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Condomínio de luxo vende sete casas no Leblon

Estância Pernambuco ocupa área de 11 mil m² no Jardim Pernambuco e terá residências de até R$ 42 milhões, além de bosque, trilhas, mirante e portaria 24 horas

Condomínio de luxo no terreno da mansão mais cara do Brasil já vendeu sete das dez casas no Leblon
Foto: A mansão de alto luxo no Leblon que foi anunciada por R$ 220 milhões dará lugar a um condomínio de alto padrão com dez novas casas — Foto: Divulgação/Mozak

O terreno que abrigava uma das propriedades residenciais mais caras do Brasil começa uma nova fase no mercado imobiliário do Rio de Janeiro. No Jardim Pernambuco, no Leblon, a mansão que chegou a ser anunciada por R$ 220 milhões está sendo substituída pelo Estância Pernambuco, condomínio de altíssimo padrão que terá dez casas.

Mesmo com as obras ainda em andamento, sete das dez residências já foram vendidas. Segundo informações divulgadas pela incorporadora, os imóveis negociados têm valores entre R$ 24 milhões e R$ 42 milhões, enquanto apenas três unidades permanecem disponíveis.

Terrenos chegam a 1.800 m²

Um dos principais diferenciais do empreendimento é a dimensão dos lotes. As áreas variam de aproximadamente 900 m² a 1.800 m², metragem considerada rara no Jardim Pernambuco, onde terrenos costumam ser menores e apresentar maior inclinação.

A proposta combina grandes áreas privativas com elementos naturais preservados no próprio empreendimento. O projeto prevê cerca de 8 mil m² de mata nativa, bosque privativo, trilhas e um mirante, além de espaços destinados ao lazer e à contemplação.

As futuras residências poderão ser personalizadas pelos compradores, reforçando o posicionamento do condomínio no segmento de altíssimo padrão. O projeto arquitetônico é da Bernardes Arquitetura, enquanto o paisagismo será desenvolvido pelo escritório Daniel Nunes. A previsão divulgada para conclusão é o segundo semestre de 2028.

Mercado de luxo atrai compradores antes da conclusão

O ritmo de vendas chama atenção pela combinação entre exclusividade, localização e dimensões dos terrenos. Os compradores das sete unidades comercializadas são brasileiros e, segundo informações divulgadas pela incorporadora, a maioria é do Rio de Janeiro.

Entre os perfis identificados estão empresários do mercado financeiro, advogados, investidores e pessoas ligadas ao agronegócio. Os valores das negociações demonstram a concentração do empreendimento em um público de altíssimo poder aquisitivo.

A estratégia também reduz a quantidade de unidades disponíveis, mantendo o caráter restrito do projeto. Com apenas dez casas, o empreendimento terá uma densidade residencial muito inferior à de condomínios tradicionais de alto padrão.

Da mansão de R$ 220 milhões ao novo condomínio

A propriedade original ocupava aproximadamente 11 mil m² e possuía cerca de 2.500 m² de área construída. A mansão contava com seis suítes, 18 banheiros, piscina semiolímpica, biblioteca, sauna, elevador, estúdio de música e heliponto homologado.

Construída em 1986 pela família Amaral, antiga proprietária da rede de supermercados Disco, a residência também possuía jardins projetados pelo paisagista Roberto Burle Marx. A propriedade chegou a ter 43 funcionários trabalhando diariamente e incluía até uma construção menor destinada à equipe.

A incorporadora Mozak adquiriu o imóvel em 2024, depois de uma negociação que teria se estendido por cerca de seis anos. O valor efetivamente pago pela propriedade não foi divulgado.

Projeto muda o perfil de ocupação da área

A transformação do terreno representa uma mudança significativa no modelo de ocupação. Em vez de uma única residência de grandes dimensões, o espaço será dividido entre dez propriedades independentes, mantendo, entretanto, uma proposta de baixa densidade e alto nível de exclusividade.

O Valor Geral de Vendas (VGV) estimado para o empreendimento é de aproximadamente R$ 360 milhões. Os números colocam o projeto entre os empreendimentos residenciais de maior valor do mercado imobiliário carioca.

A concepção também prioriza áreas verdes e espaços de convivência. Além do bosque e das trilhas, estão previstos quadras esportivas, playground, campo de futebol, lago, chafariz e ambientes destinados ao bem-estar e à contemplação.

Estrutura condominial terá serviços compartilhados

Apesar de contar com casas de grande porte e terrenos privativos, o projeto também incorpora uma estrutura coletiva de serviços. A previsão inclui portaria 24 horas, manutenção, jardinagem, limpeza das piscinas e mensageria.

Esse modelo exige uma gestão condominial compatível com o padrão de infraestrutura oferecido. Em empreendimentos de altíssimo padrão, a administração precisa conciliar custos elevados de manutenção, preservação das áreas verdes, segurança, funcionamento dos equipamentos e atendimento personalizado aos moradores.

A existência de grandes áreas comuns e estruturas paisagísticas também amplia a necessidade de planejamento preventivo, principalmente em relação à manutenção, conservação e segurança.

Obras seguem modelo de grupo fechado

O empreendimento será desenvolvido no modelo de grupo fechado de obra por administração. Nesse formato, os participantes se organizam para custear a construção, enquanto a incorporadora atua na gestão do projeto e das obras.

A proposta permite que os compradores participem de um processo de desenvolvimento mais personalizado, especialmente relevante para imóveis que serão construídos de acordo com as características definidas por cada proprietário.

A Mozak ficará responsável pela gestão do projeto e das obras, conforme as informações divulgadas sobre o empreendimento.

Elementos da antiga mansão ganham novo destino

A demolição da propriedade também abriu espaço para a preservação ou comercialização de parte dos elementos que compunham a antiga residência. Portas, janelas, portões, grades, escadas, corrimãos, pisos, madeiras e outros componentes foram destinados a leilões.

Até elementos da chamada casa de bonecas, uma construção de dois pavimentos existente no jardim e criada para as filhas da família Amaral, foram incluídos entre os itens destinados à venda.

Também foram anunciados móveis, objetos decorativos, obras de arte e peças que pertenciam à antiga propriedade.

Leblon reforça posição no mercado de alto padrão

A transformação do terreno evidencia como áreas raras em bairros consolidados podem assumir novos formatos de exploração imobiliária. No caso do Jardim Pernambuco, a localização, a dimensão excepcional do terreno e a possibilidade de criar um condomínio com poucas unidades contribuem para a estratégia de valorização.

O projeto também mostra uma tendência do mercado de luxo: empreendimentos com menor número de unidades, lotes amplos, personalização e serviços compartilhados passam a competir não apenas pelo tamanho das residências, mas pela experiência de moradia oferecida.

Para a gestão condominial, esse perfil representa desafios específicos. Quanto maior a infraestrutura coletiva e mais sofisticados os serviços, maior tende a ser a necessidade de planejamento financeiro, manutenção especializada, controle operacional e definição clara das responsabilidades entre moradores e administração.

Com sete das dez casas já comercializadas e previsão de conclusão para 2028, o Estância Pernambuco transforma o antigo símbolo de exclusividade do Jardim Pernambuco em um novo modelo de condomínio residencial de altíssimo padrão, mantendo a área como um dos espaços mais valorizados do mercado imobiliário carioca.

Fonte: O Globo