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Imóvel perde espaço entre investidores

Levantamento da Loft mostra avanço da compra para moradia e redução do interesse pelo imóvel como investimento

Compra de imóveis para investimento perde espaço entre brasileiros, aponta pesquisa
Foto: Reprodução

O mercado imobiliário brasileiro passa por uma mudança no perfil de parte dos consumidores interessados em adquirir uma propriedade. Um levantamento realizado pela Loft em parceria com a Offerwise mostra que o imóvel físico perdeu atratividade como opção de investimento entre os brasileiros que pretendem comprar uma propriedade nos próximos seis meses.

De acordo com a sétima edição do Índice de Confiança do Mercado Imobiliário da Loft, 15% dos moradores das seis capitais analisadas afirmam ter intenção de comprar um imóvel no período. Entre esse grupo, 22% pretendem adquirir a propriedade como investimento, oito pontos percentuais abaixo do trimestre anterior, quando esse percentual era de 30%.

Ao mesmo tempo, a compra destinada à moradia ganhou participação. O percentual de potenciais compradores que pretendem adquirir um imóvel para viver passou de 70% para 78% no mesmo intervalo.

Moradia ganha espaço entre compradores

Os números indicam que o principal objetivo de quem pretende comprar um imóvel continua relacionado à habitação. A mudança observada no levantamento está principalmente na redução da parcela de compradores que enxergam a propriedade como investimento.

Segundo Fábio Takahashi, gerente de dados da Loft, os dados não representam uma inversão do perfil tradicional do comprador imobiliário, já que a aquisição para moradia historicamente aparece à frente da compra para investimento.

A alteração observada, segundo o levantamento, está relacionada à percepção de que outras aplicações financeiras passaram a apresentar maior atratividade para parte dos investidores.

Investimento imobiliário ainda é considerado seguro

Apesar da redução, o imóvel continua sendo uma alternativa relevante para quem busca construir patrimônio ou diversificar investimentos.

Entre os entrevistados que permanecem interessados na aquisição de uma propriedade para investir, a percepção de segurança aparece como um dos principais fatores para a escolha.

Também são citadas a intenção de evitar deixar recursos parados em uma conta bancária e a busca por diversificação da carteira de ativos.

A decisão de investir em imóveis, portanto, continua associada à ideia de patrimônio físico e à possibilidade de geração de renda por meio da locação.

São Paulo e Goiânia lideram interesse

A preferência pela compra de imóveis como investimento varia entre as capitais avaliadas pela pesquisa.

São Paulo e Goiânia aparecem empatadas na liderança, com 29% dos potenciais compradores de cada cidade demonstrando interesse em adquirir uma propriedade com essa finalidade.

Belo Horizonte aparece na sequência, com 28%, enquanto Brasília registra 27%.

No Rio de Janeiro, o percentual é de 24%. Porto Alegre apresenta a menor participação entre as seis capitais analisadas, com 20% dos potenciais compradores interessados em investir em imóveis.

Os resultados mostram que fatores regionais também influenciam o comportamento de quem avalia a compra de uma propriedade como alternativa de investimento.

Imóveis para aluguel continuam relevantes

O levantamento também identificou uma parcela significativa de entrevistados que já possui imóveis destinados à locação.

Entre todos os participantes, 16% afirmaram ter atualmente uma propriedade disponível para aluguel.

A proporção aumenta conforme a faixa de renda. Entre os proprietários de maior renda, 44% afirmaram possuir um imóvel disponível para locação. Na faixa de renda seguinte, o percentual foi de 22%.

Os dados demonstram que, embora a intenção de comprar imóveis como investimento tenha diminuído, a propriedade para geração de renda continua presente no patrimônio de uma parcela dos brasileiros.

Brasília concentra maior percentual de imóveis para locação

Entre as capitais pesquisadas, Brasília apresentou a maior proporção de proprietários que afirmaram possuir imóveis disponíveis para aluguel, com 19%.

Rio de Janeiro e Belo Horizonte aparecem logo depois, ambas com 18%, enquanto São Paulo registra 17%.

A presença de imóveis destinados à locação reforça a importância do mercado de aluguel dentro da dinâmica imobiliária brasileira. Para proprietários, a renda mensal pode representar uma estratégia de geração de fluxo financeiro e diversificação patrimonial.

Para o setor condominial, esse cenário também influencia o perfil dos empreendimentos, já que unidades destinadas à locação fazem parte da dinâmica de diversos condomínios residenciais.

Juros e alternativas de investimento influenciam decisões

A mudança no interesse pela compra de imóveis como investimento ocorre em um ambiente no qual o consumidor possui diferentes alternativas para alocar seus recursos.

Para parte dos investidores, a comparação entre aquisição de uma propriedade e aplicações financeiras envolve fatores como liquidez, custos de manutenção, potencial de valorização, renda de aluguel e segurança patrimonial.

O imóvel apresenta características próprias, como a possibilidade de utilização direta ou geração de renda com locação, mas também envolve despesas relacionadas a impostos, manutenção, condomínio e eventuais períodos de vacância.

Por isso, a decisão de compra depende não apenas da expectativa de valorização da propriedade, mas também do objetivo financeiro e do perfil de cada investidor.

Mercado imobiliário acompanha mudança de comportamento

Os resultados da pesquisa mostram que o mercado imobiliário precisa acompanhar um consumidor cada vez mais atento às diferentes alternativas disponíveis para aquisição e investimento.

A compra de um imóvel continua representando uma decisão relevante para quem busca moradia ou construção de patrimônio. Entretanto, para o investidor, a propriedade física passou a disputar espaço com outras modalidades de aplicação.

O levantamento da Loft foi realizado por meio de questionário online com 1.400 pessoas, entre homens e mulheres com 18 anos ou mais, das faixas de renda A, B, C e DE, residentes em Porto Alegre, Belo Horizonte, São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Goiânia. As entrevistas foram realizadas entre 21 e 30 de julho de 2026.

O cenário reforça a importância de analisar cuidadosamente custos, localização, potencial de valorização e possibilidade de geração de renda antes de adquirir uma propriedade com finalidade de investimento.

Mesmo com a redução registrada no trimestre, os imóveis permanecem relevantes no planejamento patrimonial de muitos brasileiros. A diferença é que, para uma parcela dos compradores, a prioridade atual está mais relacionada à moradia do que à utilização da propriedade como ativo de investimento.

Fonte: Exame