Como se tornar síndico de condomínio
Função exige organização, disponibilidade e conhecimento sobre gestão condominial; eleição ocorre em assembleia e o síndico pode ser morador ou profissional contratado

Mercado imobiliário aquecido e necessidade de evitar atritos entre vizinhos impulsionam a busca por especialistas em gestão condominial. Salários podem chegar a R$ 30 mil mensais.
A convivência em condomínios quase sempre é sinônimo de pequenos conflitos diários: barulho fora de hora, uso indevido das áreas comuns, inadimplência e manutenções urgentes. Para evitar o desgaste entre vizinhos, cada vez mais prédios estão optando por uma solução prática: a contratação de um síndico profissional.
Se antes o cargo era ocupado quase que por obrigação por algum morador, hoje a função se tornou uma profissão rentável, dinâmica e que exige muita qualificação.
Um mercado em expansão
A demanda por síndicos profissionais tem crescido vertiginosamente. Segundo estimativas de especialistas, apenas no Rio Grande do Sul, cerca de 15 mil novos condomínios foram criados desde 2018. Atualmente, estima-se que entre 20% e 25% dos condomínios já contem com a gestão de um síndico profissional.
"O síndico leva bastante pancada, precisa de muito auxílio para organizar as várias frentes do condomínio. É preciso entender tecnicamente de elevadores, de gestão de pessoas e muito mais", explica Jéssica Wainer, administradora de condomínios e síndica profissional.
Quanto ganha um síndico profissional?
Um dos grandes atrativos da profissão é a flexibilidade e o retorno financeiro. Como um síndico profissional pode administrar vários prédios ao mesmo tempo, a renda final pode ser bastante alta, sendo você o seu próprio chefe.
De acordo com Eduardo Pintá, professor do curso de formação de síndicos do Senac, os honorários variam de acordo com o tamanho e a complexidade do condomínio:
Condomínios pequenos: R$ 700 a R$ 1.600 por mês.
Condomínios de alto padrão ou complexos: Podem pagar até R$ 30.000 mensais.
Múltipla gestão: "Se você administrar 10 condomínios cobrando R$ 3.000 de cada um, sua remuneração chega a R$ 30.000", exemplifica o professor.
O que faz um síndico na prática?
As obrigações do síndico são regidas pelo Artigo 1.348 do Código Civil. Para além de resolver a "treta" entre vizinhos, o profissional precisa ter conhecimentos em legislação, finanças e manutenção estrutural. As principais responsabilidades incluem:
Convocar assembleias de moradores;
Cumprir e fazer cumprir a convenção e o regimento interno;
Administrar as finanças e prestar contas (criar previsões orçamentárias);
Zelar pela conservação e manutenção das áreas comuns;
Cobrar taxas condominiais e lidar com a inadimplência;
Representar o condomínio judicialmente, se necessário;
Tomar providências em situações de urgência (como danos por temporais).
A importância da capacitação
Embora a lei não exija uma formação específica para ser síndico, a falta de conhecimento pode custar caro para o bolso dos moradores. Eduardo Pintá cita um exemplo claro: em caso de destelhamento por temporal, muitos condomínios possuem seguros que cobrem o dano. Um síndico sem instrução pode acabar tirando R$ 50 mil do caixa do prédio simplesmente por desconhecer a apólice.
Para suprir essa necessidade técnica, instituições como o Senac oferecem cursos de capacitação com carga horária média de 160 horas. A formação abrange desde o planejamento financeiro até a mediação de conflitos — habilidade essencial, já que o síndico muitas vezes precisa atuar como um "psicólogo" apaziguador entre moradores.
E você, já pensou em transformar a gestão de condomínios na sua próxima profissão? A área está de portas abertas para quem tem perfil de liderança, organização e vontade de aprender.
Fonte: G1