Cinco anos após entrega, condomínio na Bahia sofre com infiltrações, esgoto a céu aberto e ameaça estrutural
Erguido sobre solo instável, o Condomínio Costa das Baleias, em Camaçari, enfrenta problemas estruturais graves, como buracos de 8 metros, esgoto retornando pelos bueiros e risco à vida dos moradores; construtora é acusada de omissão

Moradores do Condomínio Costa das Baleias, construído pela MRV em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador, vivem sob constante tensão. O conjunto habitacional, entregue em 2020, apresenta infiltrações severas, entupimentos frequentes na rede de esgoto, retorno de dejetos pelos bueiros e um buraco de aproximadamente 8 metros de profundidade sob um dos blocos residenciais — o que tem gerado medo de um possível desabamento.
Segundo relatos, os problemas começaram ainda no primeiro ano após a entrega do empreendimento. As bombas da Estação de Tratamento de Efluentes (ETE) entupiam com frequência, devido à entrada de areia, causando retorno de esgoto e mau cheiro constante.
“As nossas bombas viviam entupindo. A empresa que fazia a manutenção disse que era um erro de obra”, relata Yan Xavier, morador do bloco 21.
A situação se agravou quando um enorme buraco foi identificado abaixo da área das bombas. Segundo moradores e engenheiros que avaliaram o local, o problema está diretamente ligado à presença de minadores de água — veios que brotam do solo por influência do lençol freático.
“Um colaborador quase morreu soterrado quando o solo cedeu dentro do buraco”, alerta Yan.
A instabilidade do solo já afeta a estrutura de diversas unidades. A moradora Receba Batista, por exemplo, deixou sua casa após notar rachaduras em portas e janelas. Mesmo com reparos pontuais, a sensação de insegurança persiste.
“Eles falam que não é estrutural, mas o problema volta sempre. Tenho medo do prédio cair”, desabafa.
O síndico, Ueliton Cerqueira, denuncia que a construtora promete envio de especialistas, mas não cumpre.
“Estamos há mais de um ano aguardando soluções concretas. A MRV só repete que está aguardando orçamentos e nunca inicia a obra”, afirma.
Para o engenheiro civil Cícero Bastos, o correto seria a realização de uma nova sondagem do solo, para identificar corretamente as condições geológicas e o impacto dos lençóis freáticos na fundação do empreendimento. Segundo ele, é possível que o estudo original tenha falhado na detecção da presença dos minadores, o que comprometeu toda a estabilidade da construção.
A MRV, em nota, informou que mantém comunicação com a administração do condomínio e está trabalhando na definição da solução mais segura. No entanto, os moradores afirmam que as promessas da construtora ainda não saíram do papel.
Órgãos ambientais e urbanísticos do estado, como Sedur, Inema e Sema, foram procurados pela reportagem do BNews, mas não responderam aos questionamentos sobre as condições de aprovação e fiscalização da obra.
O caso acende um alerta para todos os envolvidos com o setor imobiliário e condominial: falhas na análise do solo e na execução de obras podem comprometer não apenas o patrimônio dos compradores, mas também suas vidas.
Fonte: B News