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5 dos 10 bairros com mais moradores em apês ficam no Rio

Levantamento baseado no Censo 2022 mostra que a Barra da Tijuca lidera no Rio em número de moradores em apartamentos, enquanto Copacabana concentra mais unidades residenciais

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Vista assim do alto. A Barra da Tijuca é o segundo bairro do Brasil com mais moradores vivendo em apartamentos: nesse ranking nacional, só perde para o Plano Piloto, em Brasília · Foto: Custódio Coimbra

Rio concentra cinco dos dez bairros brasileiros com mais moradores em apartamentos

Barra da Tijuca lidera entre os bairros cariocas, enquanto Copacabana tem o maior número de unidades residenciais, segundo levantamento baseado no Censo 2022

O Rio de Janeiro reúne cinco dos dez bairros brasileiros com maior número de moradores em apartamentos. É o que aponta um levantamento do perfil Urbanófilo, divulgado pelo jornal O Globo, com base nos dados do Censo Demográfico de 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Ao todo, 2,22 milhões de pessoas vivem em apartamentos na capital fluminense. Entre os bairros cariocas, a Barra da Tijuca lidera, com 131.766 moradores nesse tipo de imóvel. No ranking nacional, o bairro fica atrás apenas do Plano Piloto, em Brasília, que registra 173.262 habitantes em apartamentos.

Quais bairros do Rio se destacam?

Além da Barra da Tijuca, outros quatro bairros cariocas aparecem entre os dez brasileiros com maior número de moradores em apartamentos:

  • Copacabana: 112.868 moradores;

  • Tijuca: 109.556 moradores;

  • Recreio dos Bandeirantes: 108.830 moradores;

  • Jacarepaguá: 103.316 moradores.

Os números mostram a presença expressiva desse modelo de habitação em diferentes regiões da cidade, incluindo áreas tradicionais e bairros que passaram por processos mais recentes de expansão urbana.

Copacabana tem mais apartamentos que a Barra

A liderança muda quando o critério considerado é o número de unidades residenciais. Nesse recorte, Copacabana aparece à frente, com 57.650 apartamentos, enquanto a Barra da Tijuca contabiliza 55.995.

A diferença também aparece na média de moradores por unidade. Na Barra, cada apartamento abriga, em média, 2,35 pessoas. Em Copacabana, a média é de 1,96 morador por imóvel.

O levantamento também aponta bairros cariocas com presença praticamente inexistente de moradores em apartamentos. Grumari e Gericinó não registraram habitantes nessa modalidade em 2022. No Joá, foram contabilizados oito moradores; na Cidade Universitária, 47; e em Barra de Guaratiba, 124.

Apartamentos representam 36% da população carioca

Segundo os dados do Censo 2022 citados no levantamento, 36% da população do Rio de Janeiro vivia em apartamentos naquele ano. Em 2010, esse percentual era de 32,6%, o que representa um crescimento de 3,4 pontos percentuais em 12 anos.

Apesar do avanço, a capital fluminense ocupava a quinta posição entre as capitais brasileiras com maior proporção de moradores em apartamentos, atrás de Vitória, Porto Alegre, Florianópolis e João Pessoa.

O tamanho dos domicílios também apresenta diferenças conforme o tipo de moradia. Em 2022, as casas ocupadas no Rio tinham, em média, 2,7 moradores, enquanto os apartamentos registravam média de 2,3 pessoas.

Entre os fatores associados à transformação do perfil habitacional estão a redução da fecundidade e o aumento dos domicílios unipessoais e das residências ocupadas por casais sem filhos.

Verticalização e expansão do mercado imobiliário

A concentração de moradores em determinados bairros está relacionada ao desenvolvimento urbano e à dinâmica do mercado imobiliário. Segundo o historiador Rafael Soares Gonçalves, professor da PUC-Rio, a distribuição acompanha a valorização de regiões com localização estratégica e oferta de serviços.

A expansão da Barra da Tijuca representa uma etapa importante desse processo. A partir da década de 1970, o projeto urbanístico elaborado por Lúcio Costa contribuiu para consolidar um padrão de ocupação marcado por empreendimentos residenciais de maior porte e estruturas de lazer destinadas aos moradores. O Recreio dos Bandeirantes seguiu trajetória semelhante.

Esse modelo pode oferecer conveniência, serviços e espaços de lazer dentro dos empreendimentos. Ao mesmo tempo, especialistas apontam que a concentração dessas estruturas nos condomínios pode reduzir a circulação dos moradores por espaços públicos e as oportunidades de convivência com pessoas de fora desses ambientes.

O presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio de Janeiro (CAU-RJ), Sydnei Menezes, também chama a atenção para os efeitos da expansão imobiliária acelerada na Barra da Tijuca. Na avaliação do especialista, o crescimento dos edifícios e da população ultrapassou as previsões iniciais para o bairro.

O que o crescimento significa para os condomínios?

A concentração de moradores em apartamentos reforça a importância da gestão condominial e do planejamento das cidades. O aumento da ocupação residencial exige atenção à manutenção das edificações, à segurança, à mobilidade, à oferta de serviços e à infraestrutura dos bairros.

Nos condomínios, a presença de áreas de lazer, sistemas de segurança, equipamentos e serviços compartilhados demanda planejamento financeiro, manutenção preventiva e organização administrativa. Em empreendimentos com grande número de unidades, esses desafios podem envolver operações complexas e necessidades distintas de convivência entre os moradores.

Fora dos limites dos condomínios, o crescimento vertical também precisa ser acompanhado por investimentos em transporte, saneamento, equipamentos públicos e infraestrutura urbana. O objetivo é compatibilizar a expansão imobiliária com as condições necessárias para a qualidade de vida da população.

O levantamento baseado no Censo 2022 oferece, assim, um retrato da distribuição dos moradores em apartamentos e das transformações na ocupação urbana do Rio de Janeiro. Os dados também ajudam a compreender como o mercado imobiliário, as características dos bairros e as mudanças demográficas influenciam a forma de morar nas grandes cidades brasileiras.