interrupção atingiu diretamente a rotina dos moradores e criou dificuldades especialmente para idosos com problemas de locomoção, que precisaram utilizar as escadas devido à indisponibilidade do elevador.

O episódio evidencia como o furto de cabos em áreas de acesso à infraestrutura dos condomínios pode produzir consequências que vão além do dano patrimonial. A interrupção do fornecimento de energia pode comprometer elevadores, sistemas de iluminação, equipamentos eletrônicos e outros recursos essenciais ao funcionamento do edifício.

O síndico afirma ainda que o problema não está restrito ao condomínio da Rua Vasco da Gama. Por atuar profissionalmente na administração de outros edifícios em Porto Alegre, ele relata ter acompanhado ocorrências semelhantes em imóveis localizados nas ruas Barros Cassal, Miguel Tostes e Garibaldi.

A situação registrada no Bom Fim ocorre em meio a um cenário mais amplo de preocupação com o furto de fios e cabos na capital gaúcha. Segundo dados da CEEE Equatorial citados na reportagem, 47.784 clientes foram afetados em Porto Alegre por ocorrências envolvendo furto de fios e cabos da rede elétrica entre janeiro e junho de 2026. O número representa aumento de 11,8% em comparação com o mesmo período de 2025.

Entre os bairros apontados pela distribuidora com maior incidência desse tipo de ocorrência estão Petrópolis, Jardim Botânico, Santo Antônio, Santana, Centro e Floresta. A empresa informou que vem ampliando o uso de tecnologia para rastrear equipamentos da rede e identificar materiais mesmo depois de cortados, raspados ou derretidos.

A tecnologia funciona como uma espécie de identificação dos ativos e pode auxiliar as forças de segurança na investigação dos furtos e na localização dos materiais. A medida faz parte de uma estratégia mais ampla para combater o desvio de fios e cabos, especialmente diante da valorização do cobre no mercado clandestino.

Em setembro, uma operação integrada realizada no Centro de Porto Alegre apreendeu aproximadamente 600 quilos de fios e cabos furtados e conduziu cinco suspeitos ao Departamento Estadual de Investigações Criminais. A ação também encontrou veículos, ferramentas e uma ordem de serviço considerada falsa.

No caso específico do condomínio da Rua Vasco da Gama, entretanto, a investigação possui uma particularidade. Como os cabos furtados pertencem à rede privada subterrânea que atende o edifício, a apuração fica sob responsabilidade da delegacia distrital da região. Segundo o delegado Raul Souza, da 17ª Delegacia de Polícia, furtos ocorridos em redes privadas são tratados pela delegacia correspondente à área. No Bom Fim, a atribuição é da 17ª DP.

A situação é diferente quando o furto envolve cabos instalados em vias públicas e pertencentes à concessionária de energia. Nesses casos, a investigação pode ficar sob responsabilidade da unidade especializada da Polícia Civil destinada aos crimes contra o patrimônio de concessionárias e delegatárias de serviços públicos essenciais.

A Brigada Militar também informou que os indicadores relacionados a esse tipo de ocorrência apresentam queda desde janeiro. O 9º Batalhão de Polícia Militar afirmou que houve ajuste na distribuição do efetivo e que operações estão sendo realizadas principalmente durante a madrugada, período em que os furtos costumam ocorrer.

A corporação reforçou ainda a importância do registro das ocorrências pelos canais oficiais, como o telefone 190. No caso do Bom Fim, o batalhão solicitou ao setor de inteligência um levantamento específico sobre os episódios registrados na região. Até a publicação da reportagem, os dados ainda não haviam sido repassados.

Para os condomínios, a sequência de ataques demonstra a importância de considerar a infraestrutura elétrica como parte do planejamento de segurança patrimonial. Caixas de passagem, entradas de energia, cabos subterrâneos e outros pontos de acesso podem se tornar vulneráveis quando instalados em locais externos e de fácil acesso.

O caso também mostra que medidas isoladas podem não ser suficientes diante de criminosos que adaptam a estratégia para superar obstáculos. No condomínio do Bom Fim, a soldagem das tampas não impediu uma nova tentativa, e a substituição parcial do cobre pelo alumínio também não eliminou completamente o interesse dos criminosos pela instalação.

A adoção de câmeras, iluminação adequada, inspeções periódicas, controle dos pontos de acesso e comunicação rápida de ocorrências pode integrar uma estratégia mais ampla de prevenção. Em situações envolvendo redes subterrâneas, também é importante que o condomínio mantenha documentação sobre a infraestrutura e tenha conhecimento dos pontos de entrada e passagem dos cabos.

A sequência de furtos registrada em Porto Alegre reforça ainda a necessidade de uma atuação integrada entre administração condominial, moradores, empresas responsáveis pela manutenção das instalações e órgãos de segurança. O objetivo é reduzir a vulnerabilidade da infraestrutura e acelerar a resposta quando uma ocorrência for identificada.

No condomínio da Rua Vasco da Gama, entretanto, os ataques continuam representando um problema concreto para os moradores. Depois de três ocorrências no mesmo ano, duas delas em menos de 15 dias, a administração segue buscando formas de proteger a fiação e evitar novas interrupções no fornecimento de energia.

O episódio mostra como um crime aparentemente direcionado apenas à retirada de material pode gerar impactos significativos na rotina de um condomínio. Além do custo de reposição dos cabos e dos danos às estruturas, a interrupção da energia pode comprometer equipamentos essenciais e afetar diretamente moradores que dependem de elevadores e outros sistemas elétricos.

Diante desse cenário, a segurança da infraestrutura elétrica passa a integrar também a gestão preventiva dos condomínios. O caso de Porto Alegre serve como alerta para administradores e síndicos sobre a necessidade de identificar vulnerabilidades, registrar ocorrências, acompanhar pontos de acesso e buscar soluções proporcionais ao risco identificado.