Cão morre após queda de 13º andar em condomínio
Animal já havia sido visto em situação de risco na janela do apartamento, segundo vizinhos, antes da queda que resultou em sua morte

Um cão da raça shih-tzu morreu após cair da janela de um apartamento localizado no 13º andar de um condomínio no bairro Parque Novo Mundo, na zona norte de São Paulo. O caso ocorreu no sábado (12) e passou a ser investigado pela Polícia Civil como possível crime de maus-tratos.
Segundo relatos de moradores, o animal já havia sido visto em situação de risco na janela do apartamento em outras ocasiões. A primeira ocorrência registrada pelos vizinhos teria acontecido em 23 de agosto, quando uma condômina alertou outros moradores sobre a situação por meio de um grupo do condomínio.
Após o aviso, os moradores tentaram localizar a tutora para comunicar o risco. Conforme os relatos apresentados à reportagem, ela teria informado que resolveria a situação quando chegasse ao imóvel, aproximadamente 40 minutos depois.
Diante da demora e da preocupação com a segurança do animal, os vizinhos decidiram arrombar a porta do apartamento para realizar o resgate. Mesmo depois desse episódio, o cachorro teria sido novamente visto próximo à janela em outras ocasiões.
No sábado, o animal acabou caindo do 13º andar. A queda foi parcialmente amortecida por um toldo, mas o cão chegou a uma clínica veterinária em estado grave e sofreu uma parada cardiorrespiratória. Segundo a reportagem, ele morreu poucos minutos depois de dar entrada no local.
O caso ganhou novos desdobramentos quando o deputado estadual Rafael Saraiva, que atua na defesa dos animais, foi até o condomínio acompanhado por uma equipe policial. No local, a tutora afirmou que o cachorro havia caído da janela, mas informou que ele estaria internado e em condição estável.
Ao chegarem à clínica indicada pela mulher, porém, os agentes e o deputado foram informados de que o animal já havia falecido. A ocorrência passou a ser acompanhada pelas autoridades e registrada no 90º Distrito Policial.
Outro elemento incluído na investigação envolve o cunhado da tutora, que é policial militar. Conforme o boletim de ocorrência, ele compareceu à delegacia nesta terça-feira (15) e informou que a mulher não prestaria depoimento. Ainda segundo o registro policial, o homem admitiu ter orientado a tutora a mentir sobre o estado de saúde do cachorro, mesmo sabendo que o animal já havia morrido.
A Polícia Civil investiga as circunstâncias da morte e a eventual responsabilidade por maus-tratos. Até a publicação da reportagem, a defesa da investigada não havia sido localizada, permanecendo aberto o espaço para manifestação.
O episódio também chama atenção para um problema que pode surgir em condomínios residenciais: a necessidade de adoção de medidas de segurança para animais mantidos em apartamentos. Janelas, sacadas e demais áreas abertas podem representar riscos quando não existem barreiras ou mecanismos adequados de proteção.
Em situações nas quais um animal é observado repetidamente em condição de perigo, a comunicação entre moradores e administração pode ser importante para que o risco seja identificado e encaminhado de maneira responsável. O caso de São Paulo mostra que a percepção dos vizinhos pode ser determinante quando existe uma situação potencialmente grave envolvendo um animal.
Para síndicos e administradoras, ocorrências dessa natureza também reforçam a importância de orientar os moradores sobre regras de segurança e convivência relacionadas à presença de animais nas unidades. A atuação condominial, entretanto, deve respeitar os limites de sua competência e encaminhar situações que possam configurar crime às autoridades responsáveis.
A proteção dos animais em condomínios envolve, portanto, não apenas o bem-estar dos pets, mas também prevenção de acidentes, responsabilidade dos tutores e convivência entre os moradores. Medidas como telas de proteção e cuidados permanentes com janelas e sacadas podem reduzir riscos e evitar situações potencialmente fatais.
Enquanto a investigação policial prossegue, a responsabilidade da tutora ainda será apurada pelas autoridades. O caso permanece sob análise da Polícia Civil, sem conclusão definitiva sobre eventual prática de maus-tratos.
Fonte: Metropoles