Black Friday desafia condomínios: especialistas alertam para aumento nas entregas e necessidade de regras claras
Crescimento das compras online exige preparo logístico e comunicação eficiente entre síndicos, porteiros e moradores para evitar transtornos durante o período de promoções.

Black Friday exige preparação dos condomínios para alta no volume de encomendas e desafios logísticos
Com a chegada da Black Friday, cresce o volume de compras online e, consequentemente, o número de entregas que chegam diariamente aos condomínios residenciais. A movimentação intensa exige atenção redobrada de síndicos e administradoras, que precisam adaptar a logística interna para lidar com o grande fluxo de encomendas.
Em entrevista ao quadro Reunião de Condomínio, o advogado condominial Diego Bassi destacou que as expectativas para 2025 apontam um aumento de 17% nas vendas online, o que deve movimentar mais de R$ 11 bilhões em mercadorias.
“Todo esse volume acaba desembocando nos condomínios. Eles precisam se preparar e muito para essa enxurrada de entregas”, alertou.
Segundo o especialista, 25% da população brasileira — cerca de 82 milhões de pessoas — vive em condomínios, o que intensifica o impacto logístico do período. “A Black Friday é um grande teste de organização e comunicação condominial”, afirmou Bassi.
Limites de entrega e responsabilidade do síndico
Uma das principais dúvidas dos moradores é sobre os limites para recebimento de mercadorias. Segundo Bassi, o regulamento interno do condomínio deve estabelecer claramente o que pode ou não ser recebido, especialmente quando se trata de encomendas grandes ou frágeis.
“O condomínio não pode se transformar em um entreposto ou mensageria. Ele pode, sim, limitar o tamanho das entregas e até recusar itens frágeis quando não houver estrutura para armazená-los com segurança”, explicou.
O advogado também lembrou que o síndico deve observar as regras internas e, se necessário, criar normas temporárias específicas para o período de alto volume de entregas.
“Já tivemos casos de moradores recebendo rolos de tecido e até geladeiras em prédios com mil moradores. É preciso bom senso e limite”, pontuou.
Citações judiciais e responsabilidade da portaria
Durante a entrevista, Bassi também esclareceu uma dúvida recorrente: porteiros podem receber intimações judiciais em nome de moradores. A prática é legal desde 2015, com a atualização do Código de Processo Civil.
“A lei permite a citação na pessoa do porteiro. Mas o condomínio precisa ter mecanismos que comprovem o recebimento e a entrega ao destinatário. E o porteiro pode recusar, caso a pessoa citada não resida no local”, ressaltou.
Treinamento e comunicação são essenciais
Para o especialista, a comunicação entre síndico, funcionários e condôminos é o fator mais importante para atravessar o período da Black Friday sem transtornos. Ele recomenda que os condomínios divulguem orientações claras por mensagens em aplicativos, avisos nos elevadores e murais digitais, além de incentivar a retirada rápida das encomendas.
“É preciso avisar os moradores que o condomínio enfrentará uma enxurrada de entregas e estabelecer regras de retirada. A comunicação é o segredo para manter a convivência harmoniosa”, afirmou.
Bassi reforçou ainda que, além da estrutura e das regras, o bom senso dos moradores é fundamental. “A empatia e o respeito pelo espaço coletivo são indispensáveis. Todo mundo quer aproveitar as promoções, mas é preciso entender os limites da coletividade”, concluiu.
Fonte: G1