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Brasil pode enfrentar falta de 500 mil engenheiros até 2030, aponta setor da construção

País já registra déficit de 75 mil profissionais, enquanto empresas enfrentam dificuldades para contratar mão de obra qualificada

Brasil pode enfrentar falta de 500 mil engenheiros até 2030, aponta setor da construção

Brasil pode enfrentar falta de 500 mil engenheiros até 2030, aponta setor da construção

A construção civil brasileira pode enfrentar um déficit expressivo de profissionais de engenharia nos próximos anos. Atualmente, o país já registra uma carência estimada em 75 mil engenheiros, número que pode superar 500 mil até 2030, segundo estimativa do Sindicato Nacional da Indústria da Construção Pesada-Infraestrutura (Sinicon).

A escassez de profissionais qualificados ocorre em um momento de demanda por novos projetos de infraestrutura, expansão imobiliária e adoção de tecnologias que exigem maior qualificação técnica.

Déficit atual pode aumentar

Segundo os dados apresentados pelo setor, o Brasil já enfrenta dificuldades para preencher vagas destinadas a profissionais de engenharia.

A estimativa do Sinicon aponta uma carência atual de 75 mil engenheiros. Caso o cenário permaneça, esse número poderá ultrapassar 500 mil profissionais até 2030.

O problema não se limita à engenharia. A construção civil enfrenta dificuldades para encontrar trabalhadores qualificados em diferentes áreas, o que pode afetar a capacidade das empresas de acompanhar o crescimento da atividade.

Empresas têm dificuldade para contratar

Levantamento da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) citado na reportagem aponta que 90% das empresas do setor enfrentam obstáculos para encontrar profissionais qualificados.

A dificuldade envolve diferentes funções e está relacionada à necessidade de profissionais capazes de acompanhar a evolução dos métodos construtivos e das novas ferramentas utilizadas no setor.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) também aponta dificuldades específicas na contratação de engenheiros. Segundo o levantamento citado, 22,4% das indústrias relatam problemas para encontrar esses profissionais.

Brasil tem mais de 1 milhão de engenheiros registrados

De acordo com informações atribuídas ao Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea), o Brasil possui mais de 1 milhão de profissionais registrados.

Apesar desse número, a quantidade de engenheiros em relação à população ainda é considerada baixa quando comparada à de países desenvolvidos.

Segundo Alexandre Euzébio, diretor de Inovação, Ciência e Tecnologia da Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Santos (Aeas), o Brasil possui aproximadamente seis engenheiros para cada mil habitantes, enquanto países desenvolvidos chegam a 25 profissionais por mil habitantes.

Construção exige profissionais cada vez mais preparados

Para o diretor regional do Sinduscon-SP, Lucas Teixeira, a dificuldade de contratação é um problema que atinge diferentes funções da construção civil.

No caso dos engenheiros, a demanda está relacionada também à necessidade de profissionais preparados para acompanhar novas tecnologias e métodos construtivos.

Além da formação acadêmica, empresas buscam profissionais que tenham experiência prática, qualificação técnica e domínio das ferramentas utilizadas atualmente pelo setor.

Infraestrutura aumenta demanda por especialistas

A expansão de grandes projetos de infraestrutura também contribui para ampliar a procura por profissionais especializados.

Na Baixada Santista, por exemplo, a expansão do Porto de Santos, o Polo de Cubatão e o crescimento do mercado imobiliário aumentam a necessidade de profissionais com formação técnica específica.

Nesse cenário, algumas áreas apresentam dificuldades ainda maiores para encontrar mão de obra disponível.

Dragagem e geotecnia estão entre as áreas com lacunas

Entre as especialidades apontadas como mais difíceis de preencher estão profissionais ligados à dragagem, estudos de solos e geotecnia.

Essas áreas exigem experiência específica e conhecimento técnico, o que reduz a quantidade de profissionais imediatamente disponíveis no mercado.

Segundo Alexandre Euzébio, áreas muito especializadas também podem apresentar dificuldade para atrair recém-formados, já que algumas exigem experiência acumulada antes que o profissional consiga atuar em projetos de maior complexidade.

Novas tecnologias aumentam exigência de qualificação

A transformação dos métodos construtivos também modifica o perfil buscado pelas empresas.

Ferramentas digitais, novos processos e tecnologias aplicadas à construção exigem profissionais capazes de integrar conhecimento técnico e experiência prática.

Para o setor, portanto, o desafio não está apenas em aumentar a quantidade de engenheiros disponíveis, mas também em formar profissionais preparados para as necessidades atuais da indústria da construção.

Qualificação se torna desafio para o setor

A possível falta de 500 mil engenheiros até 2030 coloca a formação e a qualificação profissional entre os principais desafios para a construção civil brasileira.

O crescimento da infraestrutura e do mercado imobiliário amplia a necessidade de mão de obra especializada, enquanto empresas relatam dificuldades para preencher determinadas funções.

Nesse cenário, a formação de novos profissionais, a aproximação entre universidades e empresas e a capacitação em novas tecnologias aparecem como questões relevantes para atender às futuras demandas do setor.