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Casos de violência contra mulheres revelam omissão e reforçam papel dos condomínios nas denúncias

Reportagem nacional evidencia agressões registradas por câmeras de segurança e alerta para a responsabilidade legal de síndicos, vizinhos e funcionários ao presenciarem episódios de violência doméstica.

Casos de violência contra mulheres revelam omissão e reforçam papel dos condomínios nas denúncias
Foto: Imagem ilustrativa

Casos de violência contra mulheres expõem omissão e reforçam papel de condomínios nas denúncias

O SBT Brasil trouxe à tona, nesta quarta-feira, dois casos graves de violência doméstica registrados por câmeras de segurança em condomínios, reacendendo o debate sobre a responsabilidade de vizinhos, funcionários e síndicos em denunciar agressões contra mulheres. A reportagem reforça que a Lei Maria da Penha considera crime a omissão de quem presencia ou tem conhecimento de episódios de violência e não comunica às autoridades.

Especialistas afirmam que o país avançou no enfrentamento à violência de gênero, mas ainda enfrenta grandes desafios para garantir a segurança física e psicológica das vítimas. Segundo a ex-promotora de Justiça e especialista em direitos das mulheres, proteger e apoiar vítimas é um dever social, e não apenas institucional.

“É uma força-tarefa social. Cada um tem o seu papel”, destaca.

Violência registrada em áreas comuns de condomínios

As imagens divulgadas mostram que, mesmo diante de câmeras de vigilância, muitos agressores não se intimidam. A violência ocorre inclusive em áreas comuns dos edifícios, apoiada pela falsa crença de que vizinhos não intervirão — o popular ditado “ninguém mete a colher”.

Para especialistas, essa cultura precisa mudar.

“Quem tem obrigação de meter a colher, tem que meter a colher”, reforça uma das entrevistadas.

Alguns condomínios já adotam protocolos internos para lidar com suspeitas de agressão. Em um deles, ao receber alerta via interfone, o porteiro aciona o segurança de ronda, que verifica a situação com filmagem e áudio e, constatada a agressão, chama imediatamente a polícia pelo 190.

Casos chocantes registrados por câmeras

Dois episódios divulgados nesta quarta-feira ganharam grande repercussão nacional.

No primeiro, em São Paulo, Alex Leandro Bispo dos Santos, de 40 anos, aparece agredindo a esposa, Maria Catiane Gomes da Silva, de 25 anos, nas câmeras do elevador e da garagem do prédio. Inicialmente, o marido afirmou à polícia que ela havia se jogado do décimo andar. As imagens, porém, revelaram o histórico de violência momentos antes da morte. Ele foi preso.

No Rio de Janeiro, um turista americano, Erick Christian Dias Fernandes, foi flagrado desferindo diversos socos contra a namorada, também estrangeira. A vítima recebeu 26 pontos no rosto. Embora preso em flagrante após denúncia de vizinhos, o agressor foi solto 15 dias depois e responde por violência doméstica e lesão corporal gravíssima. Ele está proibido de deixar o Brasil até o fim do processo.

A importância de denunciar: crime de omissão de socorro

A ex-promotora de Justiça destaca que síndicos, administradores e funcionários podem perder o cargo e responder criminalmente caso deixem de denunciar episódios de violência doméstica.

“Pode ser crime de omissão de socorro. A atuação naquele momento pode impedir um feminicídio”, afirma.

A reportagem também trouxe o relato de uma mulher que sofreu 22 anos de agressões dentro do próprio lar. Mesmo com pedidos de socorro audíveis, vizinhos preferiam não se envolver. Segundo ela, somente conseguiu se libertar com a ajuda do filho, quando se mudou para outro imóvel.

Denúncia é dever de todos

As autoridades reforçam que qualquer pessoa — conheça ou não a vítima — deve denunciar casos de violência doméstica. As denúncias podem ser feitas anonimamente pelo 180, a Central de Atendimento à Mulher, ou pelo 190, em casos de emergência.

A mensagem final da reportagem é clara: omitir-se diante da violência também é violência. Denunciar salva vidas.

Fonte: SBT