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Financiamento ainda exige entrada elevada

Levantamento da Trillia mostra 507,3 mil imóveis residenciais financiados no primeiro semestre, com avanço de 6,6% nas operações

Brasileiro financia cerca de 60% do valor do imóvel e entrada supera 35% em 2026
Foto: Reprodução

O financiamento imobiliário continua sendo uma das principais ferramentas utilizadas pelos brasileiros para adquirir a casa própria, mas os dados do primeiro semestre de 2026 mostram que o comprador ainda precisa desembolsar uma parcela significativa do valor do imóvel com recursos próprios. Segundo levantamento da Trillia, unidade de dados e analytics da B3, foram financiados, em média, 64,8% do valor dos apartamentos e 62,8% das casas.

Na prática, os números indicam que a entrada média ultrapassou 35% do preço dos imóveis financiados. O cenário ganha relevância em um momento de juros elevados e maior seletividade na concessão de crédito, fatores que aumentam a importância do planejamento financeiro antes da compra.

Mais de 500 mil imóveis foram financiados

Entre janeiro e junho, 507.299 imóveis residenciais foram financiados no país. O número representa crescimento de 6,6% em comparação com as 475.748 operações registradas no mesmo período de 2025.

O avanço, entretanto, foi puxado principalmente pelas casas. Foram 285.900 operações desse tipo, alta de 11,8% na comparação anual. Já os apartamentos somaram 221.329 financiamentos, crescimento de apenas 0,6%.

A diferença demonstra que o mercado de crédito imobiliário apresenta comportamentos distintos de acordo com o tipo de imóvel. Enquanto as casas registraram expansão mais expressiva, o financiamento de apartamentos permaneceu praticamente estável no primeiro semestre.

Entrada elevada muda o planejamento do comprador

A necessidade de reunir mais de um terço do valor do imóvel antes da contratação do financiamento representa um dos principais desafios para quem pretende comprar uma propriedade.

Além da entrada, o comprador precisa considerar despesas que acompanham a aquisição, como custos cartorários, impostos, avaliação do imóvel, seguros e demais encargos relacionados à operação. Por isso, o valor disponível para a entrada não deve ser confundido com todo o capital necessário para concluir a compra.

O cenário também aumenta a importância de uma análise cuidadosa da capacidade de pagamento. Uma entrada maior pode reduzir o saldo financiado e, consequentemente, o valor das parcelas e dos juros pagos ao longo do contrato, mas exige maior disponibilidade de recursos no momento da aquisição.

São Paulo concentra quase 35% das operações

A distribuição regional dos financiamentos mostra a forte concentração do crédito imobiliário no Sudeste. O estado de São Paulo respondeu por 34,7% de todas as operações residenciais realizadas no país no primeiro semestre. A participação foi ainda maior entre os financiamentos de casas, chegando a 39,6%, enquanto os apartamentos representaram 28,4%.

Considerando toda a região, o Sudeste concentrou 48,7% dos financiamentos residenciais. O resultado reforça o peso econômico da região na concessão de crédito e no mercado formal de imóveis.

Essa concentração, porém, não significa que o comportamento seja uniforme em todo o território nacional. Condições de renda, preços dos imóveis, oferta habitacional e características econômicas regionais influenciam diretamente a capacidade de financiamento das famílias.

SFH responde pela maior parte dos contratos

O Sistema Financeiro da Habitação (SFH) foi responsável por 58% dos contratos de apartamentos e por 63,4% das operações envolvendo casas no período analisado.

O sistema passou por uma mudança importante em outubro de 2025, quando o valor máximo de avaliação do imóvel enquadrado no SFH foi elevado para R$ 2,25 milhões. A alteração ampliou o universo de imóveis que podem ser enquadrados nessa modalidade.

Nos apartamentos, o Sistema de Financiamento Imobiliário respondeu por 40% das operações, enquanto o home equity representou 2,9%. Entre as casas, essas modalidades corresponderam a 32,9% e 3,8%, respectivamente.

Crédito influencia o mercado imobiliário

A evolução dos financiamentos tem impacto direto sobre o mercado de compra e venda de imóveis. Quando o acesso ao crédito aumenta, mais famílias conseguem transformar a intenção de compra em uma operação efetiva. Quando as condições ficam mais restritivas, parte dos consumidores pode adiar a aquisição ou buscar imóveis de menor valor.

Por isso, o crescimento de 6,6% registrado no primeiro semestre sinaliza que, apesar das dificuldades relacionadas ao custo do dinheiro, a demanda por financiamento permanece relevante.

O desempenho das casas também merece atenção. O crescimento de 11,8% nas operações desse segmento foi significativamente superior ao registrado entre os apartamentos, indicando maior dinamismo do crédito para esse tipo de propriedade no período.

Compra de imóvel exige atenção ao custo total

Para o comprador, o percentual financiado é apenas uma das variáveis que devem ser consideradas. A taxa de juros, o prazo, o sistema de amortização, os seguros e demais custos do contrato interferem no valor efetivamente pago ao longo dos anos.

Uma entrada maior pode diminuir o saldo devedor, mas compromete uma parcela maior do patrimônio líquido disponível. Por isso, a decisão deve considerar não apenas o valor da prestação, mas também a manutenção de uma reserva financeira para emergências e despesas relacionadas ao imóvel.

No caso dos apartamentos, também é necessário incluir o impacto das despesas condominiais no orçamento mensal. Depois da aquisição, o proprietário passa a arcar com condomínio, impostos, manutenção e outras despesas recorrentes que não aparecem necessariamente no valor da parcela do financiamento.

Mercado exige planejamento financeiro

Os dados da Trillia mostram um mercado de crédito que continua movimentando centenas de milhares de imóveis, mas no qual o comprador precisa reunir uma parcela significativa de recursos próprios.

Para incorporadoras e agentes do mercado imobiliário, o cenário reforça a importância de compreender o perfil financeiro dos consumidores e oferecer condições compatíveis com diferentes capacidades de pagamento. Para compradores, a principal lição é avaliar o custo total da aquisição antes de assumir um compromisso de longo prazo.

O financiamento continua sendo uma ferramenta essencial para ampliar o acesso à propriedade, mas os números do primeiro semestre de 2026 deixam claro que a entrada permanece um dos principais obstáculos para quem pretende comprar um imóvel.

Com 507,3 mil imóveis residenciais financiados no período e crescimento de 6,6% nas operações, o mercado mantém ritmo de expansão. Ao mesmo tempo, a necessidade de financiar cerca de dois terços do valor das propriedades evidencia que o planejamento da entrada continua sendo determinante para transformar o desejo da casa própria em uma compra sustentável.

Fonte: Portas