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Condomínio de luxo em Campo Grande (MS) tem briga política após eleição

Discussão em grupo de WhatsApp após a reeleição de Lula teve ataques a moradores petistas e comentários contra nordestinos, segundo denúncia publicada pelo Midiamax

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Apoiadores petistas foram hostilizados e denunciam ataques xenofóbicos · Foto: Divulgação

Condomínio de luxo em Campo Grande tem briga política após eleição

Moradores de um condomínio de luxo em Campo Grande (MS) protagonizaram uma discussão política em um grupo de WhatsApp na segunda-feira (26), após o resultado da eleição presidencial. Segundo denúncia encaminhada ao Jornal Midiamax, moradores contrários à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva publicaram mensagens com ataques a vizinhos identificados como petistas.

Mensagens desejam dificuldades financeiras e fazem ataques a nordestinos

Em uma das mensagens, um morador questionou se os vizinhos que apoiaram Lula estavam acompanhando o desempenho da bolsa de valores e criticou a comemoração dos eleitores do presidente. Na sequência, desejou que os moradores enfrentassem dificuldades financeiras e a violência.

“Os vizinhos petistas estão acompanhando o que está acontecendo na bolsa de valores? A comemoração dos bandidos? Eu desejo que a dificuldade financeira bata à sua porta. Desejo que você encare a realidade da violência, porque, mesmo no seu mundinho de classe média alta, uma hora chega. Vou pagar o preço junto contigo, mas com a consciência de que eu quis mudança e não votei nesse demônio chamado Lula”, escreveu um dos participantes.

As mensagens também fizeram referências diretas à população nordestina. Em outra publicação, um morador sugeriu que os apoiadores do presidente deixassem de fazer doações a comunidades pobres e evitassem comprar produtos de vendedores ambulantes durante viagens ao Nordeste.

“A gente precisa fazer esses petistas sentirem na pele. Não ajude mais com esmola ou qualquer outro ato beneficente em comunidades pobres. Quando forem ao Nordeste, não comprem dos ambulantes”, escreveu.

O Nordeste foi a região brasileira com a maior proporção de votos em Lula. De acordo com o relato publicado pelo Midiamax, as duas mensagens receberam oito reações cada, incluindo emojis de risadas, palmas, coração e sinal de positivo.

Na sequência, outro morador sugeriu uma paralisação nacional de 15 dias, defendendo que empresários alinhados à direita fechassem temporariamente suas empresas.

“Temos que parar o Brasil. Se cada empresário de direita fechar sua empresa, seja ela de que ramo for, por 15 dias, pelo menos, quero ver…”, afirmou.

Grupo já registrava discussões antes da eleição

Segundo o morador que denunciou o caso ao Midiamax, as discussões políticas no grupo já estavam acirradas desde os dias anteriores ao segundo turno. Conforme o relato, os administradores chegaram a suspender o envio de mensagens em algumas ocasiões devido aos insultos trocados entre participantes.

O episódio evidencia como divergências políticas podem ultrapassar o debate eleitoral e afetar a convivência entre vizinhos. Em condomínios, grupos de WhatsApp costumam ser utilizados para tratar de assuntos cotidianos, mas também podem se tornar espaços de conflitos pessoais e manifestações ofensivas.

A liberdade de expressão não afasta eventuais responsabilidades por condutas que violem direitos de terceiros. Ofensas, ameaças e manifestações discriminatórias devem ser avaliadas conforme o conteúdo das mensagens e as circunstâncias de cada caso.

A administração condominial pode estabelecer regras para o uso dos canais de comunicação vinculados ao condomínio, buscando preservar o respeito entre moradores e evitar que discussões comprometam a convivência coletiva.

O caso foi divulgado pelo Jornal Midiamax a partir de uma denúncia de morador. As declarações reproduzidas nesta matéria são atribuídas aos participantes do grupo, conforme o relato publicado pelo veículo.