Condomínio de luxo da Moura Dubeux alaga após fortes chuvas em Salvador e moradores cobram soluções estruturais
Entregue há pouco mais de um ano, o edifício Dumare enfrenta uma série de problemas recorrentes, incluindo infiltrações, falhas de drenagem e 768 pendências apontadas em laudo técnico contratado pelos próprios moradores.

Um condomínio de luxo recém-entregue pela construtora Moura Dubeux voltou a ser alvo de críticas após as fortes chuvas que atingiram Salvador nesta quinta-feira (20). Localizado na Avenida Octávio Mangabeira, em Jaguaribe, o edifício Dumare, comercializado como empreendimento de alto padrão, ficou completamente alagado, com áreas comuns inundadas e água invadindo até mesmo unidades residenciais.
Vídeos enviados por moradores mostram enxurradas descendo pelas escadarias e tomando corredores internos. Em alguns trechos, o volume de água rompeu barreiras, atingindo elevadores e acessos principais. De acordo com os condôminos, a situação não é pontual: desde a entrega, em agosto de 2024, problemas recorrentes vêm sendo relatados.
Histórico de reclamações e vistoria técnica
Uma moradora, que preferiu não se identificar, afirmou que os alagamentos apenas evidenciam um conjunto de falhas já apresentadas pelo empreendimento desde os primeiros meses de uso. Segundo ela, apenas dois meses após a entrega das unidades, começaram a surgir infiltrações, rachaduras, falhas de drenagem e problemas em janelas e revestimentos.
Diante da ausência de soluções consistentes, os moradores criaram uma Comissão de Obras e contrataram uma empresa certificada para vistoriar o edifício — um serviço que custou cerca de R$ 30 mil, pago com recursos dos próprios condôminos, apesar do empreendimento ainda estar dentro do período de garantia.
O relatório técnico, ao qual a reportagem teve acesso, identificou 768 pendências nas áreas comuns: 257 inadequações e 511 itens sem comprovação documental, incluindo infiltrações, corrosão em estruturas metálicas, falhas de impermeabilização, problemas de escoamento pluvial e obras executadas sem evidências técnicas completas.
O laudo reforça que “alguns trechos necessitam de adequação de inclinação para o correto escoamento da água pluvial”, o que confirma que os alagamentos registrados não teriam sido imprevisíveis.
Moradores relatam insegurança e transtornos
Os alagamentos também comprometeram o funcionamento dos elevadores.
“Basta ventar que os elevadores param. Ontem foi só a cereja do bolo. Um senhor teve que subir 20 andares de muleta”, relatou a moradora.
Apesar das constantes reuniões com a construtora, os moradores afirmam que as intervenções realizadas até agora foram superficiais e insuficientes.
“Eles trocam um ralo, pintam um corrimão, substituem alguma peça enferrujada, mas a parte estrutural, que é o mais grave, não avança”, disse.
Posicionamento da Moura Dubeux
Em nota enviada ao BNews, a Moura Dubeux informou que os ventos fortes e chuvas intensas provocaram interferências em algumas áreas do condomínio e que sua equipe técnica está no local realizando uma vistoria detalhada para avaliar causas e impactos.
A construtora declarou ainda estar empenhada em compreender a situação e identificar possíveis necessidades de atuação.
Preocupações sobre responsabilidade e garantia
Especialistas em engenharia e direito imobiliário ressaltam que, em empreendimentos novos, falhas estruturais, problemas hidráulicos e inadequações de drenagem são de responsabilidade direta da construtora, especialmente quando o imóvel ainda se encontra no período de garantia.
Para os moradores, o objetivo é que as intervenções necessárias sejam realizadas com urgência, garantindo segurança, habitabilidade e pleno desempenho das estruturas do condomínio.
Fonte: B News