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Atrasos preocupam compradores de imóveis

Compradores afirmam enfrentar incertezas e perdas financeiras com obras paralisadas ou em ritmo lento; Pafil diz que empreendimentos serão retomados

Clientes relatam prejuízos após atraso de construtora na entrega de apartamentos em Ribeirão Preto
Foto: Reprodução

Compradores de imóveis da Construtora Pafil, em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, relatam prejuízos financeiros e incertezas diante do ritmo lento ou da paralisação de obras de empreendimentos adquiridos na planta. Os relatos envolvem imóveis em diferentes regiões da cidade e incluem casos de compradores que afirmam ter pago valores significativos sem receber as unidades dentro das expectativas inicialmente apresentadas.

Entre os empreendimentos mencionados estão construções na Zona Norte e na Zona Sul de Ribeirão Preto. Os compradores afirmam enfrentar dificuldades para obter informações e acompanhar a evolução dos trabalhos.

A situação levou alguns clientes a buscar medidas judiciais, enquanto outros aguardam novos cronogramas apresentados pela empresa.

Comprador afirma ter pago R$ 35 mil

No Jardim Heitor Rigon, na Zona Norte, compradores relatam que os prédios de um empreendimento deveriam ter sido entregues em abril. Segundo os clientes, entretanto, a construção permanece incompleta, com unidades ainda sem janelas, sacadas desprotegidas e portaria não finalizada.

Um dos compradores, Paulo Sérgio da Silva, afirmou ter adquirido o apartamento em abril de 2023, com previsão contratual de entrega para outubro de 2025. Segundo ele, foram pagos R$ 35 mil.

Diante da demora e da dificuldade de obter uma solução, o comprador informou ter acionado a Justiça no início de junho para solicitar a rescisão do contrato e a devolução dos valores pagos.

O caso demonstra uma das principais preocupações de quem compra um imóvel na planta: além do valor já desembolsado, o atraso pode comprometer planos financeiros e decisões relacionadas à moradia.

Obras na Zona Sul também geram reclamações

Na região do Jardim Olhos d'Água, compradores de outro residencial também relatam descompasso entre o cronograma esperado e o andamento das obras.

Imagens aéreas mostraram, segundo a reportagem, que apenas um dos três blocos apresentava avanço nos trabalhos.

A biomédica Gabriele de Oliveira afirmou que pretendia se casar e mudar para o imóvel com o noivo em fevereiro, mas passou a conviver com a incerteza sobre a conclusão do empreendimento.

A auxiliar administrativa Simone Souza, que comprou uma unidade em 2024, também relatou preocupação após perceber a paralisação dos trabalhos.

Segundo os compradores, a promessa inicial era de entrega em 2025. A falta de informações sobre a evolução das obras aumentou a insegurança entre os futuros moradores.

Outro empreendimento teve obras iniciadas e posteriormente paralisadas

Ainda na Zona Sul, um empreendimento localizado no cruzamento das avenidas Professor João Fiúsa e Caramuru também aparece entre os casos relatados.

Segundo os compradores, a obra deveria ter começado em 2024, mas teve início somente no começo de 2026 e acabou paralisada após aproximadamente cinco meses de atividades iniciais.

Os clientes afirmam ter desembolsado valores entre R$ 30 mil e R$ 80 mil de entrada, além de parcelas relacionadas ao financiamento.

Nesse empreendimento, o contrato prevê conclusão das obras em 30 de junho de 2027, com prazo de tolerância de 180 dias, levando a data limite a 27 de dezembro de 2027.

Por isso, embora os compradores relatem preocupação com o ritmo da construção, a discussão sobre eventual atraso contratual precisa considerar as datas estabelecidas no próprio contrato.

Clientes avaliam medidas judiciais

O advogado Felipe Tonelli afirmou representar pelo menos 50 clientes com reclamações relacionadas à construtora.

Segundo ele, entre as medidas avaliadas estão pedidos de indenização mensal equivalente a 1% do valor total pago durante o período em que o comprador permanece sem usufruir do imóvel ou pedidos de rescisão contratual com devolução integral dos valores desembolsados, incluindo taxas e multas, conforme a situação de cada contrato.

A possibilidade de responsabilização e os valores eventualmente devidos dependem, entretanto, da análise individual de cada contrato, do cronograma previsto e das circunstâncias que provocaram o atraso.

Construtora afirma que obras serão retomadas

Em manifestação sobre o empreendimento Fiúsa 016, na Avenida Caramuru, a Pafil informou que as obras serão retomadas em setembro de 2026.

A empresa afirmou ainda que o projeto permanece dentro do prazo contratual vigente, cuja conclusão está prevista para junho de 2027, com tolerância até dezembro do mesmo ano. Dessa forma, segundo a construtora, não haveria atraso contratual nesse empreendimento.

A Pafil também informou que o projeto conta com financiamento da Caixa Econômica Federal e que a participação da instituição financeira amplia o acompanhamento e a segurança para os compradores.

Segundo a empresa, os impactos observados no cronograma decorreram de fatores relacionados à contratação da operação financeira, aos procedimentos de liberação de recursos e às condições de fornecimento de materiais, insumos e serviços.

Pafil apresenta situação de outros empreendimentos

A construtora também informou que um dos empreendimentos da Zona Sul citados pelos compradores possui 87% das obras concluídas e segue com os trabalhos em andamento.

Outros dois projetos, de acordo com a empresa, apresentam aproximadamente 65% de execução física e terão as atividades retomadas ao longo de setembro.

A posição apresentada pela construtora é diferente da percepção relatada por alguns compradores, que afirmam enfrentar dificuldades para acompanhar o cronograma e obter previsibilidade sobre a conclusão dos imóveis.

Impactos vão além da espera pelo imóvel

O atraso na entrega de um apartamento pode provocar consequências que ultrapassam a simples postergação da mudança. Compradores podem permanecer pagando aluguel, reorganizar planos familiares, alterar estratégias financeiras e enfrentar custos relacionados ao financiamento e à manutenção do compromisso assumido.

Para quem adquiriu o imóvel como investimento, a demora também pode postergar a possibilidade de locação ou revenda da unidade.

Por esse motivo, o acompanhamento do cronograma e a comunicação entre construtora e compradores são aspectos importantes durante todo o período de execução do empreendimento.

Contrato deve ser analisado antes de qualquer medida

Diante de problemas relacionados à entrega de imóveis, especialistas em direito imobiliário costumam considerar fundamental verificar as cláusulas contratuais antes da adoção de medidas judiciais.

Datas de conclusão, períodos de tolerância, condições de financiamento, responsabilidades previstas e eventuais mecanismos de compensação precisam ser analisados individualmente.

Também é importante reunir comprovantes de pagamento, comunicações com a construtora, cronogramas, notificações e demais documentos relacionados à compra.

A existência de uma obra em ritmo lento, por si só, não significa necessariamente que exista atraso contratual. A caracterização depende das condições estabelecidas no contrato e da situação concreta de cada empreendimento.


Incerteza reforça importância da segurança jurídica

Os relatos registrados em Ribeirão Preto mostram como atrasos ou mudanças no ritmo de obras podem afetar compradores antes mesmo da entrega das unidades.

Para o mercado imobiliário, situações desse tipo reforçam a importância de cronogramas realistas, comunicação transparente e acompanhamento adequado da execução dos empreendimentos.

Para os compradores, o caso também evidencia a necessidade de conhecer as condições contratuais, guardar documentos e acompanhar formalmente qualquer alteração no planejamento da obra.

Enquanto os clientes buscam respostas e, em alguns casos, recorrem à Justiça, a construtora afirma que parte dos empreendimentos será retomada e que determinados projetos permanecem dentro dos prazos contratuais.

O desfecho de cada situação dependerá da evolução das obras, do cumprimento dos cronogramas e, quando houver processos judiciais, da análise dos documentos e das provas apresentadas pelas partes.


Fonte: G1