Classe média é negligenciada pelo real estate
Especialista internacional aponta que falta de oferta acessível e crédito limitado prejudica famílias da classe média em todo o país

O CEO global do GRI Institute afirmou que a classe média no Brasil tem sido negligenciada pelo mercado imobiliário, um cenário que vem se agravando nos últimos anos devido à falta de oferta de imóveis acessíveis e restrições de crédito para famílias de renda média.
Segundo o executivo, o setor imobiliário brasileiro concentra esforços em segmentos de alto padrão e investimentos institucionais, deixando de lado uma faixa importante da população — que representa grande parte da demanda habitacional. Essa dinâmica, segundo ele, tem limitado as oportunidades de compra e financiamento para milhões de brasileiros.
O especialista reforça que a classe média enfrenta dificuldades crescentes para acessar crédito imobiliário, mesmo quando há intenção de aquisição. Taxas de juros elevadas, exigências rigorosas e prazos de financiamento curtos contribuem para reduzir a viabilidade da compra de imóveis por essa parcela da população.
Outro ponto destacado é o déficit de oferta de imóveis com preços compatíveis com a realidade da classe média. Enquanto o mercado direciona novos lançamentos para faixas mais elevadas, a escassez de unidades populares e intermediárias agrava o problema, empurrando a demanda para aluguéis ou para cidades e regiões menos valorizadas.
O CEO também alertou que essa tendência pode ter efeitos negativos sobre o desenvolvimento urbano sustentável, já que dificulta a formação de comunidades estáveis e impacta diretamente a economia local e a dinâmica de bairros inteiros.
Especialistas no Brasil reforçam que ações coordenadas entre setor público e privado — como incentivos fiscais, programas de crédito especiais e parcerias para habitação — são fundamentais para corrigir essa distorção e garantir mais oportunidades para a classe média no mercado imobiliário.
O debate expõe uma questão estrutural no setor: a necessidade de políticas de oferta e financiamento que considerem a realidade de diferentes perfis de renda, incluindo síndicos, compradores em potencial e investidores que atuam no mercado residencial.
Fonte: Trends