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Moradia ganha espaço na compra de imóveis

Pesquisa da Loft mostra que intenção de compra para moradia subiu de 70% para 78%, enquanto aquisição como investimento caiu para 22%

Compra de imóveis para morar avança, enquanto investimento perde espaço entre brasileiros
Foto: Cristian Lourenço/iStock

O mercado imobiliário brasileiro passa por uma mudança no perfil de intenção de compra. Entre as pessoas que pretendem adquirir um imóvel nos próximos seis meses, a parcela que busca a propriedade para moradia aumentou de 70% para 78%, enquanto o interesse pela aquisição com finalidade de investimento caiu de 30% para 22%.

Os dados fazem parte da sétima edição do Índice de Confiança do Mercado Imobiliário, elaborado pela Loft em parceria com a Offerwise. O levantamento ouviu 1.400 pessoas entre 21 e 30 de julho de 2026, abrangendo moradores de Porto Alegre, Belo Horizonte, São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Goiânia.

Moradia concentra maior parte da demanda

A intenção de compra para moradia já era predominante entre os potenciais compradores, mas ganhou participação na pesquisa mais recente.

De acordo com os dados, 15% dos entrevistados nas seis capitais afirmaram ter intenção de adquirir um imóvel nos seis meses seguintes. Dentro desse grupo, a finalidade residencial avançou oito pontos percentuais, enquanto a parcela destinada ao investimento recuou na mesma proporção.

O movimento indica que, para uma parcela dos consumidores, a compra do imóvel está mais associada à necessidade de habitação do que à formação de uma carteira de investimentos.

Imóvel perde espaço diante de outras aplicações

A redução do interesse pelo imóvel como investimento não significa que essa modalidade tenha deixado de ser relevante. A pesquisa aponta, na avaliação da Loft, uma mudança de preferência de parte dos potenciais compradores.

Segundo Fábio Takahashi, gerente de dados da Loft, o resultado não representa uma inversão do perfil do mercado, já que a compra para moradia historicamente possui maior participação.

O movimento, entretanto, mostra que o imóvel físico passou a disputar espaço com outras alternativas de aplicação de recursos na decisão de determinados investidores.

São Paulo e Goiânia lideram intenção de investir

Mesmo com a redução nacional da participação dos investidores, algumas capitais apresentam uma proporção maior de consumidores interessados em adquirir imóveis com essa finalidade.

São Paulo e Goiânia aparecem empatadas na liderança, com 29% dos potenciais compradores de cada cidade indicando intenção de investir. Belo Horizonte aparece em seguida, com 28%, enquanto Brasília registra 27%, Rio de Janeiro, 24%, e Porto Alegre, 20%.

Os números mostram que o comportamento não é uniforme entre os diferentes mercados urbanos. Características econômicas, preços, disponibilidade de imóveis e perspectivas de renda podem influenciar as decisões de compradores e investidores.

Segurança ainda atrai investidores

Entre aqueles que continuam considerando o imóvel uma alternativa de investimento, alguns fatores ajudam a explicar essa preferência.

A percepção de segurança patrimonial, a intenção de evitar recursos parados em conta e a possibilidade de diversificar investimentos estão entre as razões apontadas pelos participantes da pesquisa.

Nesse cenário, o imóvel permanece associado à formação de patrimônio e à geração de renda, especialmente por meio da locação.

Mercado de aluguel mantém relevância

A pesquisa também identificou a presença de proprietários que possuem imóveis disponíveis para locação. Entre todos os entrevistados, 16% afirmaram ter uma propriedade nessa condição.

O percentual cresce conforme a faixa de renda: chega a 44% entre os participantes de maior renda e a 22% no grupo seguinte. O dado indica uma concentração maior da propriedade destinada ao aluguel entre os consumidores com maior capacidade financeira.

Para o mercado imobiliário, essa característica reforça a importância da renda de aluguel como componente da decisão de quem mantém imóveis como patrimônio.

Comportamento do comprador influencia novos empreendimentos

A mudança na finalidade da compra também pode afetar as estratégias de incorporadoras e demais empresas do setor.

Quando a moradia ganha participação, atributos relacionados ao uso cotidiano do imóvel tendem a ganhar importância na decisão. Localização, mobilidade, infraestrutura, segurança, funcionalidade e estrutura condominial podem pesar mais para quem pretende efetivamente viver na propriedade.

Para o consumidor, a análise deixa de considerar apenas a perspectiva de valorização futura e passa a incorporar aspectos diretamente relacionados à qualidade de vida.

Condomínios acompanham novas necessidades

A mudança de perfil também pode produzir reflexos na concepção e na administração dos condomínios. Empreendimentos voltados predominantemente à moradia precisam atender às necessidades de residentes permanentes, com infraestrutura adequada para diferentes fases da vida e perfis familiares.

Áreas de lazer, espaços para trabalho, academias, ambientes destinados a pets, segurança e serviços compartilhados podem influenciar a percepção de valor de quem compra para morar.

Nesse contexto, a gestão condominial deixa de ser apenas uma questão operacional e passa a fazer parte da experiência de utilização do imóvel.

Investidor continua presente no mercado

Apesar da retração na intenção de compra para investimento, o segmento continua relevante para o setor imobiliário. A existência de proprietários que alugam seus imóveis demonstra que a aquisição patrimonial permanece concentrada em determinadas faixas de renda.

Para esse público, fatores como liquidez, localização, potencial de locação, custos de manutenção e despesas condominiais podem ser determinantes para avaliar a atratividade de uma propriedade.

O desempenho do condomínio também pode influenciar a preservação do patrimônio. Gestão financeira equilibrada, manutenção preventiva e conservação das áreas comuns contribuem para manter a qualidade do empreendimento ao longo do tempo.

Mercado passa a disputar diferentes objetivos de compra

Os dados da pesquisa mostram que o mercado imobiliário precisa considerar diferentes motivações entre os consumidores. De um lado, estão compradores que procuram uma residência para atender às próprias necessidades. De outro, permanecem investidores interessados em patrimônio, renda e diversificação.

Essa diferença interfere não apenas no tipo de imóvel procurado, mas também nos atributos valorizados durante a decisão de compra.

Para incorporadoras, corretores, administradoras e gestores condominiais, compreender essas motivações pode contribuir para desenvolver produtos e serviços mais alinhados ao comportamento do consumidor.

Demanda por moradia mantém força no setor

A redução da intenção de compra para investimento não representa, portanto, uma perda generalizada de interesse pelos imóveis. O levantamento mostra justamente o contrário: entre os potenciais compradores, a finalidade residencial ampliou sua participação.

O movimento reforça a importância da demanda por moradia para o mercado brasileiro e evidencia que o imóvel continua sendo um bem central nas decisões patrimoniais das famílias.

Ao mesmo tempo, a retração relativa do investidor indica que o setor precisa acompanhar com atenção a concorrência de outras aplicações financeiras e as mudanças no comportamento dos consumidores.

Com a compra para morar alcançando 78% entre os potenciais adquirentes dos próximos seis meses, o mercado imobiliário passa a observar um consumidor ainda interessado em imóveis, mas cada vez mais orientado pela necessidade de habitação e pelas características práticas que determinam a qualidade de vida dentro e fora dos condomínios.

Fonte: Portas