Mercado imobiliário de BH mantém força
Capital mineira registrou 12.099 transações até junho, mas financiamentos de casas e apartamentos no estado caíram 1,4% no período

O mercado imobiliário de Belo Horizonte apresentou um cenário de acomodação no primeiro semestre de 2026. Entre janeiro e junho, foram comercializados 12.099 imóveis na capital mineira, número 6,7% inferior às 12.970 transações registradas no mesmo período de 2025. Os dados do Data Secovi foram destacados pelo Diário do Comércio e apontam para um mercado que continua movimentado, mas enfrenta os efeitos dos juros elevados e do maior endividamento das famílias.
Apesar da redução no volume geral, o segmento residencial permaneceu predominante, respondendo por aproximadamente 90% das vendas. Os apartamentos concentraram 9.485 negócios, queda de 7,1% em relação aos 10.206 registrados no primeiro semestre do ano anterior.
Faixas de mercado apresentam comportamentos diferentes
A retração não ocorreu de maneira uniforme entre os padrões de imóveis. As categorias Super Luxo e Econômico Faixa 4 avançaram 4,8% cada, enquanto o padrão Standard teve alta de 2,4%.
Em contrapartida, segmentos como Luxo, Alto, Médio e Econômico registraram quedas nas vendas. O comportamento indica que diferentes perfis de compradores estão reagindo de maneiras distintas ao ambiente econômico, com nichos de maior renda e determinadas faixas de mercado apresentando maior resistência.
A diferença também ajuda a explicar por que a queda no número de transações não significa necessariamente uma redução generalizada dos preços ou da atividade imobiliária.
Preço médio do metro quadrado avança
Mesmo com menos negócios, o preço médio do metro quadrado privativo dos apartamentos em Belo Horizonte passou de R$ 14.356 para R$ 14.574, uma alta de 1,5% na comparação anual.
Entre os bairros com valores mais elevados, Lourdes, Gutierrez e São José ultrapassaram R$ 21 mil por metro quadrado. Já Pilar, Olaria e Madre Gertrudes apresentaram valores inferiores a R$ 3.150 por metro quadrado.
Buritis, Lourdes e Savassi também se destacaram pela concentração do Valor Geral de Vendas, respondendo juntos por aproximadamente R$ 1,11 bilhão, equivalente a 9% do VGV da capital no período analisado.
Crédito imobiliário perde ritmo em Minas
O movimento observado em Belo Horizonte ocorre paralelamente a uma retração do financiamento imobiliário no estado. Minas Gerais registrou 39.987 financiamentos de casas e apartamentos no primeiro semestre de 2026, queda de 1,4% em relação aos 40.541 contratos contabilizados no mesmo período de 2025.
Os apartamentos foram os mais afetados. O número de contratos caiu 4,3%, passando de 19.966 para 19.101 operações.
No caso das casas, houve leve crescimento: os financiamentos passaram de 20.575 para 20.886 contratos. Já o home equity, modalidade que utiliza um imóvel como garantia para obtenção de crédito, apresentou avanço de 30,3%, de 871 para 1.135 operações.
Minas acompanha uma dinâmica diferente da média nacional
Enquanto o crédito imobiliário recuou em Minas Gerais, o cenário brasileiro apresentou crescimento. No primeiro semestre, foram financiadas 507.299 unidades residenciais no país, alta de 6,6% sobre as 475.748 operações registradas um ano antes.
As casas lideraram o crescimento nacional, com avanço de 11,8%, enquanto os apartamentos tiveram aumento mais moderado, de 0,6%. Minas Gerais respondeu por 7,88% dos financiamentos imobiliários realizados no país, ficando atrás de São Paulo, que concentrou 34,7% das operações.
A diferença entre o desempenho estadual e nacional evidencia como as condições de crédito e o comportamento dos compradores podem variar conforme o mercado regional.
Juros elevados influenciam decisões de compra
O cenário de juros elevados permanece entre os fatores que dificultam o acesso ao financiamento e contribuem para uma postura mais seletiva dos consumidores. O custo do crédito interfere diretamente na capacidade de compra das famílias e pode levar parte dos interessados a adiar a aquisição ou buscar imóveis de menor valor.
Para o mercado imobiliário, esse ambiente aumenta a importância de estratégias voltadas a diferentes perfis de compradores. A oferta de unidades compatíveis com a capacidade financeira do público e alternativas de crédito pode ser determinante para sustentar as vendas.
Reflexos também chegam ao mercado condominial
A movimentação do mercado de imóveis influencia diretamente a formação de novos condomínios e a ocupação dos empreendimentos residenciais. O ritmo de vendas interfere em lançamentos, formação de estoque, ocupação das unidades e, posteriormente, na arrecadação e no planejamento financeiro dos condomínios.
Para síndicos, administradoras, incorporadoras e investidores, acompanhar indicadores de vendas, preços e financiamento ajuda a compreender o comportamento do mercado e antecipar possíveis mudanças na demanda.
Os dados do primeiro semestre mostram, portanto, um mercado mineiro em processo de ajuste. Belo Horizonte mantém um volume expressivo de comercializações e apresenta valorização do preço médio dos apartamentos, enquanto o crédito estadual perde ritmo. O contraste reforça a importância de observar não apenas o número de imóveis vendidos, mas também o perfil das unidades, o comportamento dos preços e as condições disponíveis para financiamento.
Fonte: Portas