Capivara é resgatada em condomínio na Serra
Animal silvestre foi encontrado em residencial no bairro Pitanga, passou por avaliação veterinária e foi solto na APA Lagoa Jacuném

Uma capivara foi encontrada dentro de um condomínio no bairro Pitanga, na Serra, no Espírito Santo, na última sexta-feira (28). A presença inesperada do animal mobilizou equipes da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma) e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), responsáveis pelo resgate.
Após ser retirada do residencial, a capivara passou por avaliação de um médico-veterinário. Como apresentava condições adequadas de saúde, o animal foi considerado apto para retornar ao ambiente natural e posteriormente devolvido à natureza na Área de Proteção Ambiental (APA) Lagoa Jacuném.
O episódio chama atenção para uma realidade cada vez mais presente em áreas urbanizadas: o encontro entre a expansão das cidades e a fauna que vive ou circula em áreas de vegetação, lagoas e outros ambientes naturais.
Animais silvestres podem aparecer em áreas residenciais
A presença de animais silvestres em condomínios não significa, necessariamente, que o animal esteja perdido ou precise ser retirado imediatamente pelos moradores. Em determinadas situações, esses animais podem entrar em áreas urbanizadas em busca de alimento, água, abrigo ou por deslocamento entre fragmentos de vegetação.
A capivara, embora seja uma espécie conhecida pela adaptação a ambientes próximos às cidades, continua sendo um animal silvestre. Por isso, a aproximação de pessoas pode representar risco tanto para os moradores quanto para o próprio animal.
Diante de um encontro desse tipo, a orientação dos órgãos ambientais é evitar tentativas de captura, contenção ou condução do animal para outro local.
Moradores devem manter distância
Mesmo animais que aparentam ser dóceis ou não oferecer perigo imediato podem reagir de maneira imprevisível quando se sentem ameaçados. A recomendação, portanto, é manter distância, evitar cercar o animal e não tentar alimentá-lo.
Também é importante impedir que crianças ou animais domésticos se aproximem enquanto o atendimento especializado não chega. A prioridade deve ser preservar a segurança e reduzir o estresse provocado pela presença humana.
A tentativa de resolver a situação por conta própria pode dificultar o resgate e aumentar a possibilidade de acidentes.
Como solicitar ajuda
Quando um animal silvestre for encontrado em área urbana ou em uma situação que ofereça risco, os moradores podem acionar a Fiscalização Ambiental gratuitamente por meio do aplicativo Colab, disponível para Android e iOS. Também é possível registrar a ocorrência pelo site do aplicativo.
Ao fazer a solicitação, é importante informar com precisão o local onde o animal foi avistado. Essas informações ajudam as equipes responsáveis a localizar a ocorrência e definir a melhor estratégia para o atendimento.
Enquanto aguarda o resgate, a recomendação permanece sendo não tocar no animal, não oferecer alimentos e não tentar deslocá-lo.
Condomínios precisam orientar moradores
Para síndicos e administradoras, situações como essa mostram a importância de estabelecer orientações básicas para ocorrências envolvendo fauna silvestre.
Um protocolo simples pode indicar que funcionários e moradores devem manter distância, evitar aglomerações, afastar crianças e pets e acionar os órgãos ambientais responsáveis. A comunicação rápida também pode impedir que moradores tentem realizar o resgate sem equipamentos ou conhecimento adequado.
Em condomínios próximos a áreas verdes, lagoas, parques ou regiões de preservação, esse tipo de orientação pode ser incorporado às ações de conscientização ambiental do empreendimento.
Convivência urbana exige cuidado com a fauna
O resgate da capivara na Serra terminou de forma positiva: após avaliação veterinária, o animal retornou à natureza na APA Lagoa Jacuném. O caso, porém, serve como lembrete de que a presença de fauna silvestre em áreas residenciais exige cautela e atuação especializada.
Para os condomínios, a principal medida não é tentar controlar diretamente a fauna, mas orientar os moradores sobre como agir diante de encontros inesperados. Preservar a distância, evitar interferências e acionar os órgãos competentes são atitudes que contribuem para a segurança coletiva e para a proteção dos animais.
À medida que áreas urbanas avançam sobre regiões próximas a ambientes naturais, episódios semelhantes podem se tornar mais frequentes. Nesse cenário, informação e prevenção passam a fazer parte também da gestão responsável dos espaços residenciais.
Fonte: Folha Vitória